Provas de competência linguística, mais uma razão para estudar português

Focadas às pessoas que não acreditarem o seu nível B1 com um diploma oficial

Quarta, 30 Junho 2010 00:00

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Xurxo Fernández Carballido (*) - Com os novos programas de estudos universitários, os estudantes que queiram tirar o título de grau ou do Máster em professorado de educação secundária obrigatória e bacharelato, formação profissional e ensino de idiomas (o antigo CAP) devem acreditar o conhecimento de uma língua estrangeira no seu nível B1.

Isto é o que estabelece o QECR (Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas – Aprendizagem, ensino, avaliação). Os estudantes estrangeiros devem acreditar o conhecimento de uma língua diferente à sua língua materna e os alunos e alunas que finalizem um grau que inclua um major ou minor de uma língua estrangeira terão automaticamente validado este conhecimento, sem ser precisa a sua acreditação.

Para as pessoas que não acreditarem o seu nível B1 com um diploma oficial (do Centro de Línguas Modernas, da Escola Oficial de Idiomas ou dos institutos internacionais, por exemplo o Instituto Camões ou o Cambridge ESOL) devem superar uma prova de competência linguística com duas componentes, uma prova escrita (expressão e interacção escrita, compreensão oral e compreensão escrita) e uma prova oral, onde se avalia a expressão e interacção oral.

Este ano académico 2009-2010 é o primeiro em que se fazem estas provas na Universidade de Santiago de Compostela, que têm umas vagas fixas para cada língua, assim:

  • Inglês: 250
  • Francês: 70
  • Alemao: 70
  • Italiano: 40
  • Português: 40
  • Checo: 20
  • Russo: 20
  • Japonês: 20
  • Dinamarquês: 10

Nas primeiras duas chamadas, Janeiro e Junho, a língua portuguesa situou-se como o segundo idioma de preferência para estas provas tão importantes. Sem superar este exame não é possível auferir o diploma universitário:

Números da prova de Janeiro de 2010

  • Inglês: 109
  • Português: 5
  • Francês: 5
  • Italiano: 4
  • Alemão: 1

Números da prova de Junho de 2010

  • Inglês: 352
  • Português: 27
  • Francês: 26
  • Italiano: 16
  • Alemão: 4
  • Japonês: 1

Após a realização de duas chamadas destas provas de competência linguística não se podem constatar mais do que as fraquezas do ensino na Galiza no que diz respeito ao ensino e aprendizagem de línguas.

1º- O ensino obrigatório e o universitário não asseguram que os formandos possam ser utilizadores independentes em inglês, é por isso que surpreende pela negativa que tantas pessoas façam os exames de competência linguística de inglês. O próprio sistema educativo devia acreditá-lo após tantos anos de formação (entre 12 e 20 anos!), mas é sabido que isso não é certo.

2º- A língua portuguesa, apesar de quase não estar presente nas escolas básicas e secundárias da Galiza, é a segunda língua de eleição para realizar estas provas, por cima do francês, segunda língua estrangeira, opcional ou obrigatória, nos centros educativos, o alemão, com professores titulares em várias escolas secundárias, ou uma língua muito fácil na teoria como o italiano.

3º- Das pessoas que se apresentam a estas provas em língua portuguesa sublinhar duas questões, o baixo nível dos licenciados em filologia galega e o nível muito proficiente das pessoas que realizaram o programa Erasmus em Portugal ou qualquer outro programa de intercâmbio nos países lusófonos, Brasil de preferência.

Gostava de fazer algumas reflexões sobre este último ponto, porque foram muitos os alunos do grau de língua e literatura galega queixosos por serem obrigados a “demonstrar” que são “aptos” em língua portuguesa, mas a realidade é que no plano de estudos dos formandos a presença da língua portuguesa é muito pouca e, se calhar, não focada nos seus aspectos mais práticos e comunicativos. Mas, é possível ser especialista em língua ou literatura galega sem ter um conhecimento alargado da língua portuguesa? Para estas pessoas, que com certeza podem ter alguma saída profissional à volta da língua portuguesa, esta situação apenas as deveriam encorajar a conhecer mais e melhor português.

A nota positiva é constatar como as pessoas que participam nos programas de intercâmbio, Erasmus é o mais conhecido, vêm com bom português, com boas experiências, alargaram os seus conhecimentos e desencauliptaram as suas mentes. Já ouvi e li alguma coisa em contra destes programas, segundo o qual, poriam em perigo a presença do galego nas aulas universitárias, é bem pelo contrário, para os estudantes galegos estes intercâmbios, qualquer, mas de preferência a países lusófonos, são uma mais-valia, no pessoal e no linguístico, pois potencia a projecção internacional da língua galega.

Em conclusão, esta nova norma universitária pode ser mais uma razão para estudar português, para que o português se instale nas salas de aula das escolas galegas e para que aumente a sua presença nas escolas de idiomas e nos centros de línguas modernas das nossas universidades.

 


 

(*) Xurxo Fernández Carballido é professor do Centro de Línguas Modernas da Universidade de Santiago de Compostela.