Eleitos de Bildu dão preferência à língua basca nas suas comunicações públicas

A Presidenta da Câmara municipal de Andoain e o Deputado Geral de Guipúscoa utilizam de forma exclusiva a língua basca nas suas entrevistas com a imprensa

Segunda, 04 Julho 2011 08:20

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Martin Garitano, deputado-geral de Guipúscoa, com o novelo que identifica o logótipo da plataforma Bildu

PGL - Conforme o direito recolhido na Constituição Espanhola e no Estatuto de Gernika para o País Basco a se poder exprimir cada indivíduo na Língua da sua preferência entre as duas oficiais na Comunidade Autónoma do País Basco, Ana Carrere, a Presidenta da Câmara municipal de Andoain, e Martin Garitano, Deputado Geral do Território Foral de Guipúscoa, fizeram uso exclusivo da língua basca nas suas comunicações com a imprensa.

A Presidenta da Câmara de Andoain comparecia há uns dias perante os meios de comunicação para expor um acordo com os grupos da oposição sobre a presença de escoltas armados nas dependências municipais, entanto que o Deputado Geral de Guipúscoa apresentava os membros do novo governo foral, empregando ambos só a língua basca nas suas comunicações.

O exercício deste direito constitucional reconhecido foi, porém, muito mal recebido por alguns meios de comunicação, tal como fez o jornal espanhol El País , que, no artigo dedicado à notícia sob o título "Bildu impone el euskera como única lengua en sus apariciones públicas" criticava alargadamente a ambos políticos que no uso das suas liberdades escolheram a língua basca para fazer as suas comunicações, aludindo equivocada e confusamente à legislação em vigor para procurar subverter o direito dos cidadãos a se exprimir na sua Língua de preferência, sugerindo uma pretensa obriga de se comunicarem no mínimo em castelhano pelo desconhecimento da língua própria do país por parte dalguns jornalistas assistentes. Curiosamente, em compensação, esses meios nunca criticaram anteriormente o absoluto desconhecimento do euscaro por parte do atual Lehendakari [presidente] da Comunidade Autónoma Basca, o socialista Pachi López, nem da Presidenta do Parlamento Basco, a popular Arantza Ortega.

Desta maneira, o direito a empregar uma língua oficial diferente do espanhol escolhida livremente, ficaria condicionado realmente à permissão ou tolerância tácita dos informadores ou interlocutores ocasionais, que imporiam de facto a obriga de se exprimirem sempre em espanhol a todas as pessoas que optarem por empregar uma língua diferente da castelhana.

Não é contudo a primeira vez que acontecem casos similares de discriminação linguística e de imposição efectiva do castelhano no Estado espanhol sob pretensos argumentos legais, como o que padeceu o treinador do Girona F.C., Raül Agné, ao querer exprimir-se em catalão numa entrevista depois de uma partida de futebol  ou a retificação e desculpas exigidas aos candidatos do Partido Popular valenciano por parte dos próprios militantes e assistentes ao meeting de apresentação de candidaturas, por falarem alguns deles em catalão, na sequencia de discriminação e marginação linguística contra todas as comunidades peninsulares de línguas diferentes da castelhana levada a termo por esse partido político.

Assim, o pretenso "direito a que LOS OTROS comuniquem com eles sempre na sua língua" [o castelhano] prevaleceria sobre o direito constitucional a se exprimir na Língua oficial de escolha de cada indivíduo.