O galego ou a caminhada do português para o castelhano

Crónicas das III Jornadas de Língua em Ourense (III)

Terça, 02 Fevereiro 2010 00:00

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João Aveledo e Vanessa Vila Verde

António Carvalho - No passado sábado, 30 de janeiro, as Jornadas de Língua em Ourense tiveram sessão dupla, com a apresentação do primeiro trabalho do Coletivo GLU GLU e a conferência do professor Eduardo Maragoto.

Em ambos os casos, o fio condutor estava virado para demonstrar como naqueles lugares em que, como na Galiza, o português está em contato com o espanhol, há uma caminhada contínua dos falantes da língua nativa para o castelhano. O documentário Entre Línguas e a análise geracional das competências linguísticas dos galegos foram as provas evidentes.

Coletivo GLU GLU: Entre Línguas

O biólogo e boticário João Aveledo, na altura professor de Processos de Diagnóstico Clínico, e a produtora informática Vanessa Vila Verde, apresentaram o coletivo GLU-GLU (Galego Língua Útil – Galego Língua Universal) , «umha marca aberta – conforme disseram - a qualquer colaboração para realizar obras audiovisuais sobre a língua da Galiza com uma perspectiva reintegracionista». O primeiro trabalho deste projeto é o documentário Entre Línguas.

Entre Línguas. 2010. mostra como ao longo da raia com Portugal existem cinco territórios que, por diversas circunstâncias históricas, decorrentes de feitos políticos, ficaram do lado espanhol da fronteira. Isto provocou que, nas províncias de Samora, Salamanca, Cáceres e Badajoz, certas vilas, e até concelhos inteiros, conservassem uns dialetos que, apesar da falta de contato com o resto de falares galegoportugueses, conservem um enorme parecido com estes e em particular com o galego falado atualmente na Galiza.

Pelas explicações dadas polo João e a Vanessa, a conclusão é que o contato destas falas com o espanhol estará sem dúvida por detrás deste fenómeno, ou o que é o mesmo, «lá onde o português está em contato com o espanhol e esta última é a língua dominante, resulta o galego». E aos poucos a língua nativa desaparece absorvida pelo espanhol.

O auditório, que voltou a ser muito numeroso, assistiu à projeção com muito interesse e protagonizou um rico debate com as duas pessoas representantes do coletivo Glu Glu. E ainda mais, do coletivo anunciaram que têm em mente visitar proximamente as terras de fronteira do Uruguai com o Brasil para verificarem se o processo de contato oferece os mesmos resultados.

 

João Aveledo e Vanessa Vila Verde apresentaram o Coletivo GLU GLU

Ouvir o áudio


 

Ver o início de Entre Línguas

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A caminhada para o castelhano

Na segunda das sessões da jornada do sábado, a exposiçom do filólogo Eduardo Maragoto, com a utlização de textos reais, demonstrou claramente como os processos de castelhanizaçom lingüística acabam por distinguir a língua oral das diferentes geraçons na Galiza, participadoras de um contínuo lingüístico que evolui em direcçom ao castelhano.

O professor Maragoto afirmou que, se calhar, estes processos já som irreversíveis, pois o galego mais genuino é na realidade nos dias de hoje um galego marginal e mesmo residual do ponto de vista da fonética, do sotaque...

Ora bem, foi o auditório que apontou, fruto das diversas questões que o professor foi colocando, a possível solução: o conhecimento do galego de muitas das pessoas presentes era devido a que assistiam a aulas de português ou, simplesmente, conheciam português.

 

Eduardo Maragoto

Ouvir o áudio

 

 

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