Sucesso de "Noente Paradise" em Ponte Vedra

"As letras de músicas presentes no livro foram entoadas por Ugia Pedreira a viva voz enchendo a sala toda"

Segunda, 28 Fevereiro 2011 00:00

Atençom, abrirá numha nova janela. PDFVersom para impressomEnviar por E-mail
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Antón Sobral, Raquel Miragaia, Marina Oural e Ugia Pedreira

Eugénio Outeiro - Umhas 40 pessoas assistiram ontem o lançamento de Noente Paradise que o Ateneo de Pontevedra organizou na Galeria Sargadelos da cidade do Leres. Um público escasso no início, mas que logo acabaria por mediar a sala, num acto ao mesmo tempo cálido e irreverente em que as três mulheres envolvidas no lançamento conseguiram impactar num público variado e certamente interessado.

Apenas cinco minutos antes do lançamento de Noente Paradise, as expectativas de assistência não eram muitas. As poucas pessoas presentes juntavam-se no fundo da sala numa conversa familiar e intensa, em que ganhava protagonismo a recente publicação da obra do actual presidente da entidade organizadora, Xaime Toxo, -bem apesar, diga-se de passagem, da natural modéstia que levava o autor a procurar outros temas de conversa. E neste ambiente, apesar da evidente experiência de Ugia Pedreira, Raquel Miragaia e Marina Oural Villapol para falar em público, respirava-se um certo nervosismo no encabeçamento da sala, a contrastar com a distensom amigável do fundo.

Logo se deixou notar, no entanto, a capacidade de convocatória que o Ateneo de Pontevedra tem ainda nesta cidade. A entidade, com mais de quarenta anos de história, conseguiu juntar outras tantas pessoas para o lançamento de um livro de poesia cujas existências levadas para aquele dia acabaram por se esgotar, tal o interesse levantado durante o lançamento.

O acto começou com Antón Sobral, o pintor e membro do Ateneo, fazendo umha emotiva e muito pessoal apresentação de Ugia Pedreira, com um acrónimo a partir do seu nome, em que a cada letra correspondia umha característica da personalidade da autora e cantora. Depois foi a vez de Raquel Miragaia, quem em representaçom da Através Editora fijo um breve percurso pola história da ediçom, centrando-se posteriormente nas principais características que ela, como leitora, distingue na obra de Ugia Pedreira: interdisciplinariedade, irreverência e ironia constante de quem se questiona a si própria num discurso que, no entanto, não deixa de ser construído à volta do conceito de identidade.

A seguir todos e todas tivemos possibilidade de desfrutar a voz poética de Ugia Pedreira ao vivo. Marina Oural Villapol, a amiga que meses antes tinha lido em viva voz os poemas à própria autora, veu convidada pola mesma Ugia, quem pensou naquela altura: “assim é que eu queria ler os meus poemas”. E realmente o público puido entender bem as razons das presença da amiga no acto, porque os versos, já por si próprios intensos, ganharam umha força expressiva que fijo que a sala ora ouvisse atentamente com olhada introspectiva, ora sorrisse perante as ironias e irreverências presentes nos versos.

Por último, foi a própria autora quem se apresentou ao público. Se a Marina Oural lhe correspondia o ofício de rapsoda, Ugia foi, como não podia ser doutra maneira, cantora. As letras de músicas presentes no livro foram entoadas por ela a viva voz enchendo a sala toda. 'Sabe a Pao', presente no disco que acompanha o livro, foi a primeira, a mesma que estará presente no disco Acrobata, que Ugia e Fred Martins preparam para daqui a pouco, e que curiosamente estava a ser misturado o mesmo dia em Ponte Caldelas. Mais se seguiram, e a sala ouviu com atençom a voz e a palavra desta revolucionária que conseguiu fazer levantar-se e ir-se algumha senhora que nom devia de saber bem onde estava. Mais um signo de autenticidade a prova de formalidades.

Quando Ugia acabou as suas músicas, abriu-se um turno de palavras e perguntas, mas ninguém falou. Talvez, penso eu, porque ninguém quigesse ouvir-se a si próprio. Talvez todos e todas nós queríamos manter na memória, polo menos mais um bocadinho, aquela voz em todas das dimensões da palavra e do espaço.