África do Sul: perfil de um país 'diverso e unido'

Uma referência na construçom de paz, primeira economia africana e exemplo do multilingüismo oficial

Segunda, 14 Junho 2010 00:00

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Tribo ndebele na África do Sul (Flickr-United Nations Photo)

Nationalia.cat - A África do Sul está nestes dias na atualidade, da mão do desporto rei. O Mundial da África do Sul 2010 estreia-se no país mais meridional da África, a primeira vez que um acontecimento desportivo de primeira ordem aterra no continente. Para além do desporto, a competiçom permite aprofundar no conhecimento sobre um país do qual penduram nom poucas etiquetas.

'Unidade na diversidade'

Um tópico gastado que no caso da África do Sul vai para além, é o lema que reza no escudo de armas do país, onde aparece escrito numha língua da família khoisan: !ke e: /xarra //ke. A África do Sul é um país multilingüe e multiétnico; nada de novo, se temos em conta que estamos na África, o continente mais rico em línguas, com umas 1.500 línguas faladas e, ainda mais, o lugar do mundo com uma taxa de substituiçom linguística mais baixa. Dous estados africanos, a Nigéria e os Camarões, encontram-se entre os seis países com mais diversidade linguística do planeta.

A excepçom encontramo-la, isso sim, no campo da oficialidade. A África do Sul tem onze línguas oficiais, duas de origem europeu, o inglês e o africâner, e nove línguas bantus: zulu, xhosa, suázi, ndebele, soto do norte, soto, tsuana, venda e tsonga.

Destas, a mais falada no país é o zulu: cerca de 24% da populaçom têm-na como língua materna, segundo o censo oficial de 2001. Segue-a o xhosa, uma língua próxima ao zulu e que, como esta, é rica em cliques consonánticos. É a primeira língua de 18% da populaçom. Segue-a o africâner, o idioma derivado do neerlandês, falado polos colonizadores do país e que ainda hoje é a língua de 13% dos sul-africanos, maioritariamente brancos e mestizos. O inglês, o soto, o soto do norte e o tsuana têm todas entre um 7 e um 10% de falantes.

Gráfico com o uso das línguas oficiais
[Imagem: SouthAfrica.info]

Brancos, negros, mestiços... e índios

A demografía da África do Sul explica algumas chaves da história do país: os povos bantus tomaram a hegemonia nos povos khoisans, os primeiros povoadores do território, nos séculos IV e V. Hoje conformam a imensa maioria da populaçom negra, que corresponde a quatro quintas partes do total da populaçom. 9% da populaçom som brancos, descendentes diretos dos colonos que chegaram a partir do século XVII, provenientes dos Países Baixos, da França e da Grã-Bretanha. Aqueles de origem neerlandês, hoje considerados o povo africâner, som a maioria.

Outra categoria que aparece em todos os censos sul-africanos é a dos mestiços ou, utilizando o termo específico inglês, os coloured. Este é um termo utilizado especialmente nos Estados da África meridional, e refere àqueles cidadãos de origem sul-saariano, que ao longo dos anos se foram misturando com outros povos, especialmente europeus, asiáticos ou outros pontos do continente. Som 9% da populaçom.

Definidos os grupos brancos, negros e mestiços, nos mapas demográficos sul-africanos destaca ainda outra categoria: os índios, que, com 2'5% da populaçom, representam o principal contingente migratorio asiático do país. a sua chegada data de 1860, provenientes do nordeste da Índia, bem como também das zonas de fala tamil e telugu. Os índios chegaram principalmente para trabalhar nas plantações de açúcar, e hoje em dia som aproximadamente 1.100.000 pessoas.

Na imagem, distribuiçom territorial das principais línguas faladas na África do Sul
[Imagem: Wikipédia]


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Nota: Muitos sul-africanos brancos também falam outras línguas europeias, tais como português (falado também por angolanos e moçambicanos negros), cujo número no total atinge 1.000.000 de pessoas.