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MensagemEnviado: Domingo Out 05, 2008 9:54 am
Avatar do UtilizadorMensagens: 2661Registado: Sexta Mar 30, 2007 10:58 am
Fernando,

A sério. Sou eu quem entra com você em total desespero pela impossibilidade manifesta de compreensão.

Nenhuma pessoa com algo de sentido comum vai passar-se a imitar como marcação de nada o léxico lisboeta....do mesmo jeito que nenhuma pessoa vai exigir carta de Galeguidade de três gerações às palavras ou pessoas...

Loucos e idiotas há em toda parte. Já sabemos.

Isso da hipercaraterização Tuga foi, talvez foi moda ou reação, surpresa atônita, deslumbre ante os inícios do encontro com o português... (com a ignorância supina que TODOS TINHAMOS E ainda TEMOS) desejo de marcar diferenças com o castelão.

Mas isso foi. Está a mudar. Não percebe talvez? a gente trata de aprender a sério e aum tempo trata de elevar um modelo respeitoso com a tradição literária e a fala oral. É muito difícil fazer ambas as cousas e contra o relógio.

Não é justo nem nobre se burlar daqueles que são menos. Nós somos pouca cousa. Acho que alguém com a sua energia, saber e talento podia escolher inimigos mais fortes.

Compreendo perfeitamente que a Galiza, os galegos não temos direito nenhum a nos integrar na lusofonia. Para o imaginário Português é um despropósito.

Sei bem que a tradição galeguista tem mitificado Portugal e reinventado para próprio benefício o mito do português, Portugal, o Corredoira e eu falamos muito disso, e do desconhecimento histórico da Galiza que há em Portugal e de Portugal na Galiza. Não podemos romper a história nem apagá-la.

Há muito caminho por fazer. Entendo que para muitos de vocês e para muitos de nós isso do Português da Galiza é apenas o sonho de mentes enfermas e aleijadas, de povres espíritos que de tão acanhados se refugiaram na leitura dos livrosde cavalaria e sairam ao mundo a bater com moinhos...

Compreendo, ou quero compreender o fundo das suas palavras, ainda que me doa.

Entenda pois que nós temos que fazer o que pensamos correto, e que de Portugal apenas queremos aprender. Mas não empregar como até Portugal como mitema, nem o português como arma. Não. Aprender, tratar de arranjar uma desfeita histórica.

Não é possível, já vejo pelo momento a compreensão. Muito fica pois por trabalhar. Duvido que tenhamos força e paciência.



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Ernesto Vázquez Souza
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MensagemEnviado: Domingo Out 05, 2008 10:48 am
Mensagens: 1378Registado: Sexta Set 19, 2008 8:02 pm
Caro Ernesto,

Com gente como tu, ainda há salvação. Mas temos de conceder que estás muito sozinho.

E eu sei o que isso é, andar sozinho nestas coisas galegas. Vê a conferência de Ivo Castro, na página do CCG. Se ele, à escala portuguesa, for Urano, eu sou, na melhor hipótese, Neptuno. Quase perdido no espaço sideral.

Abraço.
Fernando


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MensagemEnviado: Domingo Out 05, 2008 12:05 pm
Avatar do UtilizadorMensagens: 1015Localizaçom: Perdido no meio do AtlânticoRegistado: Terça Jul 08, 2008 8:14 pm
Peço desculpas ao ruival. Coidei que era quem, obviamente, nom é: aquele a quem dirigiu a sua divertida mensagem. Simplesmente, achei que o nosso amigo paleolinguista, depois do suceso do seu engraçado artigo escrito em galego das catacumbas dos tempos dos trobadores misturado com angolano, se deixara levar polas mondégides e, esquecendo o intuito originário do seu artigo, nomeadamente, o escárnio da AGDP, se lançara a escrever em um outro baralhete qualquer, ainda mais estrambótico. Daí a minha resposta em gíria bearnesa.

