XIV Colóquio da Lusofonia, Bragança setembro-outubro de 2010

Rachando o nevoeiro que nos torna invisíveis...

Sexta, 22 Outubro 2010 07:16

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Concha Rousia - Há nove anos que nasceram os Colóquios da Lusofonia; eu levo assistido aos três últimos em Bragança, e a outros três nos Açores e Brasil, e devo admitir que a cada vez pertenço mais a este território chamado Lusofonia.

Este ano os Colóquios abriram em Bragança o dia 27 de setembro, depois de o fazerem em Braga o dia 25 para inaugurar os Estudos de Açorianidade, e em Santiago de Compostela onde se celebrou o II Seminário de Lexicologia da AGLP.

No final da sessão de abertura desta XIV edição soou o hino dos Colóquios, dos que eu, junto da Isabel Rei e o Vasco Pereira da Costa somos autores. O nosso hino foi cantado pola assistência e pola extraordinária soprano Raquel Machado, tudo envolto nas notas do piano da Ana Paula Andrade, do Conservatório de Ponta Delgada; previamente Ana Paula e Raquel nos deleitaram com música tradicional.

Nesse mesmo dia ainda houve tempo para apresentações de publicações com os escritores Anabela Mimoso e Vasco Pereira da Costa, o editor Francisco Madruga, e eu, que apresentei o Boletim número 3 da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), o Cancioneiro de Marcial Valladares ‘Ayes de mi país’, o Léxico da AGLP, o Galiza: Língua e Sociedade, e os Cantares Galegos de Rosalia de Castro, que é o primeiro volume dos Clássicos da Galiza editados polas Edições da Galiza e a AGLP. Foi para mim um privilégio ouvir os poemas de Rosalia nas vozes dos escritores Mário Moura e Vasco Pereira da Costa, com os que tive a honra de recitar.

Nos dias a seguir esta segunda-feira memorável, o Colóquio durou até o sábado dia 2, os participantes pudemos assistir às comunicações trazidas por professores e professoras, pesquisadores vindos desde Macau, Brasil, Malaca, França, Itália, Estados Unidos, e também Portugal continental e as ilhas Madeira e Açores, e a Galiza, de onde assistiram com comunicações, para além de mim, o Ângelo Cristóvão, o Luís Foz, o Alexandre Banhos e a Margarida Martins. Devo salientar a elevada qualidade científica das apresentações. Muito proveitosa foi a Sessão de Esclarecimento que teve lugar no dia 29 setembro com a Escola Secundária Miguel Torga, na que participamos os representares das três academias, junto dos escritores Anabela Mimoso e Vasco Pereira da Costa e o presidente dos Colóquios, o Dr. Chrys Chrystello. No final, fomos agraciados com a medalha comemorativa do centenário de Miguel Torga e um livro alusivo ao mesmo.

Salienta na memória a homenagem ao escritor convidado, Vasco Pereira da Costa, que começara com a declamação do poema Ode ao Boeing 747 em 11 das 14 línguas para que foi traduzido. Eu li a versão traduzida ao Castelhano, e descobri que em Portugal essa língua me mete menos medo, e Foz leu a traduzida ao Catalão... este original começo foi seguido da declamação, por parte de Chrys Chrystello e de mim mesma, de uma dúzia de poemas do homenageado. A noite concluiu com a voz do poeta Vasco Pereira da Costa que nos ofereceu a leitura dos seus poemas...

Se tivesse que resumir os Colóquios numa frase diria que é um espaço no que crescer, um lugar ao que pertencer, um lugar no que existir sendo apenas o que um é, um lugar onde um se pode permitir ser vulnerável porque um se acha entre irmãos de língua, um lugar para querer ser visível. Houve tempo para quase tudo, também para visitar o castelo e os vários museus da cidade.

E no final as despedidas, que são um ‘até o próximo Colóquio’ ...e a troca de cartões e de abraços... e a volta pola mesma estrada, que a mim não me parece a mesma da ida, quando vou me vai oferecendo mais e mais, e quando volto me vai roubando... tudo vai indo bem enquanto consigo apanhar a ‘Antena Dois’ ou a ‘Rádio Brigantina...’ ora aos poucos começam a aparecer mais e mais as ondas castelhanas das rádios que infestam o nosso país e eu desligo a rádio para, em silêncio, continuar a morar na Lusofonia até chegar a Compostela. Imaginando o tempo que terá que passar até o Colóquio XV que será em Macau na primavera deste mesmo ano... Carregada de forças, de saúde de língua, e de irmandade lusófona, que leva o nosso nome daqui aos quatro cantos do mundo...

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P.S. Quando acabei de escrever esta crónica, recebi uma mensagem amiga que vinha confirmar a nossa visibilidade na Lusofonia, visibilidade que a mim neste outono de nevoeiros que atravessamos na Terra me soube melhor do que o pão, é foi por isso que decidi incluí-la como parte da própria crónica, por isso e também para honrar a pessoa que ma enviou:

"No outro dia, numas imagens que passaram no noticiário da SIC sobre o colóquio da lusofonia em Bragança, lá estavas tu, sentada na plateia, em lugar de destaque na imagem. Depois deu para ouvir um pouco do Malaca Casteleiro. Mas, sobretudo, foi bom ver-te ali, representante da Galiza que fala a mesma língua que todos nós, da Corunha ao Rio e de Luanda a Díli."