Assembleia da Córsega aprova uma folha de rota para a revitalizaçom do corso

Independentistas proponhem pacto eleitoral aos nacionalistas autonomistas

Segunda, 15 Agosto 2011 10:17

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PGL - A grande maioria da Câmara da Córsega apoia o documento, que estará pronto no final de 2012, para a revitalizaçom da língua corsa. Os grupos nacionalistas estám satisfeitos, apesar de reconhecer que nom é o que eles gostariam. Nas jornadas internacionalistas de Corti, que alcançam seu 30 º aniversário, os independentistas de Corsica Libera oferecem um pacto eleitoral aos autonomistas de Femu a Corsica.

A assembleia da Colectividade Territorial de Córsega (CTC) aprovou, com uma grande maioria (36 votos a favor e 11 contra), o documento intitulado "U Foglia di lingua corsa strada", que propom que o corso seja idioma oficial da ilha e que goze de um estatuto co-oficial em todas as áreas. Agora, um grupo de funcionários eleitos tem que trabalhar sobre a viabilidade de uma proposta que levanta questons jurídicas e constitucionais (precisaria de reformas da Constituiçom francesa, ao que se opom a Academia Francesa) para apresentar o projeto definitivo no fim de 2012.

A folha de rota (2011-2014), apresentada polo conselheiro executivo encarregado da língua corsa Pierre Ghjonga, propom que o corso tenha uma presença muito mais forte em todas as esferas da vida na Córsega, especialmente na educaçom (onde mesmo é proposta a imersom lingüística), mas também em áreas como novas tecnologias, administraçom ou meios de comunicaçom. Uma lei semelhante já tentou passar em 2009, embora a maioria unionista que havia entom na câmara rejeitou a proposta. Agora, os bons resultados das forças nacionalistas conseguidos nas últimas eleiçons em 2010, permitírom a adopçom do documento.

Na apresentaçom do relatório ante a Assembleia, feita em língua corsa, Pierre Ghjonga sublinha que “o nosso escopo é o bilingüismo francês e corso que abre o caminho para outros mundos lingüísticos”, e por isso, continua, “[pede] com solenidade que avancemos sem qualquer temor por vias novas e ambiciosas para voltar a fazer da língua corsa a ligaçom social que era há cinqüenta anos”.

A folha de rota, em ediçom bilíngüe corso/francês, consta dumha breve introduçom, cinco secçons e quatro anexos. Na introduçom assinalam-se as duas prioridades: estruturar a açom e abrir perspetivas novas. Aquela concretiza-se na criaçom de três serviços (de Furmazione Linguistica, de Diffusione Linguistica e o Consigliu Linguistico) que elevárom o orçamento para a língua corsa em 2011 de um para dous milhons de euros. Entre as perspetivas novas aparecem em destaque o estatuto de oficialidade para a língua; as propostas de experimentaçom de novas modalidades de inserçom da língua no sistema de ensino, e uma parceria com o Estado e a Universidade de Córsega para a formaçom de ensinantes. De seguido, exponhem-se os cinco eixos de trabalho para os três próximos anos.

I - Avaliaçom das práticas e prospetivas:

Este ponto comporta medir a situaçom real das competências e as práticas, valorizar as conhecimentos sociolingüísticos e difundir as boas práticas, e lançar os trabalhos de reflexom para uma nova planificaçom no horizonte de 7 e 20 anos. Para todo o qual prevê-se um controle estrito dos resultados da planificaçom mediante inquéritos setoriais anuais e um inquérito trienal a partir de 2012, ano de lançamento dos trabalhos para umha nova planificaçom. Para a valorizaçom das boas práticas e os conhecimentos o relatório encoraja a adotar como meta umha aprendizagem completa que permita o intercâmbio em língua corsa entre crianças de futuras geraçons e nom reduzi-la a um simples “plus” para o desenvolvimento cultural dos alunos. A nova planificaçom, cujos trabalhos serám lançados em 2012 para ser adotados no começo de 2013, será estabelecida a meio (2020) e longo (2030) prazo.

II – Equipamento e normalizaçom da língua: o princípio da polinomia

Trata de fornecer os instrumentos jurídicos, científicos e materiais necessários para o desenvolvimento e difusom da língua. O primeiro desses instrumentos, segundo o autor do relatório aprovado pela Assembleia, é o estatuto de oficialidade territorial da língua corsa. Pierra Ghjonga conclui sua exposiçom deste ponto declarando que “[se apoia] no artigo 75-1 da Constituiçom, que dispom que «as línguas regionais pertencem ao património da França».

Isto deve-se traduzir em medidas concretas a favor do estatuto das línguas regionais, comportando o direito ao seu uso em todos os domínios, e nom permanecer no âmbito do símbolo inoperante.” Tamém prevê a criaçom dum ente administrativo coordenador, o Cunsigliu di a Lingua. Sobre a normalizaçom da língua, diz o relatório, “o comitê científico do Consigliu e os expertos associados conduzirám os trabalhos de síntese visando a dar as referências, conselhos e recomendaçons mais necessárias aos signatários da Carta da língua, ou mais geralmente a todos os atores da sociedade chamados a utilizar a língua corsa nas suas atividades, sempre respeitando o princípio da polinomia.” Acrescenta como exemplo destacado desse labor o estudo da factibilidade dum grande projeto de dicionário de referência dirigido polo Consigliu de a lingua. Continua com as pautas para a criaçom de recursos digitais, entre eles a disposiçom da extensom de nome de domínio .csc ou .corsica. O relatório propom a integraçom na rede européia NPDL (Network to Promote Linguistic Diversity) como membro de pleno direito.

