Galiza homenageou Manuel Maria cinco anos depois do seu passamento

Terça, 08 Setembro 2009 22:00

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Com a obra A Luz Ressuscitada de 1984, Manuel María inaugurou a colecçom ‘Criaçom’, editada pola AGAL

PGL – O poeta nacional, Manuel Maria, finado em 2004, foi hoje objecto de duas homenagens com motivo do seu quinto cabo de ano. Umha delas, na sua Terra Chá natal . A outra, na Corunha, cidade em que passou boa parte da sua vida.

No município de Outeiro de Rei, a homenagem começou por volta das 15 horas num jantar no que amigos do poeta compartírom mesa com as pessoas que quigérom participar. A seguir à refeiçom, houvo um recital em Penas de Rodas no qual vai foi lembrada a obra do poeta. Umha hora depois, os assistentes achegárom-se até o cemitério de Santa Sabela, situado à beira do Minho, para fazer umha oferenda floral. A seguir, recital acompanhado polas músicas de Tino Baz, Mini e Mero, Miro Casabella e outros.

Na Corunha, a homenagem intitulou-se Versos para sempre cantar, e projectou-se um documentário que  recolhe a biografia do poeta. Houvo também um recital de poemas por conta de Santiago Fernandes e Dores Tembrás e estreou-se a obra Aventuras e desventuras dumha espinha de tojo chamada Berenguela, interpretada por Maria Inês Quadrado com música do compositor Nani Garcia e o quarteto de clarinetes Geriom.

No acto de apresentaçom pública do evento, a vereadora de Cultura da cidade, Maria Xosé Bravo, tinha manifestado que a homenagem ia servir de reconhecimento a «um corunhês de adopçom».

Manuel Maria, a sua obra e o reintegracionismo

Manuel Maria Fernandes Teixeiro, nascido em Outeiro de Rei (Terra Chá) em 6 de Outubro de 1929, orfo de pai na adolescência, participou em Lugo nas tertúlias do 'Café Méndez Núñez' e estudou Filosofia e Letras em Compostela. Desde 1958 exerceu como Procurador dos Tribunais em Monforte de Lemos, e ao se aposentar foi residir para A Corunha.

Autor de umha extensíssima obra em galego e sempre comprometido com o nosso idioma, Manuel Maria foi o sócio número 469 da AGAL e posicionou-se inúmeras vezes como defensor do reintegracionismo lingüístico e chegando mesmo a publicar dous livros na norma da associaçom, como bem assinala o professor António Gil no artigo «Caro Manuel Maria, que estás nos céus!», que acompanha esta informaçom.

Com o volume A Luz Ressuscitada inaugurou, no ano 1984, a colecçom 'Criaçom' da Associaçom Galega da Língua. Este poemário diferencia em 141 páginas quatro epígrafes e um cento de poemas, que começam com o intitulado 'A Saleta', de homenagem à mulher com quem casou em 9 de Maio de 1959 e que foi a sua companheira até ao final da vida:

 

A SALETA

Nom sei como agradecer tanta ternura,
tantos dias usados em comum,
tantas horas de plenitude,
tanta beleza que enterrache em mim,
tanta luz gastada simplesmente
em olhar-me envelhecer; ofício duro,
doente, fatal e inevitável.
Eu só tenho, para celebrar a tua
nédia e imarcescível primavera,
esta melancolia senhardosa
semelhante, quiçá, a umha camélia
e as palavras murchas e azedas
que tentam florecer nos meus poemas.

Para além da publicaçom d'A Luz Ressuscitada, a AGAL honrou-se com a sua participaçom muito activa no congresso organizado sobre Álvaro Cunqueiro, em Mondonhedo, em Abril de 1991.

Fôrom muitos os críticos e estudiosos que se ocupárom da produçom de Manuel Maria, e umha Fundaçom com o seu nome, sediada na Terra Chá, editou umha comprida bibliografia. Na Gran Enciclopedia Gallega, Pilar Garcia Negro e X. M. Dobarro Paz, num verbete redigido no início da década de 80, salientavam nele três características: ter inaugurado como primeira voz inédita a literatura galega após a guerra de 1936, ser o escritor contemporáneo de maior produçom literária e, entre os da sua geraçom, os que manifestou umha maior fidelidade ao idioma próprio.

 

AS ORIGENS

Um volta sempre às suas origens,
aos lugares nos que está enraizado,
ao seguro torrom da própria tribo,
às sabidas conversas familiares,
aos velhos caminhos sem surpresas,
a escuitar a música do rio que
cruzou lentamente a nossa infáncia,
a sentir o som amigo das campanas
orvalhando soidades e lembranças.
E à alta maravilha de poder falar,
do jeito mais fondo e mais total,
coa luz que um amou, ressuscitada.

[D'A Luz Ressuscitada]

 

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