Crónica da apresentaçom da Edizer Editora na Corunha

Edizer Livros pretende contribuir com a normalizaçom da norma reintegracionista no panorama editorial galego

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Edizer Livros publica seguindo a norma da AGAL

PGL – O passado domingo, dia 29 de Novembro, tivo lugar a apresentaçom do inovador projecto editorial Edizer Livros, editorial galega de prática reintegracionista.

Na seqüência da feira da cultura galega AchegArte, em que estavam presentes os principais representantes do sector, a empresa compostelana deu a conhecer ao público galego a sua proposta editorial.

Paulo Rico, trabalhador e sócio fundador da Edizer Livros, explicou os reptos desta pequena empresa cujo objectivo principal é oferecer mais um espaço de lazer para o desfrute do povo galego sem renunciar ao nosso principal sinal de identidade, a língua galego-portuguesa.

Paulo Rico reivindicou o papel desta casa editora, que nom é mais umha empresa, mas «um graozinho de areia para a construçom nacional galega, para a normalizaçom da nossa cultura e um acto de liberdade», pois pretende rachar com a imposiçom promovida pola oficialidade da obrigatória utilizaçom da grafia castelhanana para o português da Galiza.

Aliás, o editor sublinhou a sua aposta polo uso do software livre e da licença creative commons.

Intervençom de Diego Bernal

A seguir, interveu Diego Bernal Rico, membro da directiva da associaçom cultural corunhesa O Facho. O jovem filólogo, após agradecer o convite, centrou a sua intervençom no escritor que inaugura a Edizer Livros, o narrador romántico norte-americano Washinton Irving. Definiu-no como o mentor do representante mais internacional e mais importante da literatura norte-americana, Edgan Allan Poe, «de quem, a propósito, neste 2009 fam-se douscentos anos de seu nascimento», acrescentou.

Aliás, valeu-se das curiosas concomitáncias existentes entre ambos os escritores para explicar a influência das diferentes culturas europeias em Irving. «A relaçom de Irving com Espanha foi muito estreita, no entanto, atrevo-me a dizer que a sua relaçom com o nosso país foi nula» afirmou. Bernal sublinhou este facto para salientar a importáncia da traduçom de Irving por umha editorial galega, «este acto cobra umha dimensom maior por ser das primeiras ligaçons de Irving com a cultura galega».

Por último, recomendou a leitura do relato O dianho e Tom Walker «livrinho com o que nasce este atraente projecto editorial» e considerou de acertado o pequeno formato da obra «nestes tempos de precariedade laboral que está a sofrer especialmente a mocidade galega, com horários que quase nom che permitem aceder à cultura, este livrinho pode ser levado no bolso e servir de entretenimento em qualquer situaçom de espera» assinalou.

Intervençom de Carlos Quiroga

Encerrou o acto Carlos Quiroga, escritor e professor da USC, que citando Goldmann colocou o projecto numha das dimensons que orientaram toda a história das sociedades contemporâneas: a tendência para o possível, ao usar em positivo as possibilidades do galego na coincidência com o português –algo que dos primórdios de Murguia à consciência de Castelao todo o galeguismo predicou sem praticar. A outra dimensom, a tendência para adaptar-se ao real, teria sido precisamente a abusada na prática editorial do segundo quartel do século XX, o período mais produtivo da Literatura Galega de todos os tempos.

Para mostrar o diferencialismo em que se coloca o projecto Edizer, chamou dados dessa fase recente, que evidenciam a anormalidade galega a respeito doutras áreas geográficas: o esmagador peso das novidades ligadas a umha norma; a predomináncia do mercado do ensino; a venda concentrada especialmente em Setembro; o porte pequeno e até familiar das empresas editoras; a ediçom institucional (em ’97, Xerais edita 153 livros, mas a Xunta 183, e o 47% deles em espanhol).

Trabalhos de campo em bibliotecas, livrarias, estatísticas de sociologia da leitura no país, assim como monografias existentes sobre o assunto (Vid. “Radiografía dos libros galegos”, in Tempos Novos, nº 20, 1999, pp. 27-32), demonstram um quadro anormal nesse período, por outra parte consequente com outras anormalidades no terreno da língua, e até da política.

Em tal quadro, no que só a adaptaçom ao real orientou a macro-estrutura do mercado da ediçom, a micro-ediçom reintegracionista foi sobrevivendo em acoso permamanente e em associaçom periférica. Edizer Livros seria a primeira proposta em tentar o assalto ao mercado central tendendo para o possível e desde posiçons que qualificou de «laicas».

No contexto imediato, em que se constata o fracasso do oficialismo normativo, em que se encurta o subsídio à norma, e em que até o espanholismo reaccionário se apropria de divisas de resistência, como o surpreendente reclamo de ‘liberdade’, as possibilidades de toleráncia, aceitaçom e sucesso por parte do que reste da sociedade galega incrementaram. E a juventude «devidamente preparada» dos promotores do projecto, que hoje podem ultrapassar dificuldades antigas para entrar no mercado luso, e até contornar disputas de norma diferencial com o Acordo, também devem desenganar acerca da humildade aparente da iniciativa.

Nasce com um minilivro como algo simpático, mas é provável que este tenha carácter de pedra fundacional para o século XXI –e a partir de agora, Washinton Irving já terá que ver com a Galiza. Algo que desejou profundamente para a empresa e para os seus impulsores.


 

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