Condenado a seis meses de prisão por falar em catalão à Guarda Civil

Terça, 24 Setembro 2013 09:28

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PGL - Carles Mateu Blay, um jovem militante da Esquerra Republicana do País Valenciano, foi condenado pela Audiência de Castelhó a seis meses de prisão por desobediência à autoridade por se negar a falar em castelhano num controle rutinário da Guarda Civil. De fato, em primeiro lugar fora absolvido mas o promotor recorreu e os magistrados impuseram a condenação publicada na passada sexta-feira.

A secretária geral da Esquerra Republicana do País Valenciano, Núria Arnau, adiantou que pedirão explicações ao ministro do Interior pela conduta da Guarda Civil bem como pelo interesse do promotor ao ter recorrido a primeira sentença. Por seu lado, o eurodeputado Ramon Tremosa (CiU) denunciou ontem o caso na Comissão Europeia, bem como Joan Tardà (Esquerra) no Congresso.

Joan Tardà (Esquerra) denunciou o caso no Congresso dos Deputados

Além disso, na rede, através do hastagh #totssomCarlesMateu ou #CarlesMateus os cidadãos exprimem a sua repulsa à condenação. Ainda, na Cheange.org, arrancou uma campanha de recolha de assinaturas dirigida ao Defensor do Povo do País Valenciano, José Cholbi Diego, para que faça as gestões pertinentes com o objetivo de que a pena de prisão de Mateu seja retirada.

O texto da campanha diz:

"José Cholbi Diego, Defensor do Povo da Comunidade Valenciana:

Exigimos a retirada imediata da pena de prisão a Carles Mateu Blay por falar valenciano à Guarda Civil, porque é um direito poder exprimir-se numa língua cooficial perante a administração."

Os fatos

Tudo se passou no dia 21 de dezembro do ano passado num controle rutinário à saída de Almassora (Planície Alta), pouco depois das 17h00. Uma patrulha da guarda civil fez parar numa rotunda da CV-18, à saída de Almassora, Carles Mateu para um controle de alcoolemia. Ele ia recolher o filho à escola. O fato que o carro que conduzia fosse o da sua cunhada e não o seu suscitou perguntas dos agentes sobre a documentação. Então já se intuía que algo não acabava de funcionar, mas Carles não imaginava o que acabaria passando. "Vi em seguida que se incomodaram porque eu falava em valenciano e não mudava de língua. Mas não me imaginava que pudesse acabar assim! De fato, posso dizer que me retiraram a carta de conduzir por ter falado em valenciano; é escandaloso e intolerável."

Desde aquele momento, a conversação tornou-se um ataque e uma humilhação contra o Carles, que não pôde chegar a casa até três horas mais tarde "com três denúncias falsas que somam mil euros e, curiosamente, doze pontos da carta de conduzir". Enquanto esteve retido, Carles teve de aguentar insultos de todo tipo e inclusive mais de um empurrão. Obrigaram-no a esperar dentro do carro até que não chegasse outro agente responsável de atestados. Quando finalmente chegou, os dois primeiros guardas civis foram embora e deixaram-lhe toda a documentação do Carles e as denúncias correspondentes. Este terceiro agente foi quem, dias mais tarde, desmuntou ante o juiz as acusações dos seus colegas.

Para surpresa de todos, "incluído o agente de atestados, que era bem mais dialogante que não os outros", a denúncia ao Carles Mateu era porque, se dizia, não trazia o cinto de segurança, não tinha usado o colete refletor e se tinha negado a se submeter ao controle de alcoolemia. Mateu declarou desde o primeiro momento que eram denúncias falsas e sem qualquer fundamento. "Caiu-me o mundo em cima! Era tudo falso! Expliquei ao agente e ele disse que isto já não dependia dele e que não podia fazer nada, mas viu como eu trazia o colete colocado e logicamente os resultados das provas".

 

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