Como cada ano, Artábria lembrou a figura de Ricardo Carvalho Calero ao pé da sua casa natal

Homenagem contou com a presença intimidatória da Polícia municipal, algo inédito em todos estes anos

Segunda, 26 Março 2012 07:55

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Fundaçom Artábria - Foi a inícios da década de 90, poucos anos depois da morte de Carvalho Calero, que a nossa entidade, na altura Associaçom Reintegracionista Artábria, começou a convocar concentraçons anuais de homenagem à figura do ilustre ferrolano e galego universal.

Na altura, a casa natal da rua Sam Francisco do Ferrol Velho estava em mau estado, mas com os anos foi ficando ainda pior até chegar ao derrubamento parcial. Ano após anos, a nossa entidade reclamou insistentemente aos sucessivos governos municipais a recuperaçom desse espaço, parte da nossa história desprezada polas instituiçons públicas, mais preocupadas com outras atividades e outras figuras de importáncia às vezes muito inferior para o nosso país e a nossa cultura.

Finalmente, tanto nós como o resto dos ferrolanos e ferrolanas conseguimos que a Cámara Municipal adquirisse a casa natal de Carvalho, já em estado ruinoso, sem que até agorta tenha iniciado qualquer obra de recuperaçom ou decidido o que irá fazer com ela.

Por isso, e por outros muitos motivos, a Artábria continua a reunir-se cada mês de março na rua Sam Francisco, junto a alguns vizinhos e vizinhas, para ler uns poemas, dizer umhas palavras de lembrança e reivindicaçom da língua, da unidade lingüística, a normalizaçom plena do nosso idioma.

Assim foi que nesta sexta-feira, dia 23 de março, voltamos a fazê-lo, desta vez com duas novidades. Graças à iniciativa de alguns sócios, figemos um stencil de grande qualidade sobre os tijolos que tapam o acesso ao prédio, com o rosto de Carvalho. Ao lado, umha frase da sua abundante obra de defesa da nossa língua e contra a imposiçom do espanhol. A segunda surpresa, menos agradável, foi a presença intimidatória da Polícia municipal, algo inédito em todos estes anos, que parecia apontar para a nossa homenagem a Carvalho Calero, à nossa língua e à nossa cultural como qualquer cousa "ameaçadora" ou digna de ser perseguida. Fotos, identificaçons, vigiláncia permanente de numerosos elementos policiais do concelho, assim como carros ocupando as ruas de Ferrol Velho, dérom um caráter quase surreal ao ato anual da Fundaçom Artábria. Houvo até ameaças mais ou menos explícitas e pressons para que o ato fosse interrompido.

Contodo, tivemos leitura de poesia de Carvalho com Pim Patinho, Miguel Neira e Paqui Lopez; também Vítor Santalha reiterou as nossas reivindicaçons históricas em torno da figura de Carvalho e do seu legado patriótico; e acabamos cantando coletivamente o nosso Hino Nacional.

Se bem o realmente importante é que em Ferrol ainda lembramos as nossas figuras históricas como merecem, ainda portamos o seu exemplo de dignidade nacional e lingüística, nom deixa de ser destacável e denunciável que as instituiçons públicas nos ameacem por isso, em lugar de se porem a disposiçom de iniciativas sociais de base como a que a Artábria representa há mais 20 anos, primeiro como associaçom, depois como Fundaçom de Interesse Galego.

Nom deixaremos que nos intimidem nem deixaremos de lembrar os nossos e as nossas. Ricardo Carvalho Calero é um deles e continuaremos a dizê-lo alto e forte, reclamando, com Castelao, que se cumpra a vontade dos mártires.