A mobilização pelas línguas menorizadas força os candidatos à presidência da França a posicionar-se

O socialista Hollande e o centrista Bayrou são favoráveis a dar-lhes cobertura legal mediante a ratificação da Carta Européia das Línguas Regionais ou Minoritárias · Ao outro extremo, Le Pen (Frente Nacional) e Mélenchon (Frente de Esquerdas) opõem-se de forma veemente · Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se 31 de março para pedir direitos linguísticos

Quarta, 11 Abril 2012 00:00

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Nationalia - Desde 31 de março, data das manifestações [na França] a favor das línguas menorizadas, foram-se sucedendo os balanços sobre o seguimento da convocação, ligados às informações sobre as tomadas de posição com respeito a estas línguas por parte dos diferentes candidatos à eleição presidencial francesa.

Os convocantes das manifestações (contam-se por dezenas de milhares as pessoas às marchas de Perpinhã, Tolosa de Llenguadoc, Kemper, Estrasburgo, Aiacciu, Lilla, Baiona e Annecy) apresentaram-se unidos sob o guarda-chuvas do Colectivo para as Línguas Regionais 2012. Tinham nas mãos um dossiê que explicava o sentido reivindicativo da convocação: rechaço da política de assimilação e de uniformização do Estado francês e apoio a uma república garante da expressão das suas diversas línguas e culturas. Para conseguir estas finalidades, observava o documento, faria falta a modificação de uma Constituição que não contempla as mencionadas propostas, a ratificação da Carta Européia das Línguas Regionais ou Minoritárias e a elaboração de uma lei base que traga a cooficialidade das línguas vivas faladas, desde há séculos, dentro da República Francesa.

A opinião dos candidatos à presidência

Será decisão daquela pessoa que sair eleita (muito provavelmente, o socialista François Hollande ou o conservador Nicolas Sarkozy) que a questão do pluralismo linguístico receba uma resposta positiva ou negativa ou, como até agora, que não seja nem isso nem aquilo.

Com respeito aos da direita, Marine Le Pen (Frente Nacional) já foi deixando claro, desde o ano 2007, que sente "ternura" pelas denominadas línguas regionais mas isto não significa que perca de vista a absoluta necessidade que o francês continue sendo a única língua oficial da França e, portanto, que não tenha nenhuma concessão substanciosa para as outras línguas. Le Pen quer evitar que, amanhã, seja legitimado um pluralismo linguístico que torne França "numa pele de leopardo", com o árabe como uma de tantas línguas regionais.

Nicolas Sarkozy, o atual presidente e candidato à reeleição, declara-se favorável ao património linguístico de França, tal como o reconhece a Constituição francesa reformada neste sentido há uns anos, é partidário do ensino e do desenvolvimento, até certo ponto, das línguas regionais, mas opõe-se à ratificação da Carta Européia das Línguas Regionais ou Minoritárias porque, segundo ele, "quando alguém estima França" não pode ratificar uma convenção que deixa ao controle e ao julgamento da Corte européia se são aplicados ou não, segundo o seu critério, os direitos linguísticos "sem ter em conta a história nacional e a nossa tradição republicana".

Divisão de opiniões da esquerda ao centro

Também à esquerda, há fervorosos opositores a qualquer reconhecimento oficial das línguas que não sejam o francês. Já no ano 2001, numa entrevista a Libération, Jean-Luc Mélenchon (da coalizão antiliberal da Frente de Esquerdas) dizia que se era feita a escolarização de um menino numa língua que não falam todos os habitantes do país se entrava numa dimensão "psicológica horrível. Tornaríamos a escolarização numa prática setária e não numa prática educativa". Onze anos depois, Mélenchon reitera que se sente "orgulhoso de ser jacobino" e de não falar mais línguas "que o francês e o espanhol". Apesar de tudo, ultimamente admitiu timidamente a possibilidade de impulsionar a aprendizagem das línguas menorizadas na escola.

O socialista François Hollande, no ano 2007, afirmava estar decidido a "dar respostas adaptadas, mas claras", às solicitações que provierem dos falantes das línguas regionais. Estas "respostas", neste 2012, são o seu posicionamento a favor de ratificar a Carta Européia das Línguas e, se fizesse falta, a modificar a Constituição para podê-la ratificar, isto sim, mantendo o francês como "única língua oficial".

Finalmente, o centrista François Bayrou recorda aquilo de bom que fez a favor do ensino das línguas regionais quando foi ministro de Educação. Se fosse eleito presidente, assegura, seguiria o mesmo fio. Ademais, faria ratificar a Carta das Línguas, tudo pensando que "são as culturas e as línguas regionais que formam a França, apesar que estou bem ligado ao nosso tesouro que é o francês". E, também, considerando que "é ofensivo que o atual presidente lhe pareça bem apresentar como uma ofensa ao nosso país a mencionada Carta".