Dez razões para ver 'Gartxot' nesta semana

Gartxot é um filme para os reintegratas, para as indepes, para os filólogos, para as historiadoras, para os músicos, para as etnógrafas, para os bascófilos, para as cinéfilas...

Terça, 27 Março 2012 00:00

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Maria Espantoso - No passado dia 23 foi estreado nos Multicines Compostela o filme Gartxot, com cujo autor se publicou umha entrevista no PGL há só uns dias. Sem pretensões de me fazer passar por entendida em cinema, vou expor dez razões (muito pessoais) polas quais recomendo ir visionar Gartxot nesta mesma semana.

1) Embora legendado, será dessas pouquíssimas ocasiões em que salas comerciais da Galiza exibam um filme em galego.

2) Esta versom galega chega mercê à colaboraçom da AGAL e, polo tanto, as legendas seguem a norma ortográfica que propugna a Comissom Lingüística da associaçom.  Nom é de admirar, pois o próprio diretor, Asisko Urmeneta, reconheceu em entrevista ao PGL o seu apoio à causa reintegracionista:

[...] sempre pensei que uma postura inteligente, criativa e de futuro é o reintegracionismo lingüístico, ou como o quigerem chamar. Um exemplo que vos copiaríamos, se a nossa língua tivesse Estados libertados!

3) Gartxot é, em certa maneira, um canto à multiculturalidade. A língua base é o basco, e só essa língua foi legendada. Há ainda numerosos diálogos em latim e até algum breve monólogo em ocitano.

4) Gartxot é também um canto em si próprio: a estrutura lembra a um romance (poético, nom prosaico), e os fragmentos cantados nom rompem o ritmo como nos clássicos filmes musicais made in USA, mas ao contrário, contribuem para criar o ritmo. E nom só isso: resultam essenciais para a ambientaçom e caraterizaçom dos personagens.

5) É uma obra de arte, nom um produto comercial. E é a história que os autores quigérom contar, nom a história imposta por um produtor ou um estúdio pensando em quotas de mercado.

6) Como a história foi a procurada, o resultado rompe os esquemas comerciais: um filme de desenhos animados que nom está pensado para crianças… sacrilégio! Com efeito, a história nom é apta para todos os públicos. Mais que pola violência (que é mais sugerida do que explícita), é-o polos jogos de palavras, as metáforas ou as elipses que constróem muitos dos diálogos e os cantos.

É um filme de animaçom para adultos. As crianças podem vê-lo, nom há cenas de violência esplícita que nom tenham visto na TV, mais recomendamos fazê-lo em companhia, porque podem surgir questons que um adulto – às vezes – pode responder.

7) É umha obra que nasceu com muita paciência —quatro anos—, e a técnica de animaçom resulta quase de feiçom artesanal, e com um ponto notável de mundo onírico.

8) Gartxot tem muitos tipos de público. Arremedando um antigo anúncio de umha conhecida marca de bebidas refrigerantes, é um filme para os reintegratas, para as indepes, para os filólogos, para as historiadoras, para os músicos, para as etnógrafas, para os bascófilos, para as cinéfilas...

9) IMPORTANTE. Nom é um filme do qual vaiam gostar todos os galegos: abstenham-se, especialmente, furibundos espanholistas e católicos fundamentalistas.

10) Ligando parcialmente com o anterior, há um segmento concreto do público galego que vai gostar especialmente, pois resultam inevitáveis as comparações com a doma e castraçom do Reino da Galiza. Citando novamente Urmeneta:

Gartxot é um grito coletivo de desconquista, que surge de todo povo que sabe que se for digerido, finalmente, antes o depois, acaba em merda.

 

 

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