Comunicado de Agir perante o rascunho do novo decreto

O PP O PP proíbe que o galego supere 33% do horário de aulas

Terça, 05 Janeiro 2010 00:00

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AGIR – Para nom "impor" o galego em 50%, como pretendia o anterior decreto, o PP "imporá-o" só em 33%. Umha soluçom patética para consumo de mentes afectadas polo vitimismo do verdugo, polo vitimismo dos assassinos do galego.

Imposiçom por quotas

O estudantado galego está na hora de rebelar-se. De tomar as ruas. De organizar-se desde a escola para contrarrestar a ofensiva do PP contra o nosso idioma. Estabelecer quotas máximas para o uso da língua nacional, qualquer que for a percentagem, demonstra umha obsessom. Esta é frear o galego. Um idioma que, paradoxalmente, perde falantes e ámbitos de uso. Quando a realidade é esta, freá-lo só pode significar matá-lo. E quê melhor forma que argüindo plurilingüismo. Todo com tal de ir reduzindo devagar o seu uso em funçom das mui "livres" e "democráticas" quotas que indique o governo de turno. Se isso nom é imposiçom!

O inglés, outra vaca no milho

O inglês e o espanhol teriam, segundo pretende o decreto do PP, similar percentagem. Um terço cada umha das três. Ridículo. Nom existe no nosso país nengumha evidência empírica de que a necessidade de aprender inglês transcenda a categoria de língua estrangeira que tem agora. Nem se percebe essa necessidade para o povo trabalhador, nem se demanda por colectivos sociais. Cousa mui distinta, que nom negamos, é a necessidade de optimizar os muitos anos que se dedicam à aprendizagem de línguas estrangeiras.

Além disso, nom enganamos ninguém se assegurarmos que a escola galega, a real, nom a que imagina Feijoo, carece de capacidade para implementar este papel protagónico do inglês. É, ao entender do estudantado da esquerda independentista, um gesto dessesperado do PP por contentar os sectores mais ultras e, utilizando um discurso na moda, rebaixar o galego pretendendo nom discriminar nengumha língua. Se a anterior "igualdade" que tanto preocupa os nossos políticos era 50-50 galego-espanhol, esta seria 33-33-33 galego-inglês-espanhol. Imposiçom? A mesma; só que no canto de dúas serám três as línguas impostas. Todas seguindo um critério de igualdade impossível, inaplicável e inimaginável até.

Liberdade finita

Pais e maes do alunado escolheriam, se o rascunho seguir avante, o idioma veicular no ensino infantil. Isto favorecerá umha das rupturas históricas que mais tem favorecido a marginalizaçom do galego: rural vs urbano. Ainda, fará da escolha lingüística, que se efectuará cada ano lectivo a começos de curso, umha espécie de referendum que só interessará às famílias mais preocupadas com a língua ou com a sua extinçom, sem favorecer de nengum jeito concreto o envolvimento de todas as famílias no conjunto das necessidades pedagógicas em base a critérios objectivos.

Na Primária e Secundária, a escolha realizará-se por sua vez cada quatro anos, e suporá a repartiçom das quotas de 33% segundo as votaçons. Umha trapalhada que permitirá que cada centro ministre numha língua distinta iguais matérias (mesmo em inglês!), e que de seguro gerará um caos notável. Máxime quando se pretende que, de nom poder-se garantir o terço correspondente ao inglês, este repartirá-se equitativamente entre espanhol e galego... Manda truco! Ainda, permitirá que a nossa língua nom seja utilizada em nengumha matéria troncal em secundária se essa for a determinaçom das famílias que votem.

A FP fica em parte de lado, mostrando às claras que o PP legisla para umha comunidade mui reduzida de fanáticos ultras que se preocupam especialmente com as faixas etárias mais novas. O rascunho apenas menciona que se garantirá a "igualdade de competências nas dúas línguas" (aqui o inglês nom entra).

De novo, o PP diz oferecer liberdade para escolher o idioma. Liberdade, isso sim, controlada e parcial. Mas em nengum momento se enceta este discurso da participaçom escolar em matéria de horários, currículos, ou actividades extraescolares, por exemplo. Nem quê dizer de consultar o alunado...

Também nom é compreensível que as decissons que corresponde tomar à administraçom pública se deleguem nas famílias quando isto pode gerar um caos incontrolável para as direcçons e conselhos escolares, que deverám aguardar a consultas no período de matriculaçom para determinar qual será a língua para cada matéria por cada ano escolar.

Ressaltamos também que os concursos de translado do professorado requerem do certificado oficial de galego para as matérias que se vam ministrar nesta língua. Porém, elas variarám por centro e por ano (Infantil) ou cada quatro (Primária e Secundária).

Continuamos na mesma: nengumha garantia para o galego

De AGIR queremos lembrar, por último, algo que achamos engraçado se nom for tristemente certo: que os políticos do parlamentinho galego, incompetentes 100% em uso do galego, dem liçons de "competência lingüística" em duas vertentes absurdas:

1 - Comparar galego com espanhol como se fossem realidades idênticas que requeressem tratamentos idênticos.

2 - Diminuir a docência em galego vendendo competência plurilíngüe quando é objectivamente certo que nengum representante institucional sabe ainda enfiar vinte palavras num correcto galego.

Ainda, talvez o debate sobre as percentagens nos faga esquecer questons fulcrais: a garantia da qualidade do uso docente e o rigor na utilizaçom da nossa língua, a sua necessária independência face o espanhol via do reintegracionismo lingüístico, e o controlo na inspecçom do cumprimento do uso da nossa língua.

Entre tanto rebúmbio e, sobretodo, entre tanta farsa, opacidade e incoerência política dos defensores do "galeguismo", nós temo-lo claro: queremos um ensino monolíngüe partilhado com a aprendizagem de línguas estrangeiras em condiçons de qualidade e acesso às novas tecnologias.

 

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