O russo recupera a oficialidade na Ucránia

O Parlamento, dominado polo Partido das Regions do presidente Ianukovitch, aprova umha lei que oficializa o idioma em metade do território estatal · Demitem-se o presidente e o vice-presidente da Cámara e cinco deputados iniciam umha greve de fame · Opositores à medida enfrentam-se à polícia na rua

Quinta, 05 Julho 2012 09:37

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Nationalia - 21 anos depois da sua declaraçom de independência, a Ucránia devolveu à língua russa a oficialidade, ainda que só em metade do território estatal. Por surpresa e sem avisarem no dia anterior, os deputados do pró-russo e governamental Partido das Regions forçárom anteonte dia 3 um voto no Parlamento ucraniano para aprovar, em segunda leitura, a proposiçom de lei que fora apresentada em primeira instáncia em maio passado.

A nova lei prevê que outras línguas além do ucraniano poderam ser declaradas oficiais em cada umha das províncias do país, desde que sejam faladas por, no mínimo, 10% da populaçom provincial.

E isso, quanto ao russo, é exatamente o que se passa nas 13 províncias do sul e do leste da Ucránia. Umha vez que o presidente ucraniano Viktor Ianukovitch, membro do Partido das Regions, assinar a lei – o último trámite necessário para que entre em vigor -, o idioma poderá ter carácter oficial na administraçom pública e no sistema educativo daquelas províncias onde pelo menos 10% dos habitantes tenham declarado ser falantes maternos do russo (regions marcadas em cor laranja no mapa que acompanha a informaçom). Estes mesmos preceitos servem também para o húngaro na província da Transcarpácia (no mapa, em cor verde) e para o romeno em Chernivtsi (em cor grená).

Em teoria, a lei deveria permitir também a oficializaçom do tátaro na Crimeia. Mas este território tem estatuto de república autónoma dentro da Ucránia, conta com a sua própria Constituiçom e as suas instituiçons fam um extensivo uso do russo como língua oficial de facto, o que nom acontece com o tátaro.

Celeuma político, confrontos na rua

Se, no passado maio, a primeira votaçom sobre a lei acabou aos murros no Parlamento, desta vez as águas nom baixárom muito mais tranquilas. Volodímir Litvin, até onte presidente do Parlamento, apresentou a sua demissom para, assim, poupar-se a ter que assinar a lei. Demitiu-se também o vice-presidente, Mikola Tomenko, que acusou Ianukovich de se servir do Parlamento para os seus interesses pessoais, mesmo violando a Constituiçom, que estipula que o ucraniano é a única língua oficial do país.

Ontem de manhá, um grupo de manifestantes contrários à oficializaçom do russo enfrentárom-se à polícia no centro de Kíev quando tentavam bloquear um edifício governamental. Cinco deputados da oposiçom decidírom iniciar umha greve de fame contra a nova lei.

A maior parte da oposiçom é contra oficializar o russo. No próximo mês de outubro haverá eleiçons legislativas, e os inquéritos apontam a que se poderia formar umha nova maioria parlamentar contrária à lei aprovada anteonte.

 

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