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MensagemEnviado: Segunda Jan 12, 2009 3:43 pm
Mensagens: 1120Registado: Segunda Jan 14, 2008 9:18 pm
O exemplo mais perigoso para España ou para quem não sente necessidade de ser espanhol?


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MensagemEnviado: Segunda Jan 12, 2009 3:59 pm
Avatar do UtilizadorMensagens: 206Registado: Sábado Mar 31, 2007 3:35 pm
É que essa "necessidade de não se sentir español" é impossível. Não se pode não ser cidadão español (e, portanto, español).

Eu falo em termos de projetos políticos gerais. "España" é um projeto (cívico, repito). Se uma parte dela ("Galicia"), a olhar para Portugal, repete a independência, é "España" própria que se volta a independizar (o braço da estrela de mar que recria um corpo). Por isso para España é imperativo continuar a sujeitar a "lingua propia" de "Galicia" como lengua propia de España, que é o que a expressão "otras lenguas españolas" significa. Dentro de España, a independência só se pode ir construindo desde a máxima estrangeirice. É a Galiza que é estrangeira dentro de España, não os cidadãos españóis que são (somos) estrangeiros dentro da Galiza.


Editado por última vez por Celso em Segunda Jan 12, 2009 4:04 pm, num total de 1 vez.

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MensagemEnviado: Segunda Jan 12, 2009 4:03 pm
Mensagens: 9Localizaçom: A CrunhaRegistado: Terça Set 23, 2008 11:13 am
Ahám, agora compreendo. Não sei quem é o autor que faz essa diferença entre "nacionalismo" e "nacionismo". Acho que o mais semelhante escutei ao que dizes foi um argumento de Beiras, penso que numa conferência em Ourense, em que explicava a sua negação a denominar "nacionalismo" ao projecto político espanhol; dizia também -algo que me surpreendeu escutar na altura vindo de quem vinha- que enquanto uma nação conseguir a independência é imperativo abandonar o nacionalismo já que, de o manter, derivaria inevitavelmente em chauvinismo.
Eu também concordo em que é necessário, muito necessário no caso galego, dar essa viragem discursiva que comentas do étnico ao cívico. Digo isto, isso sim, sabendo que sempre vai haver base étnica em todo nacionalismo, por mui forte que for no discurso a carga cívica (a começar polo facto de este sempre teres que operar sobre uma base territorial à que aplicar o cívico). Estes dias ando a reler o "Anteproyeito de Estatuto de Galiza de 1931" e não deixo de alucinar com o Art. 6º c: Serán Galegos os que non sendo originariamente galegos, gañen viciñanza en calquera lugar da Galiza. Pois isso, que estarrece comprovar a muito mais avançados que estavam a respeito do nacionalismo atual.

Saúde!


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MensagemEnviado: Segunda Jan 12, 2009 4:17 pm
Avatar do UtilizadorMensagens: 2661Registado: Sexta Mar 30, 2007 10:58 am
Pois é, Celso, a solução dada pela Transição é mesmo isso... de feito o problema de organização do Estado e portanto do seu nome está ainda por se resolver.

E é um tema que explica a supervivência da Monarquia como barreira a um tema complicado.

Os debates são de velho, arrastam-se desde as constituintes de 1871... que pariram (ainda as propostas de divisão em estados de Salmerón e Chao) uma República Federal... no papel, que depois não terminava de se articular e que terminou naquela questão cantonalista que foi duramente reprimida pelos mesmos republicanos e empregada como escusa pelos centralistas para apoiar as facções monárquicas e o Canovismo que prepararam o golpe de Estado de Pavia em 1874.

Mas é por isso que os republicanos federais (de esquerda) propunham tradicionalmente para Espanha a Solução de: Federação de Repúblicas Espanholas (alguns ainda ibéricas engadindo Portugal).

De feito tanto em 14 de Abril de 1931 como em Outubro de 1934, os catalães proclamam uniteralmente o Estado (Federal) Catalão dentro da República federal Espanhola.

Os galegos, reunidos em Assembleia o 4 de junho de 1931 na Crunha, presidida por Antón Alonso Ribas, a um tempo que fixavam as candidaturas da ORGA o que proclamam -penso- é também a República Galega dentro do Estado federal Espanhol (por tanto uma Confederação).

