Modelos linguísticos e o caso galego

Crónicas das III Jornadas de Língua em Ourense (e VI) e ainda mais

Quarta, 10 Fevereiro 2010 08:47

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Bernardo Penabade e Carmen Saborido

António Carvalho - E lá foi uma nova edição das Jornadas de Língua em Ourense, um evento que começa a se tornar um clássico por volta da língua, não apenas na cidade das Burgas mas em todo o País. As duas últimas sessões decorreram neste passado sábado, quando os professores Paulo Gamalho e Bernardo Penabade falaram sobre modelos linguísticos.

Imersão precoce e total: o melhor modelo testado

Desde há trinta anos, a Galiza adotou como modelo linguístico no ensino obrigatório a imersão parcial, com uma presença da língua dominada que não ultrapassa 50% das cadeiras lecionadas. A análise rigorosa das experiências vividas noutros países e territórios mostra que este modelo não consegue atingir os objetivos de igualdade de uso e competência para os que foi posto em prática.

Assim o demonstrou Paulo Gamalho, docente e investigador Ramón y Cajal na USC, dando a conhecer as avaliações e os resultados atingidos com outros modelos nos casos do Quebeque, do País Basco e da Catalunha, comparando-os com a Galiza e apresentando propostas adequadas à nossa realidade, propostas que podem parecer até algo “provocadoras”, tal como ele mesmo indicou, mas viradas para conseguir um modelo linguístico de sucesso.

 

Paulo Gamalho, docente e investigador

Conferência de Paulo Gamalho

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Modelo Burela: o antídoto contra o integrismo linguístico

Burela é uma pequena vila da Marinha cantábrica que concentra um importante contingente de população vinda de fora e uma das principais frotas pesqueiras da Galiza, mas a saúde do galego não parece ressentir-se por isso. No mínimo na transmissão oral, como salienta o Modelo Burela, o primeiro projeto de planificação lingüística aprovado por unanimidade num concelho destas características na Galiza.

Mas o Modelo Burela, apresentado em Ourense por Bernardo Penabade, aposta igualmente em demonstrar a utilidade económica da língua, através do contato direto dos seus responsáveis com diferentes setores da sociedade local para a dinamização de programas no comércio ou no turismo. E mais, está pensado para se poder aplicar em todo o País, nomeadamente nas grandes vilas urbanizadas e nas cidades galegas.

Por palavras do professor Penabade, principal impulsionador do projeto, «o Modelo Burela aposta no trilingüismo: partindo da socialização no nosso idioma, pretendemos um conhecimento fluído noutras línguas internacionais como o castelhano, é claro, além do inglês ou mesmo do francês.» O Modelo Burela é, pois, um autêntico antídoto contra o integrismo linguístico, venha ele donde vier.

 

O professor Bernardo Penabade apresentou o Modelo Burela

Ouvir Bernardo Penabade

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Músicas galego-luso-brasileiro-angolanas... no Planeta NH

As Jornadas de Língua foram muito mais do que as conferências propriamente ditas. Diversos concertos trouxeram a Ourense artistas da Galiza, do Brasil, de Angola, de Portugal. O ambiente festivo e a camaradagem serviram para descontrairmos e desfrutarmos dos diversos sabores da língua e da festa.

E ainda mais, o concurso Planeta NH, um clássico em Ourense, rebentou todas as previsões (e parecia que isso já não era possível). A experiência do passado dia 28 de janeiro faz pensar que os sonhos podem tornar-se realidade... e em Ourense ainda sonhamos.

Nada melhor que umas boas imagens para despedirmos estas crónicas. Talvez para o ano possamos contar mais... Quando menos fazemos votos para as Jornadas continuarem bem vivas, um dado muito positivo nesta edição é o número importante de novas pessoas na organização do evento. E para não ocultarmos dados: a assistência média às conferências foi de 70 pessoas e o número de inscrições 57.

 

 

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