Uma língua não se faz só substituindo palavras

Crónicas das Jornadas de Língua em Ourense (IV)

Sexta, 05 Fevereiro 2010 00:00

Atençom, abrirá numha nova janela. PDFVersom para impressomEnviar por E-mail
Engadir a del.icio.us Compartilhar no Twitter Compartilhar no Chuza Compartilhar no Facebook Compartilhar no DoMelhor

O lexicógrafo Álvaro Iriarte

António Carvalho - Marcante conferência de Álvaro Iriarte nas III Jornadas de Língua que estão a decorrer em Ourense. O lexicógrafo redondelão e professor na Universidade do Minho (Braga), falou claro e sem papas na língua, com afirmações “duras” mas “realistas”, tais como “nesta altura o galego é um dialeto do castelhano”.

Durante a sua exposição Iriarte explicou que o sentido de uma palavra ou grupo de palavras numa língua vem determinado tanto co-textualmente (quer dizer, polo contexto linguístico) como pragmática e contextualmente.

Em casos de línguas tão próximas como o espanhol e o galego-português, com um vocabulário muito semelhante, e até com regras gramaticais também muito próximas, a diferença entre ambas está (ou deveria estar) justamente na combinatória léxica e no uso pragmático-contextual que se faz deste vocabulário “quase” comum.

Mas o que acontece quando isso se perde? Acontece o caso do galego dos nossos dias, em que simplesmente tratamos as palavras como etiquetas, reproduzindo exatamente a mesma estrutura que têm no castelhano com o resultado de um decalque absoluto com alguns toques lexicais.

O professor Iriarte afirmou que a solução para reverter a situação na Galiza é muito difícil, pois tudo faz indicar que estamos simplesmente à espera da desaparição da comunidade linguística galega. Contudo, apontou que essa solução poderá estar em «fazermos da língua uma moeda e não uma medalha».

 

Álvaro e Lisardo

Ouvir o áudio

JavaScript is disabled!
To display this content, you need a JavaScript capable browser.

 

Sobre o professor Álvaro Iriarte

Nasceu em Redondela e vive em Braga. Trabalha na Universidade do Minho, em áreas relacionadas com a lexicografia, a terminologia e a lingüística aplicada. Durante anos trabalhou na redação e na coordenação da equipa de redação do Dicionário de Espanhol-Português, publicado pela Porto Editora em 2008. Na altura é vice-presidente do Instituto de Letras e Ciências Humanas (Faculdade de Letras) da Universidade do Minho e académica da Academia Galega da Língua Portuguesa.

 

+ Ligaçons relacionadas: