Visita educativa a Cabo Verde

Sábado, 14 Novembro 2009 00:00

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Por José Paz Rodrigues (*)

Por convite de uma associaçom de professores, de 5 a 11 do mês de outubro, viajei a Cabo Verde, arquipélago formado por 10 ilhas, situado a quinhentos quilómetros da costa do Senegal. De língua oficial galego-portuguesa, nom tive nem o mais mínimo problema para fazer-me entender, falando no meu galego. Tampouco para perceber o cem por cento do que me falavam pessoas com as que estive. A maioria delas estudantes e professores de todos os níveis do ensino. Mais uma vez, e em primeira pessoa, o mesmo que me acontecera no seu dia na Goa indiana, comprovei a imbecilidade que é dizer que galego e português som idiomas diferentes. E o absurdo que no seu dia, em 1983, foi estabelecer uma norma ortográfica para o galego que nos afasta da lusofonia.

Já no primeiro dia estive com o primeiro-ministro José Mª Pereira Neves. Na inauguraçom do ano escolar e duma escola secundária, muito bem dotada, na localidade de Picos, concelho de S. Salvador do Mundo e ilha de Santiago. Dei-lhe no final os meus parabéns polo seu estupendo discurso, em que defendeu a educaçom e a juventude, como algo prioritário para o seu governo.

Outro dia visitei na capital cabo-verdiana de Praia, o Secretário de Estado da Educaçom Dr. Octávio Tavares. Que se mostrou muito interessado para estabelecer convénios educativos com o Governo da Galiza. E que espero possam concretizar-se no futuro. Dando ademais apoio à formaçom de professores em exercício e enviando a estudantes de magistério a fazer as suas práticas àquele país africano. Estava acompanhado pola assessora pedagógica do Ministério Mª dos Reis Monteiro Gomes.

Na localidade de Assomada, do concelho de Santa Catarina, onde estive mais tempo e residim, pronunciei duas palestras sobre o Perfil do professor do século XXI, e a sua formaçom inicial e permanente. Nas mesmas estavam representados docentes das 38 escolas primárias e secundárias da zona do interior da ilha de Santiago, em que se situa a capital do país. Visitei o presidente da Câmara Municipal da localidade, Francisco Fernandes Tavares, que se mostrou muito interessado pola situaçom dos emigrantes do seu país na localidade galega de Burela, com alguns de cujos familiares estive nas localidades de Porto Mosquito e Porto Rincom.

Visitei várias escolas primárias e secundárias, comprovando que estám muito bem dotadas de computadores portáteis, mas que, na maioria dos casos, têm um grande e grave problema de falta de água potável. Polo que me comprometim com o presidente da associaçom de professores (APROSPI), e director da residência estudantil de Santa Catarina, Lúcio Cabral Mendes, a fazer na Galiza uma magna campanha solidária, com o fim de arrecadar fundos para que possam adquirir um camiom-cisterna, para levar água potável a mais de 40 escolas da zona. Estive também com a professora Aleida Patrícia Monteiro Furtado, directora do Instituto Pedagógico-Escola de Formaçom de Professores de Ensino Básico de Assomada, espécie de Escola Normal. Mostrou-se muito interessada para receber alá titulados/as em magistério, especialmente de educaçom infantil, para orientar os docentes em exercício e ajudá-los no seu labor. Algo que tenho que propor à minha Faculdade de Educaçom no futuro.

Comprovei “in situ” que Cabo Verde é um país de muitos contrastes. Ao lado de paisagens incríveis, que eu nunca vira, por ser um território vulcânico, e de visitar um formoso parque natural na serra Malagueta, e a única praia de areia branca da ilha, em Tarrafal, onde me banhei em águas atlânticas muito quentes (mais de 25 graus), encontrei também muitas necessidades. A maioria vitais, como a muita falta de água para regar o muito milho que cultivam e para o consumo humano. E a falta de muitos recursos escolares (livros, cadernos, lápis...) e, também, alimentares para as crianças, polo seu custo. Só visitei uma das ilhas, a mais povoada. Num próximo artigo contarei outros aspectos do que olhei e experimentei. E de que na Europa reclamamos por vício. Pois temos muitas cousas supérfluas, sendo uns privilegiados.

 

 


(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.