O Fórum das Línguas de Tolosa de Linguadoc aposta numha identidade nacional francesa plural

Os promotores do encontro insistem em que é preciso fechar o debate lingüístico fazendo da França um estado "pluralista" e "democrático"

Quarta, 22 Maio 2013 00:00

Atençom, abrirá numha nova janela. PDFVersom para impressomEnviar por E-mail
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Nationalia - Organizado polo Carrefour Culturel Arnaud Bernard, em 26 de maio tem lugar a 21ª ediçom do Fórum Mundial das Línguas em Tolosa de Linguadoc. O Fórum reclama que o mundo se dote dumha Declaraçom dos Deveres para com as Línguas e a Linguagem.

Seguindo o modelo apresentado nas ediçons anteriores, a iniciativa escolheu umha cidade ocitana para nela enraizar as "maiores conquistas do espírito humano, procurando, como nos ensina a civilizaçom ocitana, fazer abrolhar da terra valores cosmopolitas". É neste contexto que é preciso pôr em destaque dous textos: a Declaraçom sobre os Deveres para com as Línguas e a Linguagem e a Proposiçom de Nacionalizaçom das Línguas/Culturas de França.

O Fórum deste ano quer ser um convite para que toda a gente que fale umha língua diferente possa dá-la a conhecer, num stand próprio de acordo com a "definiçom científica do que é umha língua (o que falam as pessoas), e tendo em conta que nom existem sublínguas, como também nom existem sub-homens [...]. As línguas [mais dum cento, segundo os organizadores] som apresentadas em plano de igualdade". Haverá debates na praça pública sobre esta temática, bem como atos de animaçom e informaçom populares.

Os debates girarám à volta de duas qüestons, a primeira dirá respeito às chamadas "línguas aborígenes da França (ou línguas indígenas ou autóctones)", e a segunda prestará atençom ao conjunto das línguas do mundo.

Visom peculiar: as línguas diferentes do francês enquanto elemento da identidade nacional francesa

Ainda que os debates sejam livres, contarám com especialistas escolhidos (entre os quais, representantes políticos e também associativos), que irám preparar o terreno com a explicaçom de como eles enxergam as relaçons das "línguas aborígenes" e o Estado francês. Estas línguas - dim num texto que distribuirám entre os participantes no Fórum - "tivérom umha importáncia considerável na construçom da língua e a cultura francesas". Se não tivermos em conta as outras línguas, dim os promotores do Fórum, ficaremos desarreigados do passado, de maneira que qualquer gesto para as ignorar ou proibir é um ato antifrancês. Daí que seja necessário, para se compreender e assumir plenamente o que som os Franceses, que a educaçom nacional e os outros serviços do Estado em que a língua constitua um elemento fundamental, se abram às línguas aborígenes, as apreciem e ensinem. Quer dizer, que da óptica do Carrefour Culturel, as referidas línguas som elementos construtores da identidade plural dos Franceses.

A educaçom proposta, consideram os promotores desta via, conduzirá a umha verdadeira descentralizaçom cultural, será um "invento que fecundará as artes, a pesquisa, a vida comum". Em conseqüência, pensam, irá transformar-se radicalmente o debate entre os partidários e inimigos "[d]as línguas chamadas regionais, um debate que já tem 150 anos e que empeçonha os espíritos com o desenvolvimento, polos dous lados, "de mitologias nacionalistas e ideologias identitárias, trava a nossa construçom dumha sociedade mais republicana, mais democrática, mais ecológica e racionalmente pluralista".

 

 

Os organizadores do Fórum querem, de mais a mais, que o participantes tomem consciência da necessidade de se completar a Declaraçom Universal dos Direitos Humanos com umha Declaraçom dos Deveres para com as Línguas e a Linguagem. Porque é preciso erradicar, dim, as luitas étnicas, "dotando a comunidade internacional dumha arma jurídica que as detenha". Porque "estas luitas, que envenenam as relaçons entre os homens no mundo inteiro, som a conseqüência da negaçom, mais ou menos violenta segundo as regions, de identidades coletivas constituídas polas línguas e as culturas, no sentido mais profundo da palavra". Porque "o que constitui a força da Declaraçom Universal dos Direitos Humanos, isto é, o considerar os indivíduos isoladamente das suas diversas pertenças (étnicas, lingüísticas, sociais, religiosas) para tratá-los num plano e igualdade do ponto de vista ético e de direito, é também a sua fraqueza: esta Declaraçom é incapaz de agir no nível dos direitos coletivos".

Contraste com a situaçom política atual

Este olhar pluralista dos convocantes do Fórum contrasta muito com a realidade das línguas nom oficiais da França. Terça-feira referíamos que as associaçons em defesa dos idiomas menorizados da República Francesa se manifestavam em Paris e pediam auxílio à UNESCO porque, sob o seu ponto de vista, o executivo francês nom dá passos em prol destas línguas. Entre os pontos de atrito, há o recuo de Paris no compromisso de ratificar a Carta Europeia das Línguas, umha promessa eleitoral do atual presidente francês, François Hollande.