Veu Própia defende fazer do catalão «uma necessidade»

É um coletivo que representa os «catalães de primeira geração»

Segunda, 03 Maio 2010 08:42

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O coletivo está integrado por pessoas recém chegadas à Catalunha

PGL Países Catalães - Num recente artigo, José Miguel Cuesta, do coletivo Veu Pròpia («Voz Própria»), defende fazer da língua catalã «uma necessidade» para lograr que o idioma «recupere âmbitos sociais nos quais está numa manifesta inferioridade».

Cuesta assinala que esta reivindicação pode «parecer óbvio», mas olhando para a realidade linguística dos Países Catalães, «a frase recobra todo o seu sentido e intenção». Este porta-voz de Veu Pròpia, coletivo formado por catalães de primeira geração e pessoas recém-chegadas ao país, lembra que atualmente não é necessário saber falar catalão para viver nos Países Catalães, mesmo quando a situação é bem diferente nos vários territórios de que se compõem.

Há lugares, como no Principado da Catalunha, no qual a língua «logrou ter um certo prestígio», se bem nem sempre se agiu com as políticas adequadas, e o idioma mesmo chegou a ser considerado por alguns setores como póprio apenas de pessoas de boa situação económica. Cuesta lembra a anedota que lhe aconteceu quando procurava uma habitação de aluguer e colocou o seu endereço vigente na nomenclatura em catalão, o qual provocou que «diversas pessoas me excluíssem de determinados bairros de oferta de habitações [...] por acreditarem que tinha um 'status superior' pelo simples fato de falar catalão [...]».

Cuesta compara a sua situação pessoal com a de seus avôs e pais, quem compreendem o catalão mas não o utilizam porque nem o dominam nem têm a necessidade. «Se tivessem emigrado à Alemanha em lugar de à Catalunha, seguramente teriam a necessidade de aprender e falar o alemão».

O porta-voz de Veu Pròpria culpa da situação ao «bilinguismo oficial imposto», que provoca que não exista a necessidade, situação reforçada pelas diversas leis, poderes económicos «e outros fatores». Destarte, há «numerosos âmbitos da vida diária» nos quais a presença do castelhano é mais forte do que a do catalão, em especial nos meios de comunicação e no ócio.

Para Cuesta, a situação pode tornar grave porque se pode chegar à perceção de que «a língua mais útil para viver nos Países Catalães não é o catalão, mas o castelhano», e conclui que isto, somado a casos como o recente de uma mulher multada por se dirigir à Guardia Civil espanhola em catalão, podem reforçar a crença.

O artigo finaliza lembrando um fato positivo, que é a existência de uma «vontade integradora» que faz com que uma pessoa recém-chegada à Catalunha e que fale catalão «possa vir a ser considerada, por setores importantes da população, automaticamente daqui». Contudo, acha que a situação ótima seria com a valorização do catalão como, por exemplo, o alemão na Alemanha, fazendo-o necessário.

 

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