Estratégias culturais da Galiza no Brasil (I)

Para o escritor galego Carlos Quiroga o casamento entre ambos os países é possível apesar da dissimetria

Segunda, 20 Julho 2009 00:00

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Para Carlos Quiroga, o casamento entre a Galiza e o Brasil é possível

Valentim R. Fagim - Os dias 20,21 e 22 de Julho vai decorrer na capital um workshop sob o título: Estratégias culturais da Galiza no Brasil. A infra-estrutura física e orçamental é fornecida polo Consello da Cultura Galega. O evento foi ideado, planificado e dirigido polo grupo Galabra.

Os relatores brasileiros som Tata Amaral, diretora de cinema, Yara Frateschi, professora catedrática de Literatura Portuguesa, Samuel León, editor, Luiz Ruffato, autor literário e ensaísta, Roberto Lazzarini, músico, Raul Juste, jornalista e Antón Corbacho, professor de literaturas em língua espanhola.

Antón Corbacho, galego residente em Goiás, foi precisamente quem abriu o diálogo levantando várias questons: estratégias para quem? Para serem implementadas onde? Com que objectivos?

Em opiniom de Yara Frateschi, há três factores que aumentaram a presença galega no Brasil nos últimos tempos: 1) O Caminho de Santiago, propagandeado por Paulo Coelho, 2) A emigraçom brasileira na Galiza e 3) a via institucional, como a criaçom de cátedras de estudos galegos em São Paulo.

Notou, no entanto, que o Museu da Língua Portuguesa, sediado em São Paulo, e que vem a ser o primeiro museu brasileiro em número de visitas, recolhe pouco ou errada informaçom sobre a língua na Galiza. Destacou que um dos vídeos, ao afirmar que “A língua portuguesa nasceu em Portugal”, na verdade estava a nom ser correcto. Acrescentou que os manuais escolares também nom contribuíam a emendar a ignorância dos estudantes a respeito da Galiza.

Raul Juste, filho de galegos, informou que quando o Clube Espanhol (formado por galegos) formalizou um pedido à Junta de cultura galega, esta enviou trajes tradicionais e professoras de moinheiras. Dava-se assim, para ele, um contraste entre a Galiza que ele visitava, em ebuliçom cultural, e o que Junta promovia.

Outros dos temas confrontados foi a emigraçom galega no Brasil e a sua utilidade para umha promoçom da Galiza no Brasil. Segundo Elias Torres, coordenador do grupo Galabra, som três os nexos galego-brasileiros: a liteartura medieval, a língua e a emigraçom. Luiz Ruffato, descendente de italianos, indicou a falta de reconhecimento dos galegos brasileiros como galegos e sim como espanhóis. Para Raul Juste a emigraçom galega, hoje muito envelhecida, nunca chegou a mostrar a sua face como sim fizeram a italiana, a japonesa ou a síria.

Por sua parte, para Tata Amaral, este pode ser um bom momento para divulgar a Galiza no Brasil já que o país está a viver umha melhora na sua economia, o que acarreta umha procura de raízes, umha volta às origens. Está a haver um reposicionamento das culturas no Brasil.

Corbacho assinalou que Espanha, na verdade, nunca tem contado com a emigraçom para planificar a sua promoçom. Para Samuel León, as instituiçons como o Cervantes sempre tenhem acompanhado a invasom económica e servido para aparar arestas servindo-se do plano cultural.

Sobre que imagem da Galiza mostrar, Roberto Lazzarini afirmou que os folclores nom interessam no Brasil, sequer os próprios e que seria bem melhor mostrar fenómenos culturais modernos.

Para o escritor galego Carlos Quiroga o casamento entre ambos os países é possível apesar da dissimetria e notou o carácter positivo da marca Galiza a respeito da Espanha que só aceitará divulgar a Galiza a partir do folclorismo.

Relativamente a que esferas culturais divulgar, advertiu que o texto escrito tem o problema da normativa. Para Roberto Lazzarini era preferível a música instrumental e achou imprescindível a existência de parcerias, de um vice-versa. Para Raul Juste, seja lá como for, é preciso o envolvimento de produtores culturais e do governo galego

Amanhã, dia 21 de Julho, o workshop girará sobre Comunicaçom e Áudio-visual.