O pinheirismo e a renúncia nacional galega

A Comissom de Memória Histórica da Gentalha do Pichel apresenta estudo sobre a figura de Ramom Pinheiro

Quinta, 28 Maio 2009 00:00

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"O pinheirismo e a renúncia nacional galega"

A Gentalha do Pichel - «Se o Dia das Letras procura apenas o reconhecimento de pessoas que cultivárom o galego, da Gentalha do Pichel nom temos nada que dizer neste 17 de Maio. Ramom Pinheiro foi um homem que demonstrou, todo ao longo da sua vida, querência polo seu idioma e pola sua Terra. Porém, esta atitude nom é meritória. É simplesmente a atitude saudável de qualquer pessoa que se reconhece no colectivo humano e na cultura que o rodeia»

Oferecemos a seguir o estudo "O pinheirismo e a renúncia nacional galega":

 

"A Guardia Civil anduvo a caza d'un nazonalista galego, d'un nazonalista de nome, procurou vel-os todos, todos os de nome, e veu que todos eles eran moi repubricanos, mui hespañoles, moi nazonalistas galegos...de nome, de literatura.

Ben e verdade que os nazonalistas galegos todos son literatos, todos todos. E a época da literatura coma vanguardia do nazonalismo galego xa pasou. Pasou a hora das “peñas” literarias e dos mentideiros artísticos.

Empor-iso cando chegóu o momento político, os literatos e os artistas non berraban xa viva Galicia Libre, senon viva a Repúbrica, porque tiñan a seguridade que con ises berros non ferían a ninguén." (A Fouce, 1930)

 

Se o Dia das Letras procura apenas o reconhecimento de pessoas que cultivárom o galego, da Gentalha do Pichel nom temos nada que dizer neste 17 de Maio. Ramom Pinheiro foi um homem que demonstrou, todo ao longo da sua vida, querência polo seu idioma e pola sua Terra. Porém, esta atitude nom é meritória. É simplesmente a atitude saudável de qualquer pessoa que se reconhece no colectivo humano e na cultura que o rodeia. Só os desleigados e inimigos doentes do que som -colonizados de todo o tipo- podem renunciar a esta atitude natural.

Ora, o Dia das Letras é muito mais. Desde as suas origens, a data quijo manifestar o importante papel dos homens e das mulheres de letras contra a assimilaçom da Galiza. O uso consciente do idioma foi a bandeira dumha empresa colectiva, em favor da dignidade dos galegos e das galegas, do direito a existir do país, e do papel sobranceiro das classes populares nesta estratégia resistente. Primeiro as maiorias labregas, e depois a classe trabalhadora, fôrom protagonistas das nossas letras militantes. De Rosalia a Celso Emílio Ferreiro, passando por Castelao, Cabanilhas ou Lourenço Varela.

Homenagear Ramom Pinheiro no 17 de Maio tem toda a intencionalidade do mundo. Primeiro, porque os homenageadores fam ouvidos moucos à petiçom, ano após ano, do movimento popular: reconhecer Carvalho Calero, um dos pais do reintegracionismo lingüístico, um abandeirado da defesa do idioma, e um militante galego de longa trajectória. Segundo, porque pretende consagrar o antinacionalismo que, sob a máscara de “defesa do país”, se infiltrou na causa da Galiza. Vejamos porquê.

As atitudes premiadas

Como é sabido, a obra escrita de Ramom Pinheiro é mais bem escassa. No que di respeito à sua produçom propriamente política, a achega é mínima. A Real Academia Galega premia, com esta comemoraçom, umhas atitudes, que som as exaltadas por todos os siareiros do autor lancarês. Em qualquer semblança que revirrmos, aplaude-se a “segunda época” de Ramom Pinheiro. Pouco interessa salientar o seu papel na Federaçom de Mocidades Nacionalistas na década de 30, como tampouco interessa pôr em destaque o vitalismo e o radicalismo político dessa geraçom de entreguerras: os Salvador Lourençá, Celso Emílio Ferreiro, José Velo Mosqueira, Remígio Álvares Gándara, Jaime Ilha Couto…as primeiras expressons de arredismo juvenil, combinadas nalguns casos com exercícios de vanguarda artística. Como é habitual ler nos hispanodependentes, nom pode existir nengum radicalismo galego, pois é antinatural e contrário às quintaessências do país. Assim, os compromissos de mocidade de Pinheiro seriam um sarampelo adolescente pois ele "foi um dos produtos mais importantes das virtudes dos labregos do país. Nom apenas pola sua origem rural, ou polo feito de essa psicologia dar o tom meio da época. Como eles, tivo tendência para o realismo e a prudência." (Antón Baamonde, El País, 13-4-09, o original evidentemente em língua espanhola).

