A pretendida reforma dos modelos linguísticos na Nabarra marítima

Cara a um único modelo linguístico no ensino dos territórios bascos de Araba, Bizkaia e Gipuzkoa

Terça, 07 Outubro 2008 23:59

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Língua navarrorum (www.puntubi.com)

Andoni Herrera - Na Nabarra marítima, termo popularizado pelo historiador Tomas Urzainki para se referir aos territórios arrebatados ao Reino da Nafarroa por volta do ano 1200, temos um novo tema de actualidade: a tentativa de reforma dos modelos linguísticos.

Sim, Nabarra marítima, ou ainda não está suficientemente claro que todos os bascos somos, politicamente falando, nabarros? Bom, mas não percamos o fio da questão. O caso é que nesta Nafarroa marítima, também conhecida como C.A.B. ou mesmo Euskadi, o sistema dos três modelos linguísticos precisa duma mudança urgente.

Hoje em dia o ensino nos territórios bascos de Araba, Bizkaia e Gipuzkoa está baseado em três modelos: A, língua veicular o espanhol e o éuscaro como matéria; B, éuscaro e espanhol em idêntica percentagem ; D, língua veicular o éuskaro e o espanhol como matéria. Pois bem, até o Governo basco soube de que o sistema não funciona e, portanto, não garante a consecução do seu fim último: alunos plenamente bilingues uma vez finalizado o ensino obrigatório.

A tal efeito, o Departamento de Educação do Governo basco, sob responsabilidade de Eusko Alkartasuna, está a preparar um projecto de lei que pretende substituir os três modelos por um só. A proposta consiste em estabelecer um mínimo de 60% das matérias não linguísticas em éuscaro e, a partir daí, seria o próprio centro de ensino o que decidisse em que língua impartir o resto das matérias.

Como era de esperar os partidos unionistas (PPSOE) puseram o berro no céu falando da nova 'imposição' nacionalista. Mas, o que não esperava o conselheiro Tontxu Campos é que as críticas viessem do mesmo Governo basco, concretamente do PNB, que não gosta em absoluto do invento. Julgam os 'jeltzales' atrevido demais o projecto e que não há que se precipitar. Bom, após 25 anos com um sistema claramente demonstrado ineficaz, acho eu que, não se pode falar em precipitação, mas sim em desleixo, incompetência e submissão ao império.

Agora EA tem que entrar num processo de negociações com o sócio maioritário do governo, o PNB, para tentar aprovar o seu projecto. E já quase não fica tempo, a presente legislatura está a findar e em Dezembro reúne-se por última vez a Assembleia legislativa.

De todos os jeitos e seja como for, o projecto está longe de ser tudo o esperançador que pudesse ser. Se bem é certo que elimina o vergonhoso modelo A, também cumpre manifestar que não garante em absoluto a aplicação de algo semelhante ao único modelo satisfatório, o D, já que deixa nas mãos do centro de turno a distribuição de 40% de matérias. Por não falar de que o projecto nada diz a respeito da necessária euskaldunização dos professores e das escolas de magistério. Também não se determinam medidas para impulsionar o emprego do éuscaro, introduzir a língua nas actividades extra-escolares, pessoal não docente bilingue etc.

Se verdadeiramente pensamos que o sistema de modelos deve ser superado, agora toca agir com responsabilidade e convicção. Em defensa da língua comum dos bascos, a língua navarrorum.