Candidatuta do Partido da Terra Eu-Návia defende a língua da comarca

Organização apresenta-se às eleições à Junta Geral do Principado de Astúrias marcadas para o próximo 25 de março

Sexta, 09 Março 2012 00:00

Atençom, abrirá numha nova janela. PDFVersom para impressomEnviar por E-mail
Engadir a del.icio.us Compartilhar no Twitter Compartilhar no Chuza Compartilhar no Facebook Compartilhar no DoMelhor

PT - Nas próximas eleições autonómicas do Principado das Astúrias, que terão lugar o 25 de março, participará por primeira vez uma candidatura centrada nos interesses da comarca de lusófona do Eu-Návia.

A candidatura do Partido da Terra Eu-Návia é uma iniciativa plural, integrando de pessoas vinculadas a diferentes coletivos sociais, associações culturais e organizações políticas, a maioria sem ligação alguma com o próprio Partido da Terra para além do interesse por dinamizar um relacionamento normal de pessoas que partilham uma língua comum aquém e além do rio Eu. Assim, participam da candidatura tanto independentes e membros do Partido da Terra, como pessoas vinculadas a outras forças políticas.

A candidatura denuncia no seu programa (http://partidodaterra.net/eunavia/wp-content/uploads/2012/02/Programa_glao.pdf) os graves prejuízos existentes em relação à defesa da língua do Eu-Návia e particularmente em relação aos esforços por aproximar falantes da língua comum, sejam das Astúrias, da Galiza, de Portugal, do Brasil ou de qualquer outro território onde viva a nossa fala. Assim, propõe-se a plena oficialidade do galego das Astúrias nos atuais concelhos da comarca e, eventualmente, nas paróquias constituintes do Concelho Comarcal, assim como a oficialidade da língua asturiana naquelas paróquias onde for patrimonial. A adequação dos limites administrativos da comarca será competência das paróquias que a integram, e poderão atender ou não a critérios linguísticos em função da sua livre escolha.

O Partido da Terra assume e usa habitualmente o Acordo Ortográfico de 1990 ao considerá-la a escolha mais útil e com mais possibilidades de futuro para desenvolver a potencialidade internacional da nossa fala como idioma extenso e útil. No entanto, coexistem dentro da própria candidatura outras preferências para a escrita da nossa língua, entre elas a proposta da Mesa prá Defensa del Galego de Asturias, respeitando-se toda e qualquer escolha normativa.

Neste e noutros aspectos, pretende ser uma proposta plural e integradora, acolhendo e estimulando a diversidade de pensamento, opiniões e identidades neste projeto coletivo e aplicando essa riqueza ao desenho de propostas orientadas ao conjunto da Terra Eu-Návia. A candidatura é transversal e democratizadora, estando caraterizada pola vontade de defender uma língua comum, diversa em matizes e denominações. O fim da discriminação e intolerância linguística é passo necessário para eliminar as barreiras que hoje por hoje impedem às gentes do Eu-Návia de usufruir o potencial da língua para se relacionarem com normalidade com o outro lado do Eu e com todo o universo linguístico galego-português, o qual representa um imenso potencial para todo o Principado.

No apartado linguístico, o Programa do Partido da Terra Eu-Návia inclui as seguintes propostas:

  • Oficialização plena do galego de Astúrias no Eu-Návia e do asturiano no resto do Principado assim como naquelas paróquias e concelhos do Eu-Návia onde for patrimonial;
  • Dar cabo das barreiras existentes para um relacionamento normal e, portanto, pleno, do Eu-Návia com o resto da Lusofonia, a começar pela possibilidade de receção das televisões e rádios galegas e lusófonas e da disponibilidade de livros, revistas, jornais, materiais audiovisuais e de consulta dos países com os quais partilhamos a nossa fala em todas as bibliotecas públicas e escolares;
  • Eliminação de barreiras ao uso do Acordo Ortográfico ou de outras normas, nomeadamente qualquer pretendida oficialidade ou determinação de critério de autoridade para opções ortográficas;
  • Ratificação institucional do Acordo Ortográfico e introdução da variedade internacional e outras manifestações orais da nossa língua (galega, portuguesa, brasileira e africana) como conteúdo nas aulas de “galego-asturiano” em todos os níveis de ensino, assim como facilitar formação geral e específica à população geral, com ênfase na administração pública e no mundo empresarial;
  • Adoção da nossa fala como língua do modelo educativo atual em primária e secundária, aplicando o direito internacional à imersão linguística na nossa língua como base legislativa à hora de contemplar a presença de outras línguas no ensino;
  • Facilitar a participação do Eu-Návia nos espaços institucionais galegos e lusófonos, especialmente nos implicados com o relacionamento linguístico, cultural e económico;
  • Implementar a normativa que garanta os direitos linguísticos dos cidadãos no seu relacionamento com os poderes públicos, efetivando que qualquer funcionário público (ou pessoal laboral ou de empresas que executem serviços públicos) que preste serviço no território do Eu-Návia apresente um domínio pleno da língua da comarca que lhe permita desenvolver a totalidade das suas funções e tarefas nesta língua, com independência da sua pertença a qualquer administração;
  • Generalização do uso de software livre em língua portuguesa nas instituições públicas da comarca como alternativa para a poupança de recursos económicos e a familiarização dos usuários com a variedade internacional da língua;
  • Derrogação de quaisquer disposições jurídicas que imponham a utilização (dever de uso obrigatório) do castelhano no Principado das Astúrias;
  • Estabelecimento de espaços específicos na nossa língua na Rádio e Televisão Públicas do Principado através de desconexões de caráter comarcal, aplicando critérios rigorosos na sua posta em prática, e fomento da presença das variantes internacionais da língua;
  • Suprimir a dobragem em todas as transmissões audiovisuais, introduzindo legendagem obrigatória em galego, asturiano e castelhano para toda a programação em outras línguas.