Estabelecida portanto esta filiaçom ao realismo, as primeiras tentativas de reorganizaçom nacionalista nos anos 40 tampouco contariam demasiado. Ramom Pinheiro participa delas, em aliança pontual com anarquistas e comunistas, antes de se decidir talhantemente o abandono da luita política. É entom, nos começos dos anos 50, quando a trajectória deste autor merece ser destacada polas classes cultas. Quando inicia um enfrentamento aberto com a legalidade galega, sediada em América e representada polo Conselho da Galiza; quando, depois da dureza e do sangue derramado nos anos 40, a oposiçom social ao Regime começa a articular-se, de mao de pequenos gromos de obreirismo, e de incipientes achegas intelectuais das classes médias universitárias. Quando a recomposiçom é possível, ainda em forma embrionária, em distintos campos do antifascismo, os valedores da causa galega fam-se invisíveis e desertam.

Já antes de se produzir a ruptura definitiva entre os nacionalistas (em América) e os que deixam de sê-lo, as divergências fixeram-se notáveis. Assim o expressa, zangado, Afonso Castelao em carta a Ramom Pinheiro:

" Vós tendes a manía de mandar os xuicios feitos e moi ben ordeados, pero nós agradeceríamos que ademais nos mandárades os elementos de xuicio para que vos comprendéramos mellor. Necesitamos saber moitas cousas que nunca contades e que nós necesitamos saber para termos unha ideia do que ahí ocurre e de cómo ahí pensa a xente. Nós sabemos moitas cousas que contan os que veñen dahí, e os xornais máis importantes contan sucesos ocurridos en Galiza dos que vós endexamais falades. Por exemplo: ¿Queredes facernos o favor de decir si hai ou non guerrilleiros nos montes, se a aición destes guerrilleiros é importante ou non, se aituan como un exército dirixido ou se cada un fai o que quer, se as xentes continuan este meio de combate como útil, se as xentes meias están conformes con que os guerrilleiros aumenten e se impoñan, etc., etc.? Nós necesitamos saber moitas cousas que non-os contades. (Agosto de 1946)

Doze anos depois, fundada a editorial Galaxia, e com o processo liquidacionista totalmente consumado, Ramom Soares Picalho, num informe às Irmandades Galegas Plata, reconhecia abertamente as distáncias. Os galeguistas do interior, nom satisfeitos com gorar a organizaçom militante, negavam-se a admitir a dimensom política do líder rianjeiro:

"Recoñecemos e respetamos as circunstancias, duras e difíciles, que obligan ós nosos irmáns da terra a ser “realistas” e “posibilistas” no orden político. Pero non podemos aceptar que nós, desenvolvéndonos con libertá para aituar dacordo os nosos afáns políticos a prol da libertade da Patria, axeitemos as nosas aituacións coma si nós vivísemos nas mesmas circunstancias adversas en que eles viven alá. Eles consideran que eiquí perdemos o tempo e diñeiro en celebrar efemérides inaituales, politicamente: Aniversario do Plebiscito, mártires e homaxe a Castelao político. Comparten a ademiración universal por Castelao artista, home de ben e patriota vertical consustanciado historicamente coa sua terra; mais consideran a aituación política de Castelao coma circunstancial, aneidótica da sua personalidade. E nós, ademais das outras facetas da sua grandeira vida, queremol-o, ademirámol-o e honoramos a sua memoria, como líder e condutor político." (Informe às Irmandades Galegas da Plata, Janeiro de 1958)

O que segue a estas desavenças é bem sabido: desconsideraçom da legalidade galega de além-mar, fim do projecto nacionalista nascido em 1916, e intervencionismo constante na juventude, tentando frustrar a sua decantaçom para a a militáncia galega e o compromisso de esquerdas.

