A Suíça, uma segunda vida para o latim?

O latim poderia servir para desenvolver o pensamento analítico, o qual já se tem mostrado de utilidade em outras disciplinas

Quarta, 21 Novembro 2012 09:14

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Cara de uma moeda de 5 francos suíços com o nome do país em latim

PGL - Não é um fato desconhecido para nós que o latim é uma matéria em declínio, com cada vez menos peso nos conteúdos curriculares no contexto europeu. Mostra disto foi a polémica acontecida na Suíça no último ano devido à decisão do governo cantonal de Genebra de retirar o latim do curricula, medida que recebeu uma grande contestação do coletivo de professores clássicos.

Cada vez mais universidades já não requerem o latim como pré-requisito para cursar aqueles estudos em que tradicionalmente este era exigido. Apenas em alguns casos, como na Faculdade de Letras da Universidade de Zurique, ainda mantêm tal exigência. No entanto, um grupo de professores de latim dispostos a tentar uma segunda vida para esta língua enfatizam que esta ainda pode desempenhar um papel no desenvolvimento da competência intercultural. Como defende Gabriela Trutmann, presidente de um fórum de professores de línguas clássicas de Zurique, o latim permite um entendimento diferente da cultura suíça em relação com as estrangeiras, já que confronta o estudante com estrangeirismos muito próximos culturalmente, ao ser ele o molde da sua própria cultura. De fato, o professor Andreas Külling assinala que essa característica faz do latim uma ferramenta para compreendermos melhor nosso próprio mundo.

Uma nova estratégia propõe o latim como ferramenta para abordar o conhecimento de línguas modernas de jeito comparado, através da aquisição de um quadro geral de aprendizagem de línguas. Como defende Külling, as combinações de latim com uma língua estrangeira moderna poderiam ser empregadas de forma mais generalizada com uma didática multilingue. Assim, seria possível a aprendizagem de várias línguas de forma mais rápida e eficiente. Segundo Trutmannm, nos primeiros anos de aprendizagem, as aulas de latim podem funcionar como um lugar de estudo da linguagem comparativa. Além do mais, o latim poderia servir para desenvolver o pensamento analítico, o qual já se tem mostrado de utilidade em outras disciplinas.

Esta é uma abordagem especialmente atrativa para a Suíça, um país multilingue no qual saber duas ou três línguas é rotina, pois é obrigatória a aprendizagem de mais de uma das reconhecidas oficialmente. Esta realidade faz-se evidente no uso da denominação latina Confœderatio Helvetica ou sua forma abreviada CH como nome oficial do país. Além disso, as línguas oficiais no país são o alemão, falado pelos 63,7% da população, o francês (20,4%), o italiano (6,5%) e o romanche (0,5%). Também existem variedades não oficiais como o franco-provençal e múltiplas variantes dialetais das línguas nacionais. Também na zona germanófona existem diferentes variedades agrupadas no denominado alemão da Suíça. No entanto, na comunicação escrita e formal é maioritário o uso de um padrão do alto alemão. Para elesao em particular, o ensino do latim poderia ser de grande utilidade para o aprendizado das línguas românicas cooficiais.