Era de Ordes o trovador medieval Airas Moniz d´Asma?

A questom da origem deste trovador rastreja-se no seu próprio nome

Sábado, 12 Dezembro 2009 00:00

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A notícia deu-se com a saída do nº 91-92 da revista Agália

Foucelhas - Em Janeiro do ano passado, La Voz de Galicia publicava na secçom comarcal umha nova intitulada Publican un traballo inédito de Álvarez Blázquez sobre un autor medieval que podería ser de Ordes. Mas existiu realmente um trovador medieval originário da nossa comarca?

A notícia deu-se com a saída do nº 91-92 da revista Agália, que publicava um especial sobre Xosé María Álvarez Blázquez, homenageado com o Dia das Letras Galegas de 2008. Entre as investigaçons publicadas encontrava-se umha inédita de Álvarez Blázquez: Un trovador rompe a lei do segredo: y-vel-sa, referindo-se precisamente a Airas Moniz d'Asma. O especial do poema é que, para Álvarez Blázquez, rompe com a norma de nom explicitar o nome da amada, que estaria agachado nos dous últimos versos da primeira estrofa.

Pois mi no val...
(Nunes, p. 230)

Pois mi non ual d´ eu muyto´ amar
a mha senhor, nen a seruir,
nem quam apost´ eu sey negar
o amor que lh´ ey [e] a ´ncobrir
a ela que me faz perder,
que mh-o non pode[n] entender,
iá eu chus no´-na negarey,
vel saberam de quem tort´ ey.

Da que á melhor semelhar
de quanta[s] no mund´ ome vir
e mays [mansa sabe falar]
das que home falar oyr,
non uo-la ey chus a dizer...
quenquer x´ a pode entender;
iá chus seu nome non direy;
c´ a feito [iá] mh a nomeey.

E quen ben quiser trastornar
per tod´ o mundo e ferir
mui festinho xh-a pod´ achar,
ca, por uos home non mentir,
non á ela tal pareçer
con que ss´ assy poss´ asconder
per como a eu dessiney,
acha-la-am, cousa que sey.

Os que me soyan coitar
foi-lhes mha senhor descobrir;
iá mh ora leixaram folgar,
ca lhis non podia guarir,
ca ben lhe´-la fiz conhocer,
porque me non quis ben fazer,
e tenho que ben me uinguey,
pois l´ en concelh´ aueriguey.

 

Para Álvarez Blázquez o nome da amada está agachado, como um anagrama, nestes dous versos:

“ia eu chus non a negarey
vel sa
beran de quen torto ei”.

“É -di- um singelo anagrama: y-vel-sa = Ysavel”. Eis a forma em que Airas Moniz d´Asma rompe a lei do segredo.

A questom da origem deste trovador rastreja-se no seu próprio nome, onde indica que é “d'Asma”. Mas está Asma em Ordes? Asma era e é o nome de um afluente do Minho, e ainda hoje pervive como topónimo de 5 freguesias da comarca que atravessa: Santa Cristina de Asma (Carvalhedo), e quatro freguesias de Chantada. O topónimo Asmaos, que seguramente deriva de Asma e polo tanto pode ser onde nasceu o trovador, é o que se encontra (entre outros lugares) em Ordes; mas em Santa Maria de Ordes do concelho de Rairiz de Veiga! Eis, entom, o erro de La Voz de Galicia, que nos atribuía um trovador medieval sem, desafortunadamente, tê-lo.

Sobre a origem do trovador, comenta José Martinho Montero-Santalha (presidente da AGLP):

“A figura histórica do trovador não está ainda suficientemente identificada. Pelo sobrenome toponímico “d´Asma” devemos supor que procederá dessa zona central da Galiza, arredor do curso médio do rio Minho. Ademais, pola colocação das suas cantigas no início da colectânea da nossa poesia trovadoresca devemos supor que seria da época inicial do nosso trovadorismo (primeiro terço do século XIII) e de condição social nobre, provavelmente cavaleiro.”

 

Reproduzimos também a outra cantiga que se conserva deste trovador, seguramente da zona de Chantada e nom de Ordes:

“Pois mi nom val d´eu muit´amar”
(Bb 6) [= D´Heur 6 = Tavani 13,2]

Pois mi nom val d´eu muit´ amar
a mià senhor, ne-na servir,
nem quam apost´ eu sei negar
o amor que lh´ hei [e]´ncobrir
([a] ela, que me faz perder!),
que mi_o nom podem entender,
já eu chus no-na negarei:
vel saberám de quem tort´ hei!:

da que há melhor semelhar
de quanta[s] no mund´ home vir,
e mais [manso sabe falar]
das que que home falar oir.
Nom vo-la hei chus a dizer
[e] quenquer xa pod´ entender
já chus seu nome nom direi,
ca afeito mi_a nomeei.

E quem bem quiser trastornar
per t[o]d[o]_o mund´, e [re]ferir,
mui festinho xi_a pod´ achar;
ca, por vos home nom mentir,
nom há ela tal parecer
com que s´ assi possa_asconder:
per como a eu dessinei,
achá-la-ám, cousa que sei.

O[s] que me soíam coitar
f[u]i-lhes mià senhor descobrir:
já mi_ora leixarám folgar
(ca lhis nom podia guarir),
ca bem lhe-la fiz conhocer,
porque me nom quis bem fazer.
E tenho que bem me vinguei,
poi-la_em concelho_averiguei.

 

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