Homenagem ao abandono e nacionalismo de circunstáncias

Diz-nos o colunista regional que citávamos acima, esta vez com sinceridade: "o medo apavorava as consciências. A Editorial Galaxia era umha forma de fazer algumha cousa. Aliás, a ela podiam-se aproximar gentes que nom se queriam comprometer em actividades de maior risco." Com efeito. Alta cultura e tranquilidade das consciências, para negar-se a abordar o que as circunstáncias exigiam. Desta maneira, e com o argumento recorrente sobre a dureza das circunstáncias (“as condiçons nom o permitem”), o soberanismo galego reincidia na sua constante mais funesta: o abandono e a discontinuidade.

Na realidade, a deserçom de pós-guerra foi mais um capítulo, escrito reiteradamente desde 1846, por distintas promoçons de patriotas: o encerramento em falso de experiências de luita, para deixarem passagem a ermos organizativos, onde as novas geraçons tinham que recomeçar do zero. Assim aconteceu após a derrota dos insurrectos de Carral, após o esfarelamento do regionalismo, após a guerra de 36 e, em tempos mais recentes, após os golpes sofridos polo arredismo. Os militantes galeguistas do século XIX já se desesperavam tanto como desesperamos nós hoje:

Hay un país en Europa, sobre quien ha pasado medio siglo de vértigo, de convulsión, de utopías, de verdades, sin conmover sus entrañas mohosas, sin suavizar ligeramente una sola de sus aristas petrificadas. Dos generaciones ebrias de luz y de entusiasmo, dos juventudes, que entonaban su hosanna al progreso, lo mismo al sentirse arrastradas por el huracán del siglo que al zozobrar y estrellarse en el promontorio de la realidad o en el mar de arena de la centralización, han pasado por la vida y empleado todas sus fuerzas en hacer subir a Galicia hasta la cumbre, para ver, cuando se creían más cerca de ella, como rodaba su querido depósito hasta la oscura profundidad del abismo (...) Cuando han pasado treinta y tres años sin modificar lijeramente (sic) la idiosincrasia del un país, cuando los consejos e indicaciones consignados en un periódico de 1841 tienen la misma oportunidad e igual aplicación en un periódico de 1874, se requiere una inmensa fe para creer en la prosperidad futura. (Alfredo Vicenti, 1874)

Teoria: o pinheirismo na superfície

O sucesso de Pinheiro, entre outras muitas circunstáncias, pudo dever-se ao seu carácter fáctico. Foi um bom executor, parco na escrita, e actuante nos círculos consciencializados do País, que sempre padecêrom empachos de verbosidade e um escasso sentido prático. Ora bem, tampouco devíamos esquecer as suas achegas teóricas. Ainda que escassas, fôrom certeiras, e batêrom fundamente em algumhas consciências. A sua teoria político-social introduz-se, discretamente e de contrabando, em obras como "Siñificado metafísico da saudade" (1951), "Pra unha filosofía da saudade" (1953), "A saudade e Rosalía" (1962). Nem nos interessa nem somos capazes aqui de abordar a trascendência filosófica dos seus escritos. Procuramos mais exactamente desvendar as suas consequências políticas. Na sua atitude como intelectual (nos temas que aborda e nos discursos que tece), Ramom Pinheiro enuncia um comportamento intelectual que prefigura o comportamento colectivo das classes cultas galegas: a aposta em serem "notabilinhos" no canto de "notáveis", por palavras de Gil Hernández. Assim, o desprezo por elaborar um verdadeiro discurso nacional (que sempre é, no fundo, um discurso de poder e polo poder) camufla-se com o cultivo da filosofia de alto nível. Em toda a sua densidade filosófica, o lancarês nom fijo outra cousa que dar cobertura teórica a uns compromissos militantes, nas elites nacionalistas, que sempre foram fracos e discontínuos.

