Alberte Momán: «A esquerda afincou-se nas ‘verdades práticas’ porque viu difícil mudar o sistema»

«Na realidade nunca podemos estar fora do sistema. É impossível nom fazer certas concessons»

Quarta, 09 Dezembro 2009 00:00

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Alberte Momán foi entrevistado no Novas da Galiza n.º 82

Rosa E. (*) - Alberte Momán chega, como sempre, com um sorriso amável e, pouco a pouco, afunda na questom política de A crise irredutible sem perder o ritmo, despregando argumentos como quem arranca as pétalas dumha flor. Incansável e certeiro, diria-se que tem essa estranha habilidade de dar no alvo sem cair nunca na auto-complacência.

P: Alberte, passas da poesia erótica à denúncia política e social. Consideras isto umha mudança de rumo na tua criaçom?

R: Nom. Eu nom o consideraria como umha mudança, nem sequer um processo pois as mesmas questons sociais e políticas que trato neste poemário aparecem na minha erótica ainda que nom de um modo tam explícito. Eu diria mais bem que se trata de umha evoluçom.

P: Desta evoluçom, sai A crise irredutible onde afirmas, entre outras cousas, que vivemos rodeados de «campos permanentemente em Primavera». Quais som esses campos?

R: Pois esses campos nom som outra cousa que as potencialidades que nós podemos desenvolver, as forças que existem por baixo deste neoliberalismo económico e que reagem na sua contra. Estou a referir-me à proliferaçom de centros sociais e diferentes organizaçons que sim procuram mudanças reais.

P: Existem no sistema «verdades práticas» e subjectividades. Que provoca este efeito?

R: O Estado, a política. A esquerda, por exemplo, quando tivo a oportunidade de governar, afincou-se nas «verdades práticas» porque viu que era complicado fazer umha mudança radical do sistema. Entom, adoptou a praxe para produzir transformaçons que, realmente, nom o eram. Apenas fôrom matizes sobre o que já existia.

P: Entom, como recuperar a «consciência perdida» e deixar esse «gosto por cair»?

R: Afazemo-nos ao gosto por cair e «ficamos nessa postura» quando assumimos que a mudança é imposível. Deixar de cair seria o positivo. Para isso precisaríamos de recuperar a memória histórica e, a partir de aí, reconstruirmos o país.

P: Realmente é possível viver «fora de todo lugar», nas margens do sistema? Se é possível, como se sobrevive?

R: Na realidade nunca podemos estar fora do sistema. É impossível nom fazer certas concessons dossificando, isso sim, a quantidade de «realidades práticas» que assumimos e renunciando a muitas outras. Nessa renúncia vivese afazendo-se a sofrer certas discriminaçons. Eu, por exemplo, como neofalante, igual que muitas outras pessoas no meu caso, padecim vejaçons tanto no campo público como privado por causa da língua.

P: Qual é entom «A perspectiva dende a porta» en A crise irredutible?

R: Pois a perspectiva é precisamente a de umha crise, mas nom apemas económica senom também social e política. Som necessárias mudanças de base pois os valores da esquerda perdem-se em favor do neoliberalismo e do conservadurismo actual. Aqui eu nom proponho soluçons, mas umha reflexom funda para ver até onde queremos chegar.

P: Afirmas que existem «outros mundos possíveis/neste nosso». Como podemos dar-lhes visibilidade?

R: Pois a visibilidade está, acho eu, no trabalho de base, é dizer, no contacto com a gente, criando também os nossos próprios espaços de difusom, porque nom podemos contar com os grandes meios.

P: Para concluirmos, tés palavras chave para estes termos…

Convénios de seda?
- A crise do metal
Cinzenta feromónica?
- Um país em construçom
Social-democracia?
- Eufemismo da dereita
Horizontalidade?
- Democracia
Imobilismo?
- Degradaçom

 


 

(*) Entrevista publicada originalmente no n.º 82 do Novas da Galiza.

 

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