A pequena Cornualha procura o reconhecimento como povo e a autonomia política

O principal partido nacionalista mostra-se confiado em avançar nas próximas eleições locais · Mais da metade da populaçom reclama umha assembleia autónoma como as de Gales ou Escócia · Um grupo de córnicos querem levar o Reino Unido aos tribunais europeus por nom ter reconhecido a existência do seu povo

Quarta, 17 Dezembro 2008 00:00

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A Cornualha (em amarelo no mapa) ocupa o extremo sul-ocidental da Gram-Bretanha

Nationalia.cat - É possível umha quarta assembleia autónoma no Reino Unido, que se venha a somar às da Escócia, Gales e Irlanda do Norte? Na Cornualha, umha das naçons sem Estado mais pequenas da Europa (3.563 quilómetros quadrados e 526.000 habitantes), pensam que sim.

Os córnicos, entretanto tentam recuperar a antiga língua céltica do país para a modernidade, reivindicam a sua especificidade e reclamam que Londres os reconheça como umha home nation mais. Por enquanto, o Reino Unido nom quer falar disso. Mas no pequeno país, que dizem que foi a pátria do rei Artur, as coisas mexem-se para o conseguir.

Do ponto de vista administrativo, a Cornualha pertence à regiom inglesa do Sudoeste, umha das nove em que está dividida a Inglaterra. As assembleias das regiões nom som eleitas por votaçom directa (como passa no Estado espanhol com as províncias, por exemplo) e está previsto que em 2010 sejam substituídas por duas novas estruturas paralelas (os foros e as agências). Aproveitando este momento, várias vozes tenhem-se posicionado a favor de que a Cornualha seja separada da regiom do Sudoeste e seja dotada de umha assembleia autónoma, directamente eleita pola cidadania, seguindo o modelo da Escócia e do Gales. Umha reivindicaçom que, segundo umha sondagem de 2003, tem o apoio de 55% da cidadania da Cornualha.

O partido que encabeça a reivindicaçom por umha assembleia córnica é o Mebyon Kernow (MK; em córnico, 'Filhos da Cornualha'), que hai umhas semanas realizou a sua conferência anual. O seu líder, Dick Cole, voltou a levantar umha questom que a sua formaçom já faz anos que defende: umha assembleia autónoma que dê resposta às necessidades do povo córnico. Nesta ocasiom, no entanto, Cole subiu o tom contra os grandes partidos estatais (conservadores, trabalhistas e liberaldemocratas) e chamou os seus seguidores a "derrotá-los" nas próximas eleiçons locais, marcadas para meados de 2009: "Temos que pôr os nacionalistas córnicos no coraçom do governo local na Cornualha", dixo.

Dick Cole, de facto, aposta pola estratégia de mostrar o Mebyon Kernow ante o eleitorado como a única alternativa ao que ele denomina "políticos medíocres nos quais nom se pode confiar para defender os interesses córnicos". O partido nacionalista está a desenvolver umha estratégia que consiste nom tanto em chamar a atençom sobre a dimensom cultural e linguística de Cornualla, como nos seus interesses económicos e sociais. Assim, por exemplo, o MK leva a cabo campanhas contra o crescimento urbanístico incontrolado e a favor da manutençom dos lugares de trabalho associados aos correios britânicos, que actualmente estám em risco.

Que expectativas de triunfo tem o Mebyon Kernow? No partido estám convencidos que as eleiçons do ano próximo ham-lhes de reportar um avanço importante. Um dado avaliza esta esperança: no ano 2005, nas eleiçons gerais do Reino Unido, o MK conseguiu 3.200 votos na Cornualha. Dois anos depois, nas locais, o apoio subiu para os 10.000 sufrágios (apesar de que, neste caso, os eleitores poderiam eleger dous candidatos em cada círculo, mesmo que fossem de partidos diferentes). O MK conta agora com recolher os votos dos descontentos com os liberaldemocratas e os trabalhistas. Aos primeiros, acusa-os de destruirem o governo local na Cornualla; aos segundos, de nom investirem suficiente dinheiro.

 

 
Uns meninos celebram o dia de Sam Piran agasalhados com bandeiras córnicas


A luta polo reconhecimento como povo

Os nacionalistas sabem que, agora mesmo, a obtençom de umha assembleia autónoma é difícil. Um passo prévio, no entanto, poderia ser que o Reino Unido reconhecesse que os córnicos som um povo diferenciado dos ingleses. O Conselho da Europa, no ano passado, recomendou ao Reino Unido que "estude" declarar os córnicos como "grupo racial", cousa que Londres já fijo com irlandeses, galeses, escoceses, gitanos ou sikhs. Para as autoridades européias, umha declaraçom deste tipo permitiria aos córnicos "beneficiar" das vantagens previstas pola Convençom-Quadro para a Protecçom das Minorias Nacionais, da qual o Reino Unido é aderente.

Mas como, por enquanto, Londres nom fijo caso da recomendaçom européia, os córnicos passaram à acçom. No passado mês de Maio foi criado o Fundo Córnico de Luta, com o objectivo de angariar dinheiro para denunciar o Reino Unido ante dos tribunais europeus. A princípios de Dezembro, o Fundo tinha recolhido mais de 36.000 libras esterlinas, que serám destinadas aos custos do processo judicial. Os impulsores do Fundo querem forçar Londres a reconhecer a existência do povo córnico, coisa que, segundo a sua opiniom, abrirá a porta à introduçom do ensino da história e a língua da Cornualla nas escolas do pequeno país. Tudo isso, para pôr ponto final à "asimilación forçada" e ao "etnocídio" do povo córnico.

A revitalizaçom de umha língua

O idioma é, justamente, um dos elementos simbólicos mais importantes na revitalizaçom da identidade córnica. A antiga língua céltica, que foi falada no país até ao século XVIII, começou a ressuscitar a princípios do XX, quando um grupo de entusiastas córnicos começaram a planificar a recuperaçom. É agora, no entanto, que som apanhados os frutos. Hai várias centenas de pessoas que dominam o idioma e mesmo alguns pais e maes começárom a falar em córnico aos filhos. Do ponto de vista legal, o Reino Unido reconhece o córnico como língua regional desde 2003, e prevê algumas medidas de protecçom e promoçom para o idioma que, conquanto ainda som insuficientes se comparadas com o estatus da vizinha língua galesa, sim que permitem manter um moderado optimismo para o futuro do córnico.

 



Um cartaz bilingüe em inglês e em córnico dá as boas-vindas à Cornualha
 

 

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