Nasce 'Arredol', primeiro diário digital generalista em língua aragonesa
A nova publicação, que se poderá ler a partir do dia 19, é um fito para o idioma
Quarta, 14 Setembro 2011 00:00
PGL - Grande salto para a língua aragonesa no mundo digital. Daqui a uns dias, a língua própria do Aragom —além do catalám falado na faixa leste da regiom— contará com o primeiro diário digital, Arredol.
O projeto chega graças a um núcleo promotor que soubo tecer umha rede de colaboradores. Com esta iniciativa, umha língua tam gravemente ameaçada como o aragonês, e por muitos estigmatizada como vestígio rural e do passado, pode-se revelar como veículo de expressom normal de um diário digital.
Um dos rostos visíveis do projeto é o jornalista Jorge Romance, autor do blogue Purnas, redigido nessa língua. Romance explica que Arredol nasce para contribuir a fazer do aragonês «umha língua de uso normal», para o qual resulta «básico» contar com um meio de comunicaçom. Reconhece aliás que nom existem ajudas económicas nem públicas nem privadas, polo qual Arredol nasce graças a umha redaçom de três pessoas, «muita colaboraçom externa» e o aproveitamento das tecnologias em linha.
A pretensom de normalizar o uso do aragonês também se alargará ao modelo de diário que estará na rede a partir do dia 19, e que conta já com perfil no Twitter. «Queremos ter umha mirada ampla sobre o mundo, sobre o país e sobre a realidade em geral. As informaçons serám de todos os ámbitos». Portanto a informaçom estará afastada de 'localismos' e 'folclorismos', e estará-o numha língua milenária que foi ficando reduzida aos vales dos Pirinéus pola progressiva castelhanizaçom do Aragom.
Normas ortográficas da Academia do Aragonês
Um dos aspetos que marcou a língua durante os últimos 25 anos foi qual a ortografia empregue. Em 1987, o Consello d'a Fabla Aragonesa (Conselho da Fala Aragonesa) organizou um congresso que aprovou umhas normas que afastavam o aragonês da etimologia latina e que adoptavam soluçons que eram decalques do castelhano.
Tais normas nunca tivérom consenso na comunidade lingüística do aragonês, e em 2010 umha outra associaçom, a Academia do Aragonês, apresentou umhas novas, mais respeitosas com a tradiçom latina bem como com as formas próprias aragonesas medievais. Por exemplo, recupera-se o dígrafo ny —utilizado também no catalám— para aquelas palavras que segundo a ortografia de 1987 se grafariam com ñ.
Para Romance, as normas da Academia têm o valor de surgirem de um processo com a participaçom de muitos falantes e da maioria das associaçons em defesa da língua. A ortografia que propom, explica o impulsionador de Arredol, «procura responder aos retos de umha língua atomizada e entendem que o fazem com coerência».
+ Fonte:
- Món Divers: Neix Arredol, primer diari digital generalista en llengua aragonesa [artigo em catalám]
























Comentários
Parabéns!!
Entalto l'aragonés!
Lendo este artigo, entrei por curiosidade na wiki em aragonês para ler sobre os debates ortográficos desta língua e na verdade, a história repete-se tantas vezes que até é engraçado.
O do aragonês é um exemplo em que a codificação da língua, feita a partir da ortografia da língua teto, não deu benefícios à hora de incrementar o número de falantes ou facilitar a aprendizagem do idioma.
Parece que, pouco a pouco, se começam a impor as teses de que o aragonês precisa ganhar prestígio, para o qual deve abandonar também na ortografia a feição dialetalizante, consequência da subordinação ao castelhano.
Como faz o reintegracionis mo —com a diferença de eles não terem um Estado com a língua normalizada—, deram também uma olhada para o seu passado, resgatando a ortografia própria e atualizando-a para o século XXI. Oxalá esse caminho que agora enveredam dê frutos.
O aragonês, por sinal uma joia da romanística, deve olhar menos para o castelhano e mais para os seus irmãos naturais: o ocitano e o catalão. Não precisa, em absoluto, empréstimos gráficos do espanhol como o 'ñ'.
Qualquer amante da romanística devia dar uma olhada ao aragonês, protótipo de uma língua de transições, com traços que nos lembram ao catalão, ao ocitano... e, por vezes, ao nosso galego (!).
Eis algumas amostras disto último: millor (melhor); o, a, os, as; vitiello (vitelo, aceção 1); muto (muito, "muto" nalguns dialetos galegos e transmontanos); feto (feito); "costa" ou "ponte" (no dialeto bergotês); furtar...
Ainda outras:
pai (pai), mai (mãe, nai), peito (peito), teito (teito), leito (leito)....
http://www.clannac.com/dizionario/sauto.php