Sentença em espanhol apoia-se na RAG para denegar a galeguizaçom reintegracionista dos apelidos de umha vizinha de Ponte Areias

A Real Academia Galega exerce, mais umha vez, de “auctoritas” ao serviço do espanholismo e contra a galeguizaçom efectiva dos apelidos de umha galegofalante consciente

Sexta, 07 Janeiro 2011 00:00

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NÓS-UP - A solicitude de adaptaçom de 'Medraño González' para 'Medranho Gonçales' foi denegada pola Audiência Provincial de Ponte Vedra, com o suposto argumento de que “som formas portuguesas y no gallegas”, o que as tornaria literalmente “inaceptables” (sic) tanto para esse tribunal como para a própria Real Academia Galega.

De maneira claramente preconceituosa e em perfeito espanhol, o tribunal cita um informe emitido pola RAG, afirmando que na proposta de modificaçom de apelidos da vizinha de Ponte Areias “no se aprecia um propósito de regalleguización (que la ley ampara), sino de aportuguesamiento que no es objeto de la ley”.

A solicitude foi realizada por Ilduara Medranho Gonçales, integrante da Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular, como parte da campanha interna da nossa organizaçom para a galeguizaçom de nomes e apelidos da militáncia. Dentro desta campanha, um bom número de militantes, incluída a maior parte da Direcçom Nacional, tem já galeguizados apelidos como “Álvares”, “Cortiço”, “Lopes”, “Dias”, “Teixeiro”, “Pinheiro”, “Fernandes”, “Bergantinhos”, “Ribadulha”, etc, em cidades como Compostela, Vigo, Ponte Vedra, Ferrol, Narom, Ponte Areias...

Outros companheiros e companheiras tenhem os trámites em andamento e outras, como é o caso de Ilduara Medranho Gonçales, tenhem o processo legal paralisado à espera do recurso.

Pola nossa parte, de NÓS-Unidade Popular queremos apresentar publicamente umhas breves consideraçons em relaçom a este insólito caso:

1. Os que, como a Audiência Provincial pontevedresa, se gabam de salvaguardar a galeguizaçom utilizam exclusivamente o espanhol para redigirem umha sentença infumável como esta, que mesmo espanholiza o nome do seu referente “científico”, a Real Academia Galega.

2. O rejeitamento da galeguizaçom dos apelidos por parte da Audência Provincial de Ponte Vedra contradi as numerosas decisons favoráveis de outros tantos registos civis de vilas e cidades da Galiza, o que mostra as arbitrariedades legais e institucioais a que continuamente nos vemos submetidas e submetidos os galegofalantes.

3. Especialmente lamentável é o papel da RAG neste assunto. A Real Academia Galega exerce, mais umha vez, de “auctoritas” ao serviço do espanholismo e contra a galeguizaçom efectiva dos apelidos de umha galegofalante consciente. Os motivos pseudocientíficos que alega nom conseguem ocultar um flagrante e sectário ataque ao direito da solicitante a optar por umha orientaçom ortográfica de tipo reintegracionista.

4. Efectivamente, o informe da RAG incorre num sectarismo isolacionista doentio quando identifica como “português” um apelido, “Gonçales”, própria e exclusivamente galego, só polo facto de estar escrito com um cê cedilhado, letra inexistente em espanhol. Lembremos que a forma portuguesa correspondente é “Gonçalves”, mas a RAG admite unicamente o espanholizado “González”.

5. Em lugar de colaborar na construçom de barreiras legais contra o galego, melhor faria a Real Academia Galega promovendo a galeguizaçom, na normativa ortográfica que preferir, dos nomes e apelidos de boa parte dos seus integrantes, a começar polo seu presidente, que até bem recentemente tinha como único nome legal o de “José Luis Méndez Ferrín”.

NÓS-Unidade Popular manifesta o seu apoio à companheira e a todos os galegos e galegas que tenhem enfrentado e ainda enfrentam vulneraçons de direitos fundamentais como o de galeguizarem os seus nomes e apelidos em qualquer das formas socialmente rendíveis, com umha ou outra ortografia.

Que maior manifestaçom pode haver de falta de liberdade colectiva para todo um povo que a negativa legal para que os seus filhos e as suas filhas podamos adoptar legalmente a identidade que nos une com a nossa única naçom -a Galiza- e com o nosso único idioma -o galego-?


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