Caso de discriminaçom lingüística no sistema sanitário galego

Terça, 24 Janeiro 2012 08:31

Atençom, abrirá numha nova janela. PDFVersom para impressomEnviar por E-mail
Engadir a del.icio.us Compartilhar no Twitter Compartilhar no Chuza Compartilhar no Facebook Compartilhar no DoMelhor

PGL - A seguir reproduzimos o escrito endereçado para o PGL por um cidadám que denuncia ter sofrido discriminaçom lingüística num centro médico de Vigo.

Os factos que vou relatar não começam no Hospital viguês Nuestra Señora de Fátima, em 16 de janeiro de 2012, mas em Vigo no Centro de Especialidades da Doblada em 19 de julho de 2011. A doutora T. diz-me na consulta que eu necessitava uma cirurgia e que tinha que assinar um consentimento informado para poder ser operado. Quando pedi esse documento redigido em galego, a doutora diz-me, com muita correção e amabilidade, que desconhecia a existência do equivalente em galego e que somente o tinha em espanhol. Eu não o assinei e dirigi-me ao Serviço de Atendimento ao Utente desse Centro de Especialidades. Esta era a terceira ocasião em que sofria um caso de discriminação linguística neste Centro de Especialidades pela mesma questão, mas essa é outra história.

A funcionária que me atendeu no Serviço de Atendimento diz-me que também desconhecia a existência de tal documento e eu tive que explicar-lhe que sim existia e que não era a primeira vez que o exigira e que demostrara a existência desse mesmo formulário. A dita funcionária ligou para a responsável do Serviço de Atendimento ao Utente do CHUVI e diz-me que se poriam em contacto comigo. Eu deixei nesse escritório uma queixa por escrito e esperei resposta. Não a houve e tive que regressar depois de um mês e enviar mais queixas: à Secretaria Geral de Política Linguística, à Chefia Territorial da Conselharia de Sanidade, à Conselharia da Presidência, Administrações Públicas e Justiza, ao Valedor do Povo e ao Defensor del Pueblo.

Então começou a carreira de obstáculos que já padecera noutras ocasiões. Tive que ouvir escusas tão absurdas como que a crise económica impedia que eu tivesse esse documento em galego. Da ajuda do Valedor do Povo posso dizer que não me ajudou em nada. Tive que procurar eu o documento e levá-lo à diretora do Serviço de Atendimento ao Utente do CHUVI para demostrar com segurança que todas as escusas que me deram eram falsas. O documento que eu necessitava existia desde 5 de janeiro de 2011. A única opção que me davam no CHUVI, e que me transmitiu também o Valedor do Povo, era que tinha que escolher entre os meus direitos civis ou ser operado. Sim, a administração galega não cumpre as leis que se aprovam no Parlamento galego.

Despois de 162 dias de espera na listagem de espera estrutural tive a oportunidade de ser derivado ao Hospital Nuestra Señora de Fátima com data aproximada para a cirurgia em 13 de fevereiro de 2012. O dia 16 de janeiro de 2012 tinha uma consulta em cirurgia. Antes de poder entrar no consultório entregaram-me na receção um consentimento para o tratamento de dados pessoais. Eu perguntei se o tinham em galego e a resposta foi negativa. A minha decisão foi não assinar o documento em castelhano e exigir uma cópia em galego. Minutos mais tarde uma empregada do Serviço de Atendimento ao Utente levou-me ao seu escritório e comunicou-me que nesse hospital não tinham esse formulário em galego e que não estavam obrigados a tê-lo. Eu mantive-me firme na minha decisão de exigi-lo em galego e então a empregada diz-me que se não assinava o documento em espanhol não me operariam.

Então eu diz para ela que se não me operavam teria que falar com a minha advogada, com a Mesa pola Normalización Lingüística e com os meios de comunicação e acrescentei que esse formulário podia ser traduzido pela Secretaria Geral de Política Linguística. Neste ponto pareceu entender que eu falava a sério e foi ter com o diretor médico do hospital. Quando terminou de falar com ele diz-me que o diretor médico ia falar com o SERGAS e que se poriam em contacto comigo. Ainda não se puseram em contacto comigo.