A nossa língua é um plus no exterior

Quarta, 20 Maio 2009 00:00

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Por José Paz Rodríguez (*)

O outro dia num jornal galego, o socialista corunhês David Balsa, com grande lucidez, falava extensamente sobre o valor e importância do nosso idioma. Entre as suas palavras figurava o titular do nosso artigo de hoje:"a nossa língua é um plus no exterior". Igual que como nos passou a muitos, chegou a este convencimento depois de viajar polo mundo e estar um tempo em instituições europeias. Infelizmente som ainda poucos os galegos e galegas conscientes de que, dentro do Estado Espanhol, a nossa comunidade autónoma é potencialmente a melhor de todo o território no que se refere à riqueza idiomática. Os catalães, por exemplo, os mais pragmáticos e mais avançados de todos, têm à Galiza uma sã inveja. Porque conta com dous idiomas que na actualidade estám entre os quatro mais importantes do planeta: o castelhano e o galego-português. Com uma política linguística racional e um modelo educativo diferente ao desenvolvido até o de agora, sem perder o tempo que perdemos, a Nossa Terra seria no tema dos idiomas um modelo a imitar. Com palavras e frases diferentes, mas com o mesmo sentido, Castelão e Balsa coincidem. O de Rianjo assinalava no seu Sempre em Galiza que os galegos tínhamos a chave para entrar no mundo da lusofonia e que essa chave era o idioma galego. Em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Timor Leste e mesmo a Goa indiana. Pola sua parte o corunhês vem de dizer que nom devemos desaproveitar isto. Pois com ele podemos comunicar-nos sem problema algum com todos os cidadãos dos países acima citados da América, Europa, África, Ásia e Oceânia. Que têm a nossa língua como oficial. E que também é oficial nos organismos internacionais como a ONU, OUA, OEA, UE e Unesco. Sobre o mesmo tema, e com idêntica opiniom, falaram outros dos nossos pró-homens: Biqueira, Vilar Ponte, Dieste, Guerra da Cal, Carvalho Calero, Otero Pedraio, Bouça-Brei, Rodrigues Lapa, Ben-Cho-Shey, Blanco Torres e Vicente Risco. Em 1921, na extraordinária revista Nós, Risco escrevia: "o ideal seria que o ensino se desse em língua galega" e "o galego na sua forma portuguesa (galego e português som dous dialectos de uma mesma língua) é uma das mais estendidas polo mundo, mais ainda que o castelhano. Ela abre-nos todos os países de fala portuguesa. Tontos seríamos se perdêssemos uma destas potentes armas de luita pola vida e de formaçom de cultura. O galego pode, com eles, abranger duas civilizações". Naturalmente, refere-se o ourensano às duas línguas da Galiza, o castelhano e o galego-português.

Utilizando as palavras do grande galeguista Risco, em 1982 na Galiza iniciamos o processo de "ser tontos". Com a promulgaçom dum decreto normativo antinatura, antes de ter uma lei. Caso único e inédito no mundo, pois os decretos vêm logo das leis, nom antes. Decreto que nos separou de todo o mencionado anteriormente, com persecuções sem conto para os discrepantes. Com uma lei que é urgente derrogar, que só nos levou ao que temos hoje: a perda constante de falantes, o uso da mesma de forma ritual, a politizaçom de tema tam importante por parte de tírios e troianos, ainda hoje, e um equivocado modelo educativo para a difusom da mesma. O novo gestor da política linguística, Ângelo Lorenzo, da nossa universidade, teria um grande acerto se derroga toda a legislaçom anterior tam errada e elabora uma nova. Metendo a Galiza, com a norma do acordo ortográfico já em vigor, dentro do mundo da lusofonia a que pertence. O repto é extraordinariamente importante e o momento idóneo. Muitos dos que levamos no coraçom este velho idioma e nom estamos em contra de outros, lho agradeceríamos por toda a vida.

(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.

