As línguas menorizadas da República Francesa pedem "asilo cultural" à UNESCO

A acção simbólica quer chamar a atenção sobre a paralisação das medidas anunciadas em campanha por Hollande a favor de idiomas como o catalão, o éuscaro ou o bretão

A governação francesa prepara uma lei educativa que não tem em consideração estas línguas

A ratificação da Carta Europeia das Línguas não chega

Quarta, 15 Maio 2013 00:00

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Nationalia - As entidades em defesa das línguas menorizadas da República Francesa pedirão hoje dia 15, diante da sede da UNESCO, "asilo cultural" perante a "discriminação linguística sistémica" que padecem os seus falantes. Será uma acção simbólica diante da sede do organismo internacional em Paris, um dia depois de que o Senado comece a revisão da Lei de refundação da escola.

As entidades a favor da diversidade linguística estão muito molestas porque esta lei, consideram, passa completamente por alto a existência das línguas próprias fora do francês, e não prevê uma posição importante dentro do sistema educativo. A convocação é realizada por entidades a favor do catalão, occitano, éuscaro, bretão, alemão, corso, bem como das línguas próprias da Guiana e das variedades linguísticas de oïl.

Para além da Lei de refundação da escola, as organizações a favor destes idiomas estão decepcionadas com a governação francesa e com o presidente François Hollande. E é que Hollande se comprometeu, durante a campanha eleitoral, a ratificar a Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias (CELRM), um instrumento legal do Conselho da Europa que abriria a porta à obtenção de uma série de direitos linguísticos por parte dos falantes dos idiomas menorizados. Mas após chegar ao poder, Hollande não cumpriu a sua promessa.

No passado dezembro, um relatório da Comissão de Leis Constitucionais apontava que a CELRM não poderia ratificar-se se dantes França não mudava a sua Constituição. E no passado fevereiro, o presidente da Assembleia Nacional francesa, Claude Bartolone, reconhecia que os socialistas não tinham força suficiente para poder mudar a Constituição, com o qual a ratificação da Carta ficava no ar.