A propósito, ruival: que classe de baralhete é esse "Koruño"?!?! Que aberraçom, meu deus! Esperemos que nom vám a relacionarem-se com os "vigueneses" (existe tal cousa?) antes que qualquer paleofilólogo asisado tenha tempo de estudia-lo, e mesmo probar a escrever quaisquer composiçõezinhas com ele ...


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MensagemEnviado: Domingo Out 05, 2008 12:22 pm
Mensagens: 5Registado: Quarta Set 24, 2008 8:51 am
Oi Malta! Sinto, mas até já me dá preguiça redigire....


http://www.aduaneirossemfronteiras.org/blog.php?id=70

cun silencio endecasílabo
nos caneiros da emoción
cheiro a estrume
cara o desxelo das oceánicas curvas
cun rosario de escumas sanguiñentas
arrastrando as verbas
sobre os clavicordios dun hamlet tuberculoso
dos teus beizos cóncavos e convexos
cecais a sombra espetada no teu corpo
desamor dos cimbros
xenebra de garrafa
contra a estirpe o sangue ceibe das coxas
ámame cara a esquerda[url]


http://en.wikipedia.org/wiki/Momo_(novel)

Por se alguem lembra no livro Momo aqueles homens cinzentos que contavam os minutos (e as palavras?)


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MensagemEnviado: Domingo Out 05, 2008 12:31 pm
Avatar do UtilizadorMensagens: 1015Localizaçom: Perdido no meio do AtlânticoRegistado: Terça Jul 08, 2008 8:14 pm
Eu quereria fazer um chamamento público à AGAL, ao PGL, ou a quem queira que leva estes foros, p'ra que tragam mais gente como o Venáncio (desculpe-me a escrita o profissor, mais nom atopo o circunflexo para o "a" no meu teclado, ainda que melhor pensado, dado que a minha pronuncia tira mais para o "a" aberto, é mais adequado cecais escrever com "á") p'ra escreverem semanalmente aqui. Acho um bocadinho maçador às vezes estar a escrever com gente que, mais ou menos, pensam nas mesmas linhas, nom acham? É dar-lhe voltas e voltas aos mesmos temas, a dizer o mal que vai o pais, a tirarmos as mesmas conclusões (nom em todos os fios, claro ...)
Porque nom poderiam trazer a um Suso de Toro, um Rivas, un Ferrim ... paguem-lhes se necessário! Deixem mesmo a sua escrita em ortografia castelhana ... quanto iamos gozar, a bater no teclado escumando pola boca ... eu, que p'raos que ainda nom se decataram, tenho acadado já a categoria de troll, gollum!!, agradeceria imenso. E vocês, aperfeiçoariam as sua técnica argumentativa, treinándo-se para quando chegarem as batalhas de verdade, em fronte das cámaras da TV e do povo galego ... o Fernando é-lhes um bom sparring, nom o rejeitem nem o maçem demasiado ... eu, porém, posso maçá-lo: ser um troll traz consigo, além da inoportunidade e moléstia para os outros, a ventagem da liberdade total de expressom e da irreverência, my precioussssss!


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MensagemEnviado: Domingo Out 05, 2008 12:37 pm
Avatar do UtilizadorMensagens: 1015Localizaçom: Perdido no meio do AtlânticoRegistado: Terça Jul 08, 2008 8:14 pm
(...) trazer um (...) :roll:

odeio as minhas deturpações casteleiras :x


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MensagemEnviado: Domingo Out 05, 2008 2:32 pm
Avatar do UtilizadorMensagens: 2661Registado: Sexta Mar 30, 2007 10:58 am
Fernando, eu não estou sozinho.

Há muito que não me considero já mais "o derradeiro sobrevivente de um pobo suicida". Ainda que ande suponho, mais perdido e com a visão mais alterada que Riddick por alguma das luas de Vénus.

Luiz, os homens cinzentos... a Galiza autonómica cheia deles.