III – Ensino e formaçom

O relatório diz que “neste domínio essencial para o futuro da língua, o Conselho executivo pretende adoptar iniciativas novas e definir objetivos ambiciosos” pois, “apesar da clara progressom do ensino bilíngüe”, parece que se alcançaram os limites do sistema, no que respeita aos recursos humanos, ao estatuto da língua e à difusom do sistema bilíngüe. Por isso propom novas iniciativas para a qualidade do ensino bilíngüe (que concernem à formaçom dos docentes, à imersom, o sistema “um mestre, uma língua” e o estatuto do ensino da língua corsa); o reforço da presença do corso na escola de primeira infância; a aplicaçom de úteis pedagógicos eficazes; o bilingüismo como preparaçom para o multilinguismo; a formaçom de adultos e sua certificaçom; e a integraçom da língua corsa em todos os processos formativos financiados pola CTC.

IV – Difusom da língua

O plano de desenvolvimento lingüístico para a língua corsa 2007-2013 propom a introduçom de ferramentas estruturais para promover o uso e a visibilidade do corso no espaço público. Assim a dinamizaçom do dispositivo da Carta da língua corsa (Cartula di lingua corsa), um conjunto de princípios e compromissos que propom aos governos locais, serviços públicos, empresas, associaçons, etc., açons concretas para configurá-las de acordo com o desejado de três níveis de compromisso -o relatório indica com clareza os objetivos a alcançar até o final de 2013-; o relançamento dos dispositivos das Casas da língua (Case di a lingua), com o objetivo de cobrir todo o pais para finais de 2013; a mobilizaçom duma rede de voluntários para a formaçom de “casais lingüísticos” que, entre outras coisas, evite a tendência dos falantes de corso a falar francês quando se trata de um estranho; a coordenaçom da política lingüística no seio da CTC, de modo que todas as suas políticas (sinalética, formaçom de funcionários, comunicaçom corporativa, etc.) sejam coerentes e tenham como alvo o desenvolvimento do corso. Uma das ferramentas será a da “sócio-eco-condicionalidades das ajudas”: o uso da língua corsa deve ser um critério de condicionalidade da ajuda social. O último ponto desta secçom de difusom da língua trata do desenvolvimento e profissionalização da dobragem.

V – Promoçom e comunicaçom

A folha de rota completa-se com uma secçom dedicada à informaçom e conscienciaçom em torno à língua e o multilingüismo, que inclui a criaçom de eventos, para combater as representaçons arcaicas, a falta de informaçom e de valorizaçom que afetam à língua. Entre os eventos, o relatório propom a celebraçom dumha Festa di a lingua, que poderia cobrir uma semana em toda a Córsega, em lugar da Ghjurnata di a Lingua prevista polo Plam Estratégico que só se realiza em Portivechju a iniciativa da autarquia, signatária da Cartula; propom tamém a participaçom na «Jornada européia das línguas», participaçom que este ano se encarna nas Ghjurnate Lingui mondi que decorreram na Vila de Bastia; e a organizaçom dum Festival das línguas minoritárias na cidade de Conti. Além disso, o Cunsigliu linguisticu estabelecerá uma grande exposiçom anual de caráter itinerante em torno à literatura corsa, que se complementará com outros eventos (seminários, palestras, reediçons de obras, etc.). Na mesma ordem de cousas, a CTC ampliará sua política de comunicaçom em direçom ao grande público (brochuras, pósteres, etc.) e sectores sensíveis da sociedade (pais de crianças, profissionais da educaçom, alunado, etc.). A secçom encerra-se com a proposta do desenvolvimento duma parceria com os meios de comunicaçom, onde o corso tem um lugar bastante marginal.

O relatório completa-se com quatro anexos. O primeiro reflexiona sobre o caminho para o estatuto da língua corsa; o segundo consta de quadros sobre o atual sistema de ensino; o terceiro informa dos resultados dumha pesquisa que indicam que a língua corsa (ou o bilingüismo) é um fator de sucesso escolar; e o quatro apresenta uma proposiçom sobre a formaçom dos docentes.

Reações políticas

Femu a Corsica, a coaliçom de caráter autonomista liderada pelo Partido da Naçom Corsa, que ganhou 26% dos votos nas últimas eleiçons para a Assembleia, monstrou-se muito satisfeita com a aprovaçom do documento, umha proposta que nom pretende a "exclusividade do corso", como sim a quer "o discurso monolingüista e unitário francês." Os independentistas de Corsica Libera, que queriam incluir na proposta os direitos nacionais do povo corso, votárom a favor, embora reconhecerem que nom é o estatuto que quiseram para o idioma corso e apostem por umha política lingüística como a desenvolvida na Catalunha.

Convergência nacionalista no 30 aniversário das jornadas internacionalistas

Por outra parte, durante os dias 5,6 e 7 de agosto decorrerom as Jornadas Internacionais de Corti, que este ano celebram seu 30 º aniversário. Nestas jornadas de caráter anual, bem conhecidas polos independentistas de toda a Europa, realizam-se palestras, obradoiros e conferências nos que participam diversos grupos de naçons sem estado. Destacam as participaçons basca e catalá. Nestas jornadas, Corsica Libera, a ala separatista do movimento nacionalista corso, propujo a “unidade na diversidade”, aos moderados de Femu a Corsica, para a tomada do poder em 2014 e iniciar um desenvolvimento económico controlado para impedir a especulaçom fundiária e imobiliária na ilha. Os partidos nacionalistas, opostos à economia baseada no monocultivo turístico, conseguírom um avanço histórico (35 % das votaçons) nas últimas eleiçons regionais de março de 2010. Todos os participantes salientárom que as principais ideias promovidas durante décadas polos nacionalistas (língua, universidade, luta contra a especulaçom fundiária e imobiliária, a proteçom ambiental...) estavam agora no coraçom do debate político da ilha.

 

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