O projecto de “nacionalismo difuso” –logo conhecido genericamente com o nome de “galeguismo”- foi o estandarte desta posiçom. A lógica difusa nega o princípio de bivalência, segundo o qual umha proposiçom é verdadeira ou falsa. Escamoteando que os nacionalismos som, antes de mais, projectos de poder e controlo dos recursos e as formas de governo, dirimidos em soberanias plenas e indivisíveis, Pinheiro situa o projecto em termos de “sentimento”. E desta maneira dilui a oposiçom entre “galego” e “espanhol”.

Ante as petiçons, concretas e directas, de informaçom e guias de acçom que provinham dos nacionalistas do exterior, Ramom Pinheiro refugiava-se na vaguidade deliberada da linguagem filosófica de inspiraçom alemá. De além-mar, a liberdade tinha formas concretas: precisavam conselhos, precisavam homens, precisavam organizaçom, precisavam alianças. Do interior, o lancarês afirmava procurar umha liberdade mais autêntica, ontológica, e alheia a qualquer tentativa de luta pola liberdade social. A liberdade, concluía o lancarês “percebemo-la polo sentimento da saudade”. Afastado do saber profao dos “políticos” (dos militantes, diríamos nós), o sentimento galego fica em maos dos pensadores e os poetas, que actuam como guias colectivos: "A linguagem é a casa do ser. Na sua morada habita o homem. Os pensadores som os guardiáns dessa morada." (Heidegger, "Carta ao humanismo").

Deste ponto de vista, nom estranha que Rosalia seja apreciada pola sua conexom “ontológica” com a essência da Galiza, e nom pola sua identificaçom político-ideológica com os problemas vulgares da gente: tam vulgares como a emigraçom, a desculturizaçom ou a opressom de classe; idêntica operaçom à que se acomete com Castelao, que perde valor como estratega enquanto o ganha como caricaturista que apreixou o nosso génio colectivo. Também o sentido da entrega e do sofrimento, tam presente nos movimentos emancipadores ao longo da história, se distorce por completo. Nom se pode louvar a penúria que deriva da luta, o martiriológio militante, porque é terreno e vulgar. Antes, é o sofrimento solitário, existencial e introspectivo o que caracteriza o ser galego de Pinheiro: "quem tiver tal capacidade de sofrimento e souber exprimi-lo, tinha que ser merecente da devoçom popular. Assim aconteceu e acontece a Rosalia, que amam muitas gentes singelas que nom leram os seus versos. Somentes sabem que sofreu. Que sofreu por si mesma é por todos". Numha apropriaçom invertida do tópico espanhol sobre os galegos, Pinheiro faz da necessidade virtude. A submissom e choromiqueo galaicos, dignos de compadecimento dos alheios, erguem-se em mostra de sofrimento digno e saudoso. Com a negaçom da luta soberanista, da ánsia polo poder galego, Ramom Pinheiro introduz um ingrediente igualmente nocivo: o vitimismo, que nos retrotrai a umha outra forma de opressom onde a vítima recria a sua docilidade e assume a posiçom do amo.

Retórica: o pinheirismo de fundo

Até aqui o Ramom Pinheiro mais comumente assumido. Assim o viram quem se decidírom a combatê-lo. A mocidade das décadas de 50 e 60, que recupera a luita militante, constitui organizaçons políticas, fala abertamente de soberania e encavalga a causa galega no projecto da esquerda. Poderíamos pensar por isso que o pinheirismo foi intelectual e politicamente derrotado. Se figéssemos desta maneira, nom daríamos entendido a preeminência dumha ideia da Galiza que domina na classe política, no mundo intelectual, e nos meios de comunicaçom empresarial. Umha ideia, repetimos, que se desliga de qualquer reinvindicaçom de poder, e que avonda para as elites autonómicas ocuparem os postos subalternos da engrenagem espanhola. O pinheirismo continua a ser a ideologia dos notabilinhos, e explica fenómenos tam importantes na Galiza de hoje como a assunçom do bilingüismo, a perseguiçom da ortografia histórica, a autocensura intelectual e o emascaramento teórico-político da covardia.