Bem lembro o gerador automático. Muito tenho rido com ele... À primeira, não está mal:
:lol:

en voz baixa rexouban
un sudario tépedo
no peteiro dos cisnes
neste mar de tebras
nos caneiros da emoción
inútil extensión de amor unánime
axexa o cínife na esquina acesa
nas trazas do remol e do ronsel

xente que temperaba os arcos dos instrumentos arbóreos


lembranza de ti, oh indómito corsario
derramas a maus cheas
as aves migratorias


Nota bene:

Luas de Vénus (= quem sabe onde?) Vénus não tem satélites confirmados, apenas mitos sobre a existência deles.

Riddick: http://en.wikipedia.org/wiki/Riddick



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Ernesto Vázquez Souza
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MensagemEnviado: Segunda Out 06, 2008 9:01 am
Mensagens: 1378Registado: Sexta Set 19, 2008 8:02 pm
Ainda a «Academia» não está inaugurada, já criou as duas primeiras palavras. Não galegas, não portuguesas, não castelhanas. Será élfico?

Veja no fio «Poesia» deste fórum.


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MensagemEnviado: Terça Out 07, 2008 10:11 am
Mensagens: 1378Registado: Sexta Set 19, 2008 8:02 pm
Uma pergunta inocentíssima. Qual é o presidente duma ACADEMIA GALEGA que se exprime assim? Dou uma ajudinha: não é o da RAG.


«A <b>idea</b> procede do professor Carvalho Calero»,
«mas <b>tamém</b> na <b>práctica</b>»,
«com <b>respecto</b> à <b>introducción</b> de léxico novo»,
«<b>despois</b> morreu»,
«um pouco como em <b>hibernación</b>»,
«as <b>perspectivas</b> de futuro»,
«<b>hai</b> alguns meses»,
«<b>crear</b> as <b>condiciós sobretodo</b> de <b>carácter</b> económico»,
«a <b>organización</b> da Academia»,
«o momento <b>actual</b>»,
«<b>pero</b> é a mesma língua»,
«solidário <b>de essa concepción</b> linguística»,
«ainda que <b>poda</b>»,
«<b>moi</b> silenciosa»,
«gente que <b>ao melhor</b> considera»,
«nesses <b>aspectos</b> concretos sempre pode haver <b>diferências</b>»,
«que <b>tamén</b> nos interessa <b>moito»</b>,
«a <b>GALICIA</b> é umha parte»,
«hai umha <b>gran desinformación</b>»,
«a <b>conservación</b> da ortografia»,
«as <b>reacciós</b> em geral»,
«non <b>hai moito</b> que fazer».



Nota.

Eu acho perfeito que o Presidente dessa Academia Galega se exprima assim. Mais: reconheço aí, apesar de tudo, a minha língua.

O que detesto é que tentem enganar-me.


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MensagemEnviado: Terça Out 07, 2008 11:08 am
Avatar do UtilizadorMensagens: 2661Registado: Sexta Mar 30, 2007 10:58 am
Caro,

Não percebeu ainda uma noção básica. Vai-se estabelecer como prática uma diglossia entre a escrita (português na perspetiva acordo e com as variantes que vaiamos tratando de incorporar) e a oralidade que vai ser a mesma que tínhamos (tratando apenas de ir corrigindo castelanismos).

A obra de construir um modelo de padrão oral terá que ser feita para apoio de neo-falantes e vai ser uma obra de duas gerações como mínimo.

A tarefa é imensa. Em douscentos anos com esforços incríveis temos não apenas sobrevivido quanto chegado até cá. Na metade desse tempo veremos onde está o nosso projeto coletivo.



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Ernesto Vázquez Souza
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MensagemEnviado: Terça Out 07, 2008 11:16 am
Mensagens: 1378Registado: Sexta Set 19, 2008 8:02 pm
E de repente um susto. Vão dizer que eu inventei. Que quero lançar o desânimo, a desmobilização, o pânico.

