Um guiso marinheiro bem cozinhado

Sexta, 03 Junho 2011 08:43

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Jéssica Beiroa (*) - Umha caldeirada cheia de bom gosto e melhor fazer. Acrobata é e foi na noite compostelana de 2 de junho um presente para os sentidos. Ugia Pedreira e Fred Martins valêrom-se de nossos olhos e ouvidos para nos levarem a dar voltas ao Brasil, a Cuba, à Galiza... A um universo de evocadoras imagens sonoras com sabor a sal e a amor.

Umha estética impecável e colaboraçons de luxo como a do Pedro Pascual. E um nível artístico e humano que desbordou.

Vozes diretas, contundentes e ao tempo com umha candura extraordinária. E surpresas pequenas e temas dedicados, e vontades e maçãs «por se a fame apertar»...

Podiam-se sentir a música, as ideias, as pessoas e até pisar a areia ou sentir a água baixo os pés.

Um sentimento, como bem cantou o Fred Martins na peça que dedicou à Ugia Pedreira, de doce-amargo ao os escuitar falar de saudades com um interpretar tam lindo.

Ao preguntar à Ugia depois de rematar a atuaçom —num intento de resumir as impressões causadas—, «Como é que nos deste tanto?» ela respondeu, «Porque o temos». E a magia volveu, através do silêncio cúmplice, cair sobre o acolhedor lugar de Belvis, cheio de espetadoras e espetadores enchidos pola boa música e as melhores palavras.

Foi um concerto, sim, mas também um meio de transmissom de umha cultura que é a nossa, a da lusofonia.

Bonito e necessário Acrobata.

(*) Jornalista de profissom, dedica boa parte do seu tempo a aquilo de que mais gosta, a música tradicional galega. Antiga integrante da banda de gaitas 'Estivada' de Calo e do grupo de pandeireta 'Riscadela', atualmente forma parte de Arreixeira e percorre a comarca de Compostela dando aulas cada tarde e até a noitinha com a sua pandeireta e o seu gorjear (no bom senso da palavra).