«Inicia-se a sessão no Parlamento de 'Ghalissia'»

Nacionalistas espanhóis pretendem proibir o uso do topónimo Galiza

Terça, 04 Novembro 2008 07:00

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G. Uz - A passada semana as cidadãs e cidadãos deste país vimos um espectáculo que por desgraça é cada vez mais frequente no Parlamento nacional: o dos representantes eleitos polo povo, novamente pelejados e enleados por questões linguísticas.

Os tristes protagonistas do último (mas não derradeiro) enfrentamento foram dous nacionalistas, o espanhol Ignacio López-Chaves e o galego Bieito Lobeira. E de fundo, o nome do País.

Ignacio López-Chaves é sobejamente conhecido pola sua atitude beligerante com o nacionalismo galego, em particular com a Conselharia de Cultura (chefiada polo BNG) na sua condição de membro da Comissão de Cultura da Câmara nacional. Nada se move em Cultura sem conhecimento do opositor López-Chaves, que pede cópias de todo documento, factura ou informe gerado, atitude considerada por muitos de inquisitorial e obstrucionista e que já leva custado mais de once mil euros às contas públicas.

Além deste labor inspector, López-Chaves também presume de ser um escrupuloso defensor da legalidade. Por isso, nunca perde ocasião de criticar o presidente da Comissão de Cultura, o nacionalista galego Bieito Lobeira, por iniciar sessões «do Parlamento da Galiza» em troca das do «Parlamento de Galicia».

No entanto, o mérito de advertir o erro não é só do deputado espanholista, mas também da Real Academia Galega. López-Chaves só soube do erro toponímico de Lobeira após se fazer público que a Conselharia de Cultura tinha pedido um parecer à RAG sobre a conveniência de utilizar o nome Galiza para designar o nosso país. O ditame da Academia, longe de clarificar nada, limitou-se lembrar que a forma oficial é só Galicia, ainda que Galiza, assinalava também, é forma legítima galega dos pontos de vista histórico e filológico.

A partir daí foi que López-Chaves iniciou a sua cruzada particular polo respeito da legalidade, fora das considerações histórica, filológica... ou cultural, objecto este também de tratamento por parte da Comissão de Cultura, talvez a mais adequada para normalizar o nome galego do país.

Na sequência da Comissão da passada semana, López-Chaves insistiu com maior virulência da habitual sobre o nome do país e apelando à legalidade, chegando a ser advertido em várias ocasiões polo presidente da Comissão (Lobeira). Vista a atitude do espanholista, o nacionalista galego respondeu com a mesma moeda, apelando à legalidade, a mesma que assinala que quando um deputado impedir o normal desenvolvimento da sessão, o presidente da Comissão pode e deve expulsá-lo, como assim sucedeu.

Interpretações divergentes


Porém, nem todo o mundo viu que Lobeira tenha agido da mesma maneira que López-Chaves. Assim, alguns jornais intitularam no dia a seguir que o deputado pepeiro tinha sido expulso por defender a forma Galicia ou, numa reviravolta ideológica, que o expulsaram por «defender a legalidade», ignorando também que se acabou fora da Comissão foi, precisamente, por vulnerar as regras mais elementares de comportamento dentro do Parlamento nacional.

Tampouco faltaram quem, aludindo a uso de um topónimo alegal (Galiza não está reconhecido no Nomenclator oficial), propôs o uso na Câmara de formas como Orense (que já se têm ouvido) ou La Coruña, esquecendo que estas, contrariamente do que Galiza, não contam com aval histórico e filológico (ao menos não para a língua galega).

Numa polémica similar ocorrida a começos de mês, já o BNG tinha reclamado o seu direito para utilizar a forma Galiza. Como teriam sido as cousas desta última vez para que até Luis Pousa, subdirector do El Correo Gallego (a 'imprensa amiga' do Partido Popular), realizasse as seguintes (e esclarecedoras) afirmações na crónica assinada por ele dous dias depois, 30 de Outubro (o negrito é nosso):

Hasta la fecha es público y notorio que la mayoría de los representantes del BNG utiliza el topónimo Galiza en vez de Galicia. Así viene siendo desde que en 1981 el Parlamento gallego echó a andar, y nunca hasta el martes pasado, 28 de octubre de 2008, esa utilización había sido motivo para montar una trifulca como la que, a cuenta de ello, armó el diputado popular López Chaves [...] mediante la táctica de fomentar problemas donde no los había. Pero se ve que su señoría tiene una especial querencia por el protagonismo mediático [...].
Parte de la obra gráfica de Castelao, que durante muchos años estuvo prohibida, es pura memoria histórica, como lo es la propia figura de quien murió exiliado en Buenos Aires y cuyos restos retornaron a Galicia gracias a la mediación de Fernández Albor, primer presidente autonómico de Galicia. Pues bien, el ilustre rianxeiro usaba el topónimo Galiza, cuyas connotaciones históricas son innegables por más que la toponimia oficial no se haya decantado por ella. ¿Qué galleguistas son quienes no entienden eso?

Pola sua parte, o Partido Popular, ao qual pertence López-Chaves, já instou a Câmara para que se pronuncie sobre a denominação oficial do Parlamento, deixando ver que só aceitarão um Parlamento de Galicia. O que ocorreria afinal se decretasse que só essa forma é válida? Poderia ser sancionado alguém por iniciar sessões no Parlamento de 'Ghalissia'? Quiçá não tardemos em sabê-lo.

 

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