Pois bem, podem ouvir o Presidente no link abaixo. É, de resto, o sítio que me alertou para o caso. A análise do bloguista ALEMA é válida, mas insuficiente. E erra ao supor que o Presidente deveria dizer «mantiver» quando diz «mantivesse». O bloguista reflecte aqui uma hipercorrecção galega...

http://alema.org/2008/10/07/escandalo-o ... ouco-mais/


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MensagemEnviado: Terça Out 07, 2008 11:29 am
Mensagens: 1378Registado: Sexta Set 19, 2008 8:02 pm
Ernesto,

Eu tenho (desculpa a confissão pública) uma imensa admiração por ti. A tua percepção e a tua ousadia são absolutamente desarmantes. Tivesse a Galiza mais três ou quatro pessoas como tu, e tudo seria rapidamente diferente.

Pois bem, é exacto o que escreves. A Academia Galega prepara <b>uma diglossia</b>: escreve-se duma maneira e pronuncia-se doutra. Há dois consistentes sistemas de referência: um escrito, outro oral. Não dou pormenores. Há aqui pelo fórum interessantíssimos exemplos. Lembro só um: vai escrever-se <b>fi-lo</b> e ler-se <b>figem-no</b>. Sobre as implicações pedagógicas do empreendimento, vou silenciar.

Agora vê. Na Galiza, já existe uma monumental diglossia, criada pela língua do Estado. Descreve-me tu, então, ou descreva-me alguém, a paisagem linguística galega quando <b>DUAS DIGLOSSIAS</b> se sobrepuserem.


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MensagemEnviado: Terça Out 07, 2008 12:53 pm
Avatar do UtilizadorMensagens: 2661Registado: Sexta Mar 30, 2007 10:58 am
Obrigado, será por isso que me botaram da Galiza.

Esta proposta de Diglossia deve ter uns 20 anos e vai circulando desde que a destacou António Gil, depois é lugar comum em muitos textos de Celso Cáccamo, Mario Herrero, Martinho... achava simplesmente ser tópico, lugar comum.

Bom e quem disse que as tarefas e as responsabilidades fossem doadas ou mesmo agradáveis??

A tarefa e a responsabilidade por diante é muita, mas quando menos é uma rotura numa situação de bloqueio impossível de suster.

Pois a cousa está em fazer uma Diglossia académica o melhor possível. Nisso tou certo o Professor pode Contribuir. Na edição, escolarização, apertura de mercados, materiais didáticos campanhas... há tanta tarefa que espanta.

Para além Diglossia é normal...

http://br.youtube.com/watch?v=GBLQiCRR2CM



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Ernesto Vázquez Souza
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MensagemEnviado: Terça Out 07, 2008 1:29 pm
Mensagens: 1378Registado: Sexta Set 19, 2008 8:02 pm
Ernesto,

«Diglossia é normal...», escreves. Tem cautela. Isso parece entrar no tipo de afirmações hiper-relativizantes como a de «as línguas não existem, só dialectos».

É, decerto, um paradoxo estimulante, este. Mas, como diz o meu patrão, Joep Leersen (aliás, autoridade mundial em imagologia nacionalista), os próprios linguistas que dizem que «só existem dialectos» tratam os seus materiais umas vezes de maneira contrastiva (o que resulta em «línguas»), outras inclusiva (o que identifica «dialectos).

Não, a diglossia como a que vós, académicos, e alguns não académicos estão apostados em introduzir na Galiza, ela é tudo menos normal. Pretende institucionalizar um falar «chique» e um falar «caseiro». Não dos dum tipo que historicamente se desenvolvem (como é o habitual), mas dos de tipo programado. Sim, esse falar «chique» - essa «língua portuguesa» do nome da vossa academia - seria, para os galegos, pelo menos os das primeiras próximas gerações, um falar programado.

Ora, pode programar-se uma língua (como aconteceu em Israel), mas <b>não se pode programar uma diglossia</b>. E, se sim, hão-de dizer-me como.

Fico sinceramente curioso.


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MensagemEnviado: Terça Out 07, 2008 1:31 pm
Mensagens: 1378Registado: Sexta Set 19, 2008 8:02 pm
Corrijo: Joep <b>Leerssen</b>. Há estudos dele na net.


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