A "pura loucura" de proteger as línguas menorizadas de França, segundo umha Fronte Nacional em ascensom

A formaçom de Marine Le Pen, que lidera a intençom de voto na França para as eleiçons europeias, salienta a importáncia de sustentar umha identidade nacional com o idioma francês como um dos seus pilares · O partido anti-imigraçom votou há um mês no Parlamento Europeu contra a protecçom dos idiomas ameaçados de extinçom

Terça, 22 Outubro 2013 00:00

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Nationalia - O êxito que obtivo, há um mês, o eurodeputado corso François Alfonsi ao receber o apoio da maioria dos outros eurodeputados à sua proposta de maior compromisso na defesa das línguas menorizadas da Europa, tivo as suas sombras: 50% dos 26 votos desfavoráveis procediam dos eurodeputados franceses (que representam 10% do Parlamento Europeu). Os três eurodeputados da Fronte Nacional (FN) francesa - entre os quais Jean-Marie Le Pen e a sua filha Marine - distinguírom-se pelo seu voto contrario.

Esta posiçom da FN volta à ordem do dia, mas agora com outro acento: os inquéritos mais recentes indicam que o partido anti-imigraçom poderia conseguir a maioria dos eurodeputados franceses no Parlamento Europeu nas eleiçons de maio de 2014. A ascensom espetacular da Fronte Nacional viria acompanhada do também previsível crescimento eleitoral de partidos afins doutros estados-membros da Uniom Europeia.

A animosidade da FN – bem como dos seus colegas europeus – para com as línguas menorizadas é sobejamente conhecida desde a época em que Jean-Marie Le Pen (um apelido, diga-se, de origem bretá, em cuja língua significa "cabeça") fundou e dirigiu este partido, agora nas maos da sua filha Marine. Umha das últimas tomadas de posiçom, neste sentido, provém do seu vice-presidente, Florian Philippot: "Depois que a ministra [Geneviève] Fioraso quer impor o anglo-americano na universidade francesa, agora o ministro da Educaçom Nacional Vincent Peillon se declara favorável a 'um reforço do ensino das línguas regionais' na escola. Teria sido preferível que o ministro tivesse anunciado um 'reforço do ensino da língua francesa' na escola, tendo presente que 20% das crianças chegam ao collège", quer dizer, ao início da secundária, "sem dominar corretamente a nossa língua". As disposiçons ministeriais, di Philippe, "som umha pura loucura, quando o francês se encontra em grande perigo". "Por que esta obsessom contra a língua francesa da parte de ministros que se crê que deveriam defendê-la?" Pergunta-se o político da FN, que conclui: "Pedimos o respeito ao artigo 2º da nossa Constituiçom: 'A língua francesa é a língua da República'".

Agora a propaganda para as próximas eleiçons europeias, além de atacar a promessa ratificaçom do governo atual francês da Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias, centra-se em afirmar que é preciso fazer todo para que França nom fique diluída na amálgama de línguas que é a Uniom Europeia. É preciso fazer todo, di o partido de Le Pen, para sustentar a identidade francesa e para impedir que nada a minimize. Segundo a FN, ser permissivos no que di respeito às línguas regionais implicaria abrir a porta ao reconhecimento das línguas dos imigrantes. Seria, como dizia no ano passado o porta-voz de Marine Le Pen, Bertrand Dutheil, cair na armadilha que é "o projeto reacionário de transformar as sociedades num mosaico".

Estas e outras opinions do que significa a diversidade som especialmente sentidas polos partidários de opçons nacionalitárias que tenhem mesmo umha expressom institucional, como é o caso da Córsega e da Bretanha, e onde, paradoxalmente, a Fronte Nacional avança. E a previsom é que avance ainda mais nas próximas eleiçons, contando com a adesom de gente que leva apelidos de antigos e novos imigrantes.

De momento, a propaganda de Marine Le Pen tenta demonstrar que a opçom que dirige nom é reacionária. O FN advoga que o nacionalismo francês seja hoje o produto da modernidade política e, singularmente, da Revoluçom Francesa. Em conseqüência, di ela, os indivíduos devem ser arrancados das suas comunidades de origem para as fundir num conjunto representado por um Estado francês de todos. De acordo com a visom da FN, França poderá ser, assim, bem sozinha, soberanamente, e bem forte, partidisticamente, defronte outros estados europeus que confundírom a unidade indestrutível dentro de cada estado com a uniom do diverso, das diferentes comunidades. O papel da língua única no Estado francês nom se pode rebaixar em caso algum. É umha condiçom sine qua non do sucesso da França do futuro.