Por ser um problema galego, este "é um problema nosso". E é um problema ainda mais cercano, quando atinge a medula do nacionalismo e mesmo do arredismo. Ainda a dia de hoje, em pleno 2009, este pinheirismo "de fundo" é um convidado invisível que se infiltra nas nossas fileiras.

Como é sabido, a declaraçom de guerra contra Ramom Pinheiro proclama-se no romance "Retorno a Tagen-Ata". O seu autor, X.L. Mendes Ferrim, participa também da tentativa prática de superaçom do pinheirismo, com o seu papel protagonista no nacionalismo de esquerdas. Na obra citada, Ulm Roam (transunto de Pinheiro) é assassinado por umha jovem arredista, que o acusa de “traidor”. Porém, Ulm Roam é assassinado simbolicamente, no campo literário e nom no político. Por palavras de Carlos Calvo, "Retorno a Tagen Ata" é umha estratégia dum intercámbio ritualizado de agressons simbólicas, onde um notável legitima o outro em cadanseu posto, mas sem alterar na realidade a posiçom inicial. As críticas cruzadas nom deitam luz sobre o lugar que ocupa cada quem, e nom passam dum “intercámbio ritualizado de narcisismos”. A partir de "Retorno a Tagen Ata" nasce o género da “ciência-ficçom política”, também chamada “política-ficçom”. A histórica incapacidade do nacionalismo pola transgressom sublimou-se, na voz das suas elites autorizadas, numha retórica belicista mais bem penosa. O próprio Mendes Ferim é proclive a estas incursons: "esta batalha (o romance Antón e os inocentes) é a primeira façanha bélica moderna das letras galegas; a literatura galega actual auto-abastece-se, como os bons guerrilheiros" (entrevista em "Vieiros", 2008); "a poesia é o primeiro território libertado na Galiza" (apresentaçom do Festival da Poesia do Condado, 1984).

Na realidade, e apesar dos esforços literários e jornalísticos por aparentar o contrário, o porvir do nacionalismo galego de esquerdas "nom se encontrou nos subúrbios", como se dizia a boca cheia nos anos 70. Floresceu numha nova classe média, e este sector social convive nas mesmas instituiçons culturais, empresariais e políticas que os presuntos rivais do pinheirismo confesso. Como a maioria das esquerdas maioritárias do nosso contorno geográfico, a galega é umha esquerda dos funcionários, os técnicos e os profissionais, "umha classe média equivalente à de qualquer país europeu", por palavras de Camilo Nogueira. Como nom pedimos o que nom há, também nom exigimos a esta classe que abrace o radicalismo político com que se disfarça, incompatível com a sua posiçom privilegiada. Devíamos pedir, isso sim, que se comporte como umha classe nacional, e que nom legitime as estratégias de subalternidade do pinheirismo. Para os notabilinhos passarem a notáveis, deveriam começar por desertar de todas as estruturas culturais e académicas espanholas, fundando instituiçons de seu. Ainda está por vir umha verdadeira malha mediática, educativa, editorial que situe a Galiza na centralidade, como projecto de soberania e de poder pleno sobre todo o nosso.

A cultura e nós

No entanto, que acontece connosco? Que acontece com o movimento popular? As pessoas que nom temos a cultura como umha forma de promoçom pessoal, nem umha mercadoria a fazer rendível. As que temos a cultura como umha forma de riqueza espiritual de que gozar, e como umha ferramenta de consciencializaçom para a causa galega. Há duas respostas, bastante singelas. Umha é cultivá-la com esmero para ampliar o território do comum, nem comprável nem vendível. E umha outra é defender, à margem de capacitaçons académicas e estatutos mediáticos, a nossa capacidade para produzi-la, conseguindo a base dumha Galiza que lute. Porque ainda que precisamos elites também sabemos, se cumprir, prescindir delas sem nenhum complexo.

 

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