Estratégias culturais da Galiza no Brasil (e III)

Derradeira crónica do workshop realizado polo Conselho da Cultura Galega

Quinta, 23 Julho 2009 11:23

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Devido à ausência de preconceitos, valorizou-se a possibilidade de entrar no Brasil com a marca 'celta'

PGL - O terceiro e último dia do workshop tinha como alvo a literatura e a música. Começou a intervir Yara Frachesti, professora catedrática de Literatura Portuguesa. No Brasil havia um conhecimento da lírica galego-portuguesa que estava a ser cada vez menor por causa do progressivo desinteresse pola literatura e a língua de Portugal. Umha proposta concreta para encarar isto seria elaborar um livro destinado a explicar ao público brasileiro a língua e a cultura da Galiza.

Já no terreno de difundir a literatura galega no Brasil, umha questom a esclarecer seria o formato do texto, traduçons ou adaptaçons? O Brasil e Portugal registaram no passado conflitos por causa da normativa.

O escritor Luiz Ruffato informou do interesse da editora Tinta Negra numha antologia de conto galego contemporâneo mas haveria um senom importante, um leitor brasileiro médio nom poderia ler se nom estivesse na tradiçom gráfica portuguesa.

Sendo como é o galego umha língua morta para os brasileiros, em opiniom do editor Samuel León, o grande motor seria enfrentar esse desconhecimento. A focagem poderia ser: «Existe umha outra língua portuguesa. Qual é essa?» Seriam precisos apoios institucionais para entrar num dos maiores complexos editoriais do mundo mas nom se poderiam reproduzir as discussons internas.

Para Dolores Vilavedra, professora de Literatura Galega da USC, haveria que optar pola traduçom já que umha língua viva nom se pode adaptar. Depois haveria que interrogar-se sobre a selecçom, seriam critérios de qualidade? de sucesso de vendas? Segundo umha imagem que quigéssemos exportar?

Informou também de que fora convidada a palestrar no Brasil e que lhe ofereceram fazê-lo em galego, o que era um bom sintoma de mudança de atitudes.

Samuel León retrucou a respeito da traduçom, posicionando-se polo Acordo Ortográfico. Estava a ver que no workshop os galegos falavam quase português e que se podia até, nos livros de poesia, incluir um Cd com a leitura dos poemas.

Valentim R. Fagim via numha traduçom a mesma estratégia que poderiam usar outras literaturas nacionais, como a coreana ou a chinesa e duvidava que isso fosse o melhor para nos mostar. Colocou o exemplo da adaptaçom do Sempre em Galiza que a área editorial da AGAL está a elaborar, pensando num público português mas sem tirar quanto de genuíno galego tem a obra. Para a professora Carme San Julián, a traduçom nom é a forma de estar no mundo lusófono.

 

Vista parcial da terceira sessom do workshop

 

Para a representante de Bahia Edicións, polo contrário, se nom aparece a traduçom, nom se sabe se o original é galego e fai-se-lhe um fraco favor à cultura galega. Para Carlos Figueiras, gerente de Holística, a verdade é que no Brasil os galegos somos coreanos. Colocou, deste lado do oceano, o exemplo de um original brasileiro de poesia editado por Estaleiro e que já somava 300 vendas.

Para Antón Corbacho a pergunta chave seria: qual o projecto da Galiza no Brasil? Segundo ele neste país há dezenas de pessoas interessadas na Galiza.

Na segunda parte da sessom foi o momento da música. Para Roberto Lazzarini, a melhor estratégia seria a mistura de estilos com participaçom de artistas dos dous países. Haveria que criar um gosto intercontinental. Umha proposta concreta seria 1 CD duplo, sobretudo instrumental. Um trabalho moderno e artístico que nom seria nem brasileiro nem galego, seria worldmusic, e a rítmica seria o grande elo.

Luiz Ruffato assinalou que o Brasil é um dos poucos países onde a populaçom consome música nacional e para além disso só entram os grandes artistas internacionais em língua inglesa.

Elias Torres colocou a hipótese de se a marca 'celta' seria útil para entrar no Brasil ao que se respondeu que, dada a ausência de preconceito, bem podia ser útil.

Passou-se um pequeno vídeo da experiência do gaiteiro Carlos Núñez no Brasil, e o seu representante, Fernando Conde, notou que a gaita funcionava no imaginário brasileiro como um elemento medieval. Exportar música galega para o Brasil seria, em sua opinião, utópico já que a olhada estava posta em Paris ou em Londres. No entanto, umha oportunidade poderia ser as regions periféricas brasileiras. De facto, da fase do governo bipartido existe um acordo com o governo de Minas Gerais.

 

Em primeiro termo, os professores Elias Torres e Carlos Quiroga

 

Para finalizar, Elias Torres noticiou que as resoluçons deste encontro seriam colocadas no site do Consello da Cultura Galega. Do workshop surgiram várias iniciativas mas nem todas poderám ser feitas e lamentou que, apesar de terem sido convidados, houvesse escassa representaçom do governo galego.

Existe, segundo se manifestou no encontro, a possibilidade de criar um espaço galego no Brasil em benefício dos dous países, há muitas vias possíveis mas o que também ficou claro é os nossos desencontros nom interessarem para efectivar este projecçom da Galiza no país-continente.

Ramón Villares, máximo representante do Consello da Cultura Galega, afirmou que tentará levar a cabo algumhas destas iniciativas ou interceder perante o governo galego para serem realizadas. Salientou que o projecto do Museu da Língua Portuguesa, umha mostra da Galiza que abrangiria vários meses, será estudada a sério pola instituiçom que dirige.

 

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