Crónica do I Encontro de Didáctica do Português

A EOI de Compostela acolheu o primeiro Encontro do Didáctica de português organizado pola DPG e o Instituto Camões

Quinta, 15 Outubro 2009 00:00

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Nas palestras apresentaram-se várias oportunidades a ter em conta.

PGL - No domingo às 14 horas encerrou o primeiro Encontro de Didáctica do Português que reuniu 60 docentes da Galiza, nomeadamente do ensino secundário. Tendo em conta que o número de professores em activo é 65, o evento é tido como um grande sucesso.

As primeiras palavras a abrir o encontro foram as de Filipe Presa, presidente da associação Docentes de Português na Galiza (DPG) e que fez uma revisão às iniciativas desenvolvidas até à data presente.

A seguir interveio Samuel Rego, representante do Instituto Camões na Galiza, que notou como a Conselharia de Educação galega do anterior governo ignorou os pedidos da Embaixada portuguesa para a implementação do português no ensino. Indicou que, mercê à pujança do Brasil no cenário internacional, estava a produzir-se um grande incremento na procura do português, destacando países como a Polónia e a Roménia.

Na segunda sessão intervieram dois docentes sob o mote “Situação actual do português no ensino secundário e planos futuros”. José Manuel Castro Castedo denunciou que não há especialistas a leccionar português já que os docentes são de língua galega. Igualmente, não há departamentos nem verbas. Em sua opinião, o papel do professor é fulcral na escolha da segunda língua que realizam os alunos. No centro onde lecciona, o IES Ánxel Fole (Lugo), um em cada quatro alunos teria escolhido português.

Maria José Díaz Pinheiro denunciou uma incoerência: a administração permite oferecer a língua portuguesa no ensino secundário desde que haja disponibilidade horária por parte dos docentes. No entanto, apenas a própria administração pode garantir que haja horas em anos futuros, pelo que o sistema é altamente instável. A palestrante apresentou várias oportunidades a ter em conta:

- Com a nova lei do Bacharelato, existe a possibilidade de escolher a língua estrangeira na prova de acesso à universidade (selectividade).

- O programa CUALE permite oferecer cursos de formação complementar que podem ser dados pelos docentes.

- Secções bilingues: existe ainda a hipótese de leccionar outras disciplinas (por exemplo, matemáticas ou ciências) em português.

No debate posterior, transluziu que os cursos que a Administração oferece em Braga têm tido uma utilidade prática muito reduzida: no acesso aos mesmos não se privilegiaram as necessidades educativas e sim os anos de antiguidade dos docentes; o número de professores galegos juntos na mesma sala de aula era muito elevado.

A sessão a seguir tinha por título “Experiências de intercâmbio entre alunos e alunas da Galiza e Portugal”. Isabel F. Domínguez narrou a sua experiência com o IES de Arçua e o Instituto Eça de Queirós da Póvoa de Varzim, na qual também se envolveu a Câmara arçuana e a Fundação Via Galego.

Nas fichas de avaliação do intercâmbio, os alunos destacaram entre os pontos em comum o idioma: a língua utilizada foi o galego, não houve em geral problemas de comunicação (não sendo os falsos amigos que acharam simpáticos) e descobriram que a palavra “caralho” era ali considerada forte demais.

Bernardo Penabade, ex-presidente da Agal e professor no IES Perdouro de Burela, começou manifestando uma tristeza, o facto de estes intercâmbios serem exóticos, e também uma alegria, o surgimento da DPG.

Apontou que era preciso afinar a estratégia para que o português chegue a toda a rede educativa. Segundo ele, em cinco anos todos as escolas secundárias poderiam oferecer português. Acrescentou que, para além da língua portuguesa, seria muito interessante que se incluísse as literaturas lusófonas.

À tarde, Paulo Feytor, presidente da APP, Associação de Professores de Português em Portugal, deu uma aliciante palestra sobre as “Competências orais no ensino do português”. Segundo ele, os portugueses não são educados para tomar decisões e por isso, entre outras coisas, levam cem anos a debater a ortografia. Queremos que os alunos aprendam a cozinhar, mas não os metemos na cozinha. Defendeu o uso de metodologias activas partindo da base de que quem “trabalha” nas aulas é o aluno, não o professor.

A última sessão da tarde tinha por título “Ensinar português na Galiza”. Iago Bragado falou da sua experiência como docente universitário no curso de Tradução e Interpretação, em Vigo, com alunos de várias nacionalidades que ficavam chocados quando ele, desde o dia primeiro, falava em português atendendo às necessidades da maioria da turma, que era galega. Segundo ele, é preciso não focar apenas as diferenças mas também os aspectos comuns que são uma ampla maioria.

Eduardo Maragoto, professor da EOI de Santiago, indicou que o avanço do português nas Escolas de Idiomas vai ser um termómetro para as instituições na hora de avaliarem a procura desta língua. Deu a boa notícia de que na EOI de Santiago se duplicara o número de alunos do Básico Integrado e que toda a oferta fora preenchida. A respeito das causas para se inscreverem, as três primeiras que os alunos aduziam eram: viajar, conhecer as culturas lusófonas e o trabalho.

Eduardo Maragoto forneceu uma informação bastante reveladora. Para poder oferecer-se o nível Básico Integrado (1º e 2º no mesmo ano) é necessário que a língua tenha o categoria de “ambiental”, isto é, presente no ambiente. Na Galiza há três línguas ambientais: galego, castelhano e português.

No dia seguinte, as intervenções foram mais do tipo didáctico. Na primeira sessão, “Recursos na Internet para a docência do português”, começou a intervir Valentim R. Fagim, presidente da AGAL e professor vários anos na EOI de Ourense. Explicou como funcionava um dos sites do PGL, o Planeta NH, e alguns usos didácticos para dentro ou mesmo fora das aulas, para o que mostrou a experiência no local social A Esmorga. Fez-se ainda um pequeno concurso ao vivo e a equipa vencedora ganhou manuais Do Ñ para o NH.

A seguir interveio Filipe Presa, presidente da DPG, que mostrou o uso didáctico de telefonemas através de Internet. Para além de questões técnicas e pedagógicas, ofereceu várias gravações das experiências que provocaram a simpatia do auditório.

A última sessão versou sobre o “Uso de Materiais Audiovisuais nas Aulas de Português”. Começou a intervir Salvador Mourelo, professor da EOI de Vigo, que dissertou sobre o uso do cinema. Colocou a experiência de ciclos de cinema lusófono a decorrer no seu centro de trabalho e ofereceu a avaliação do público onde Cidade de Deus, Central do Brasil e Jaime ocuparam os primeiros lugares.

Antia Cortiças, professora na EOI de Lugo, ofereceu hipóteses de trabalho com a música, desde preencher letras e karaokes a teatralizações.

O acto de encerramento correu a cargo do presidente da associação organizadora do evento que destacou o valor funcional da língua portuguesa no mundo e animou todos os docentes presentes a continuarem ou iniciarem a docência no ensino secundário.

 

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