Visita à Escola Nova de Odenwald
Quarta, 21 Julho 2010 06:52
Por José Paz Rodrigues (*)
Tinha eu um grande desejo por conhecer, desde há tempo, em vivo e em directo, a escola nova da localidade alemá de Odenwald. Esta escola fora criada polo grande pedagogo germano Paul Geheeb e a sua esposa Edith Cassirer no dia 14 de abril de 1910. Polo que este ano se cumpre o seu centenário.
A importância desta escola, que com grande esplendor ainda funciona hoje, radica em que, dentro do movimento das escolas novas europeias, foi uma das poucas que cumpria na sua íntegra os trinta princípios educativo-didácticos do movimento pedagógico, que tinha o seu gabinete central em Genebra. Acompanhado do estudante da escola de Tagore em Santiniketon, Toton Kundu, no domingo dia 27 chegamos desde Madrid ao aeroporto de Frankfurt por volta das 3 da tarde. Uma simpática rapariga alemá, que falava bastante bem o castelhano, chamada Savine, ajudou-nos a tirar os bilhetes do comboio da máquina automática do aeroporto. Num estupendo trem, primeiro fomos à estaçom imensa da cidade e logo noutro muito bom e rápido, com o que enlaçamos, chegamos à cidade de Heppenheim, depois duns 75 minutos de viagem por lindas terras cheias de fragas e prados. Que me lembraram a mim as nossas terras galegas muito similares.
Às 5 da tarde estávamos na estaçom desta localidade, com tanta sorte, que em quanto saímos da mesma encontramos ao lado um excelente restaurante-hotel indiano, com o nome de Indian Palace. Nom o duvidamos e decidimos pernoitar no mesmo. A sorte continuou, pois à sua fronte, na paragem de táxis, um taxista germano sabia bastante castelhano, por ter tido uma antiga noiva barcelonesa, e levou-nos por um módico preço, até a Odenwaldschule, situada a uns oito quilómetros. Logo, depois de umas três horas, voltou à nossa procura. Eu estava realmente maravilhado pola paisagem do percurso. Entre rios, montes cheios de verdor e numerosas pradarias, flores, árvores de fruto de todo tipo e lindas casas rurais.
Toton, meu estudante, de credo hindu, estava também surpreendido (era a primeira vez que via em directo uma maceira e uma cerdeira, cheias de maças e cereijas). Ambos levamos uma alegria quando uma estudante da escola, por um acaso, se dirigiu a nós em castelhano. Irene, nome grego que significa Paz, que assim se chamava, foi para nós uma bênçom, que nom imaginávamos. Durante toda a tarde e até a nossa volta ao hotel, foi para nós uma magnífica guia. Alegre, simpática, agradável, com os seus catorze anos, foi-nos mostrando as numerosas casas (as antigas e históricas e as novas, os bosques, os jardins, as florestas, as sendas…).
Natural de Torrelodones-Madrid, de pais canários, demonstrou uma grande bondade e inteligência, com domínio de três idiomas, o castelhano, o inglês e o alemám. O destino hinduísta tinha-nos reservada esta surpresa, a de ser uma pessoa, com o nome de Paz, a primeira em receber-nos em Odenwald. Pois nom devemos esquecer que a escola de Tagore, grande amigo de Geheeb, leva o nome de Morada da Paz. Irene foi ademais a que nos pujo em contacto com a actual directora, que sabe um pouco de castelhano também, Margarita Kauffman. Com quem combinamos às onze horas do dia seguinte, segunda-feira 28. Um pouco antes estávamos já para fazer a visita às dependências da escola, agora já com estudantes e com actividades.
Polo seu domínio do idioma castelhano, a directora citada, mandou que nos serviram de guia todo o dia dous estudantes de Guatemala, Alessa e Leo, irmaos de 16 e 12 anos respectivamente. Uma a uma foram ensinando-nos as diferentes classes, os obradoiros artísticos, o ginásio, as residências familiares dos alunos, a primeira casa da fundaçom da escola, dedicada ao escritor Goethe, que hoje acolhe a biblioteca, e as outras casas dedicadas a Pestalozzi, Herder, Humboldt, Fitche, Schiller, Platom e ao próprio Geheeb. Fomos convidados a jantar e cear, juntamente com todos os estudantes na sua magnífica cantina.
O director do arquivo, Alexander Priebe, permitiu-nos reproduzir fotos antigas e fotocopiar antigos livros sobre esta histórica e modelar escola nova. Mas, ficava ainda uma grande surpresa, pois fomos convidados a última hora a cear com o grupo de estudantes de castelhano, acompanhados da sua professora. A minha surpresa foi maiúscula quando comprovei que esta mestra, que leva 35 anos de docente nesta escola, de nome Raquel Villarino, é natural de Ginzo de Límia. Com ela fiquei de estar, no seu período de férias, em meados do presente mês de julho, na localidade limiana. Também me comprometim a mim mesmo para voltar a Odenwald, ficando ali um mínimo de uma semana em meses próximos. Igualmente para escrever uma monografia e artigos sobre esta escola. E visitar também a escola próxima de Waldorf, perto da formosa cidade de Heidelberg, que também visitamos e sobre a qual escreverei de imediato outro artigo para o nosso diário.
(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.


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