OS DOUS MODELOS ORTOGRÁFICOS DO IDIOMA GALEGO (TABELA COMPARATIVA):

A.-Modelo FONETICISTA-ISOLACIONISTA-CASTELHANISTA-CASTRAPISTA-ESPANHOLISTA

B.-Modelo ETIMOLÓGICO-LUSISTA-UNIVERSALISTA-LUSÓFONO-INTERNACIONAL (acorde com a ROMANÍSTICA)

1

Nome do país : GALICIA

Nome do país : GALIZA

2

Ñ castelhano (Ex.: España)

Nh (Ex.: Espanha)

3

ll (Ex.: palla)

lh (Ex.: palha)

4

X (Exs.: xadrez, Xosé, xente)

X, j, g (Exs.: xadrez, José, gente)

5

Z (Ex.: pazo, corazón)

Ç cedilhado (Ex.: paço, coraçom)

6

S (Ex.: nosa, pasar)

Ss, s duplo (Ex.: nossa, passar)

7

Acento à castelhana

Acento à galego-portuguesa (agudo, grave e circunflexo)

8

N, em final de palavra (Ex.: mandan)

M, em final de palavra (Ex.: mandam)

9

Xeo (raíz grega que perde a etimologia) (Ex.: Xeografia, Xeoloxía )

Geo (raíz grega etimológica "terra") (Ex.: Geografia, Geologia)

10

Ó (contracçom) (Ex.: Vou ó río)

Ao (contracçom) (Ex.: Vou ao rio)

11

2ª forma do artigo (Ex.: Come-lo caldo)

Unha (artigo indeterminado)

Forma única do artigo (Ex.: Comer o caldo)

Umha e/ou uma (artigo indeterminado)

12

Pronome unido ao verbo (Ex.: voume)

Pronome + verbo com traço (Ex.: vou-me)

13

ión (final) (Ex.: canción)

ble (final) (Exs.: posible, contable)

ons (final plural) (Ex.: estacións)

Om e/ou ao com tilde (Exs. : cançom ou canção)

vel (final) (Exs.: possível, contável)

ões (final plural) (Ex.: estações)

14

Oficial só na Galiza (4 províncias)

Oficial em 8 países do mundo (Lusofonia) + ONU, OEA, OUA, UE e Unesco (Acordo ortográfico)

15

Representantes importantes : Constantino García (asturiano), Ramón Piñeiro, Filgueira Valverde, García Sabell, Sixto Seco, Casares, Monteagudo, González, Freixanes, Rosário Álvarez, J.R. Barreiro, Ramón Lorenzo, Méndez Ferrín, Alfredo Conde, Camilo Franco, Caneiro, António Piñeiro, G. Bodaño, Modesto Hermida, A. Costa, Luis A. Pousa, Alonso Montero, Ferro Ruibal, Camino Noia, Anxo Tarrío, etc.

Representantes importantes : Biqueira, Carvalho Calero, Guerra da Cal, Rodrigues Lapa, Menéndez Pidal, Castelao, Bouça-Brei, Risco, Dieste, Otero, Blanco Torres, Jenaro Marinhas, Diaz Pardo, Isaac Estraviz, Montero Santalha, Alexandre Banhos, Carlos Durao, Joel Gomes, Ángelo Brea, Joao Guisam, Pepe Posada, Camilo Nogueira, Carlos Quiroga, Elias Torres, J.M. Barbosa, Álvarez Cácamo, A. Gil Hernández, Jurjo Torres, J.L. Rodrigues, etc.

16

Entidades : Academia Galega, ILG, Centro "R. Piñeiro", A Mesa, NEG, ASPG, Escola Viva, Galaxia, Xerais, Ir Indo, Pen Clube galego, Asociación de escritores, Asociación de funcionarios para a normalización lingüística, etc.

Publicações : La Voz, A Nosa Terra, Grial, Tempos Novos, El Correo Gallego, Galicia Hoxe, Xornal Galego, El Progreso, El País (suplemento galego), DOG, Revista Galega do Ensino, etc.

Entidades : AGAL, IFGP, AAGP, ASPGP, APJEGP, AGLP, Fundaçom Meendinho, Renovaçao-Embaixada da Cultura e grupos de base (A Esmorga, Aguilhoar, A Gentalha do Pichel, Artábria, etc.)

Publicações : Novas da Galiza, A Aurora do Lima, Agália, PGL, Boletim da AGLP, La Región (algúns artigos de opiniom), Cadernos do Povo, Temas de O ensino, Nós, O ensino, todos os jornais e revistas dos 8 países lusófonos, O Correio da Unesco, Editora da AGAL, editoras dos 8 países lusófonos, etc.