Denúncia colectiva do racismo lingüístico na Galiza

«Podem-se cortar flores durante 1.000 primaveras, mas nom cortarám nunca a primavera»

Sexta, 10 Julho 2009 00:00

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De esquerda a direita: F. Pillado, Freixeiro Mato, Sánchez Rei, Garcia Negro, Villares Naveira, C. Armas Garcia, Carme F. Pérez-Sanjulián e F. Rodríguez

PGL – Na jornada de ontem, dia 9 de julho, no marco incomparável em que está situado o paraninfo da Universidade da Corunha, tivo lugar a apresentaçom pública do livro Sobre o racismo lingüístico, obra colectiva lançada ao prelo por Laiovento e coordenada pola professora doutora Maria do Pilar Garcia Negro.


Conversamos com Pilar Garcia Negro

Minutos antes do começo da palestra, do PGL tivemos a oportunidade de conversar com a professora Garcia Negro a respeito de diversas questons lingüísticas.  Seguindo o fio da obra recentemente saída ao prelo, a professora e sociolinguista apontou que «o racismo linguístico na Galiza é um fenómeno de longa trajectória, amparado historicamente polo Estado espanhol e hoje reforçado por colectivos golpistas, bífidos, que procuram somente a erradicaçom total da nossa língua».

Perguntamos-lhe à doutora se considera que as politicas do actual governo em matéria de língua terám efeitos irreparáveis. Citando Carvalho Calero, manifestou que «utilizando e empregando as armas do amor e do respeito, o povo galego deverá e saberá repor-se perante os graves ataques ao idioma legítimo da Galiza».

Aproveitando que a conversa trouxo para a frente a figura de Carvalho, também perguntamos sobre a opiniom que lhe merece que o Conselho da AGAL anunciou recentemente que iniciará contactos com entidades reintegracionistas e nom reintegracionistas para realizar o ano próximo diferentes actos de homenagem ao autor de Ferrol-Velho. Garcia Negro manifestou que «a AGAL pode e deve fazer uso da sua autonomia. Toda homenagem do nosso povo a Carvalho Calero nom é mais do que um acto de justiça histórica». Do mesmo jeito, destacou que com motivo do centéssimo aniversário do nascimento do insigne ferrolano, da AS-PG e ainda outros colectivos, tencionam também render merecido tributo ao autor.

«Calero não foi só um intelectual, Calero pujo a ciência ao serviço da língua», acrescentou. A este respeito e entre outras questons, aproveitamos também para falar do Poeta do Courel, Uxío Novoneyra, homenageado oficialmente com o Dia das Letras de 2010 e sobre o que o Conselho da AGAL anunciou que realizará diferentes actividades homenagem. Garcia Negro destacou que o colectivo reintegracionista «deverá salientar o que Novoneyra foi, um patriota integral que fazia uso da arte literária, autor de umha valiosíssima obra e que manifestou sempre um profundo amor pola Galiza e pola língua».

Gratos por nos dedicar parte do seu tempo e deleitar-nos com o seu verbo, sempre eloqüente, deixamos a conversa para assistir à apresentaçom da obra Sobre o racismo lingüístico.

«A actualidade demanda este livro»

O acto de apresentaçom foi inaugurado por Francisco Pillado, quem explicou que o livro foi umha encomenda pessoal dele à professora Pilar G.ª Negro, encarregada de juntar a um colectivo de autores que em menos de 15 dias deviam elaboraram uns textos que dessem resposta aos recentes e graves atentados contra a língua galega.

Como membro do tecido editorial galego, Pillado lamentou as insuficientes medidas tomadas polo governo da legislatura anterior e apontando para um caso concreto, referiu a decisom do governo do bipartido de eliminar o suplemento literário (do que Pillado e G.ª Negro fôrom promotores) que se emitia após o telejornal da TVG e no que se recomendava aos telespectadores umha obra literária galega.

Ávido leitor, o dramaturgo corunhês ainda destacou diferentes titulares que constituíam claros exemplos do apartheid linguístico que sofrem os galego-falantes na sua própria terra. Um dos exemplos que enumerou Pillado, foi o caso dos médicos que negárom atençom médica a galego-falantes e que actuárom com a cumplicidade da Conselharia de Sanidade, que a dia de hoje ainda nom se pronunciou sobre os incidentes.

Pillado, adaptando Cunqueiro, encerrou a sua intervençom com umas formosas palavras, que dedicou ao conselheiro de Educaçom Jesús Vázquez, Galicia Bilingüe e outros colectivos galegófobos: «Podem-se cortar flores durante 1.000 primaveras, mas nom cortarám nunca a primavera».

«O livro esta formado por artigos de artilharia contestatária»

Já no seu turno, a coordenadora do projecto, Pilar Garcia Negro, começou a sua intervençom destacando a capa do livro, na que aparece um convívio inter-geracional chegado de todos os pontos da naçom a Compostela para reclamar os seus direitos lingüísticos. A imagem representa «muitos e muitas, os que nom renunciamos ao uso do nosso idioma, mália a que haja que estar fadigosamente aturando o que juridicamente deveria ser denunciado, isto é, a imposiçom do castelhano sobre a língua de nós, imposiçom que vem de muitas décadas, ou mesmo centos de anos, atrás».

Pondo o acento nos artigos, Garcia Negro salientou a diversidade temática dos textos, que abrangem temas como o significado da estandardizaçom do idioma,  a inconstitucionalidade da segregaçom do estudantado por razom de língua ou a necessidade de afiançarmos um modelo de língua culta. «Sobre o racismo linguístico é um projecto duro e emocionante que surge perante os graves ataques à língua do nosso povo. Um compêndio de artigos de artilharia contestatária», destacou.

A autora do Sempre en galego quijo ainda destacar que «é o momento de renovar a velha pedagogia, que nom avelhoucada, para sermos nós mesmos, os galegos e galegas do século XXI» Garcia Negro pujo ponto final à sua intervençom ressaltando que «a língua da Galiza está submetida a um ERE [expediente de regulamentaçom de emprego] constante. Se consentimos a míngua dos nosso direitos, estamos evitando que o nosso País tenha um futuro digno».

Ademais da coordenadora, no acto participarom ainda os autores Celia María Armas García, Xosé R. Freixeiro Mato, Xosé M. Sánchez Rei, Francisco Rodríguez e o juiz Luís Villares Naveira, que destacou a ilegalidade inconstitucional das medidas aniquiladoras e desprotectoras do actual governo para com a língua do País.