E nisto a emigração tem a sua cousa: organiçados no exterior por parroquias, comarcas ou federações diversas (que logo deram nos Centros galegos entendidos como Grandes federações de Centros), a maior parte dos Galegos emigrados reconhecem as Repúblicas Unitaristas (Cuba, Argentina, Uruguai) como modelo mas alguns emigrados a Estados Unidos ou Brasil identificam-se com os Modelos de Estados Federais dentro de uma União, porém os emigrados na Suiça e Alemanha entendem perfeitamente as vantagens para Espanha do modelo cantonalista...

Pierre Vilar ainda recolhe nas suas memórias que a melhor proposta para Espanha teria sido uma Federação de Repúblicas (Socialistas) Ibéricas...

E que tem o seu aquele escolher um nome ou outro...



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Ernesto Vázquez Souza
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MensagemEnviado: Segunda Jan 12, 2009 4:27 pm
Mensagens: 1120Registado: Segunda Jan 14, 2008 9:18 pm
Penso que entendi. Estou de acordo.
Também no de dar 'essa viragem discursiva que comentas do étnico ao cívico'.

Creio que li no último Novas da GZ um interessante artigo sobre o caso catalão e a normalização social da ideia da independência.
A frase que usei, também a emprego para socializar isso mesmo: não sinto nenhuma necessidade de ser espanhol.

Quanto ao que apontas sobre o Estatuto do 31, ANGR, a verdade é que não o tenho diante mas acho que é simplesmente coincidente com o texto do Código Civil (espanhol) de 1889 ainda vigente, artigo 14; relativo à vizinhança civil. Isto é, à nacionalidade intra-estatal.
Mais revolucionária parece-me a possibilidade de se aderirem os concelhos limítrofes à CAG se assim o decidirem (creio que aparecia nas disposições adicionais). Algo que, corrijam-me, não a recolhia nenhuma das propostas de Estatuto dos três partidos com representação.


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MensagemEnviado: Segunda Jan 12, 2009 5:12 pm
Mensagens: 9Localizaçom: A CrunhaRegistado: Terça Set 23, 2008 11:13 am
serna, obrigado pola referência à semelhança com o Código Civil de 1889, que não conhecia. A mim o que me impressiona é que um elemento paradigmática da vertente cívica do nacionalismo, como é o de vizinhança estivera presente no Estatuto do 31. Compare-se, por exemplo, com a proposta que fizera a "fundación iniciativas 21" próxima ao PSdeG em 2004:

7. Teñen a condición política de galegos aquelas
persoas que, residindo no territorio da Comunidade Autónoma
de Galicia, poden exercer o dereito de sufraxio activo nas
eleccións locais ou ao Parlamento de Galicia. Os cidadáns
españois residentes no estranxeiro que tivesen a súa última
veciñanza administrativa en Galicia terán a condición política
de galegos. Gozarán tamén destes dereitos os seus
descendentes inscritos como españois nos termos que fixe
unha lei do Estado. A Xunta de Galicia, a proposta do
Parlamento, poderá recoñecer a aqueles cidadáns non-galegos
que se tivesen significado na defensa do pobo galego e na
difusión dos seus sinais de identidade a condición política
honorífica de galegos.

A referência que fazes à possibilidade de anexação dos territórios limítrofes está no "Tíduo I", art. 5º. De todas maneiras, na minha opinião, involucionou-se muito no debate (debate?) sobre este tema na Galiza. Hoje está muito embrutecido (lembrai a polémica que se armara com a iniciativa de Nós-UP, que não deixa de ser um partido muito minoritário. Porém, só foi preciso que a algum se lhe ocorrera falar do tema para que se prendera a luz vermelha em todos os media espanhóis a operar na Galiza) e se um partido político quiser apresentar uma proposta assim, deve antes ter lugar um debate público que clarifique os posicionamentos. Desde logo estamos a anos luz desse ponto (acho). Mas tampouco há que ser pessimistas; na realidade a TVG deveria promover o debate -não só o da territorialidade- na Galiza, e quiçá algum dia o faça.


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