Encerra 'Les Noticies', o único jornal impresso em asturiano

A editora mantém a ediçom digital do semanário

Segunda, 06 Fevereiro 2012 11:01

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Capa do último número em papel do semanário asturiano Les Noticies

PGL – Após dezesseis anos e 769 números, desde que em agosto de 1996 saiu à rua o número zero, desaparece a ediçom em papel de Les Noticies, “semanário independente de informaçom geral”, o único periódico que se imprimia integramente em asturiano.

A empresa editora, Publicaciones Ámbitu, comunicou com umha semana de antecipaçom o encerramento do semanário. Segundo anunciou o fundador do diário, Inaciu Iglesias, Les Noticies continuará publicando as suas informaçons online, numha ediçom digital que será “melhorada” e que explorará “vias novas” através das “produçons audiovisuais”.

A maioria dos conteúdos do número especial de 3 de fevereiro estám dedicados à literatura asturiana e a repassar a história recente do movimento asturiano de reivindicaçom lingüística e do asturianismo em geral, âmbitos em que Les Noticies tivo um papel destacado nos últimos 15 anos.

Les Noticies, que saía à rua nas sextas e custava 1€, despede-se dos quiosques após publicar vinte mil páginas de informaçom, entrevistas, opiniom e reportagens que tentárom normalizar a língua asturiana. Este encerramento une-se ao de Rádio Sele, também a única rádio no idioma astur, em novembro de 2011.

A questom da língua no último mês do “selmanariu”

Os números do mês de janeiro nom faziam pressagiar o encerrametno da publicaçom. No número 765 informava de que o documento das contas públicas apresentado na Xunta Xeneral estabelecia que o uso do asturiano fosse além da atividade de Cultura. Ainda que o projeto de Orçamentos Gerais aprovado polo Conseyu de Gobiernu destinasse umha despesa de 2.135.034€ (675.525 menos que em 2011) para a Direçom Geral de Política Linguística, o Executivo autonómico marcava “o objetivo de fomentar o uso institucional e público de asturiano e galego-asturiano na própria Administraçpm autonómica”.

A capa do número 766 apresentava Gaspar Llamazares, o deputado de Izquierda Xunida -única formaçom parlamentar asturiana cujo website tem a opçom neste idioma, declarando que ia “usar o asturiano no Congresso com o fim de ajudar a fazê-lo visível”. O deputado dava a conhecer a iniciativa que ia levar ao Parlamento para os professores de asturiano virem reconhecida sua especialidade. E no número 767, Alfredo Álvarez, diretor-geral de Política Linguística, declarava que “o asturiano há de ser umha das línguas de comunicaçom das Astúrias” e que as políticas do Governo para com o idioma “querem transmitir à sociedade o valor patrimonial da língua própria e fazer transversais os meios de normalizaçom”.

Entrevista a Álvarez-Cascos na ediçom digital

Se essas informaçons nom deixavam prever o anúncio do encerramento, a concessom de Álvarez-Cascos ao diário digital da primeira entrevista a um meio asturiano após convocar o dia 30 de janeiro eleiçons antecipadas para 25 de março, depois da sexta em que se anunciava o fim daediçom em papel, parecia uma piscadela oportunista ao asturianismo. Mas, como se viu na entrevista [da qual se informará proximamente no PGL], o presidente asturiano exibiu um bipolarismo a simultaneo, e o que parecia conceder com uma mao, denegava-o efetivamente com a outra.

Méndez Ferrin no último número da revista literária «Brixel»

Poucos dias antes, Les Noticies punha a disposiçom dos seus leitores o último número do suplemento «Brixel. Revista mensual de lliteratura», que se publicou junto ao semanário na ediçom do 29 de janeiro. O número 16 da revista cultural inclui, na secçom de Antón García «Vasos comunicantes», a traduçom de dous poemas de Xosé Luis Méndez Ferrín,“presidente anguaño de l'Academia da Lingua Galega y una voz fundamental de la lliteratura europea”. A revista está disponível na internet.

 

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Comentários

 
# 8snysPaulo Mouteira Paulo 08-02-2012 18:23

Temo-nos de centrar, porque há línguas e outras.

Não podemos chorar pelo que nunca foi nem tinha jeito de ser.

O papel morre, e isso é bom.

O romantismo do cheiro do papel não dá jeito.

E as línguas que se falam em toda a parte e mais nenhuma, não têm hipótese de sucesso.

Igual que na Galiza ninguém fala galego (cum mínimo de qualidade, logo já é língua morta cá) o asturlleonés faz tempo que nos abandonou.

R.I.P.

Eu não quero chorar: quero ir pelo português que me escorrega e pelo francês que ainda não tenho.

Quem tiver vagar, que chore.

jornais de papel

R.I.P

línguas morridas...

 
 
# Re: Encerra 'Les Noticies', o único jornal impresso em asturianoPaulo Mouteira Paulo 08-02-2012 18:28

Só mais uma coisa: não brinquem, meus!...

Literatura asturiana nunca houve.

Quitado que consideremos que o Ressurgimento galego teve qualquer valor, que já é muito acreditar... (literariamente falando).

 

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