A Ásia recebeu os Colóquios da Lusofonia numa ponte entre os Açores e Macau

Quarta, 27 Abril 2011 00:00

Atençom, abrirá numha nova janela. PDFVersom para impressomEnviar por E-mail
Engadir a del.icio.us Compartilhar no Twitter Compartilhar no Chuza Compartilhar no Facebook Compartilhar no DoMelhor

Chrys Chrystello, diretor da AICL (Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia) e presidente da Comissão Executiva dos Colóquios

Chrys Chrystello - Normalmente, o oriente veste-se de magia para os ocidentais e Macau acaba por ser mais esotérico ainda nas conceções que dele se fazem fruto de autores inúmeros que dele fizeram a sua base terena. Foi com estas premissas em mente que um grupo de cerca de quarenta pessoas partiu de vários pontos do mundo para o 15 colóquio da lusofonia.

Para muitos seria um batismo enorme intercontinental e intercultural, para outros apenas um regresso – mais ou menos adiado – a uma terra que partilharam com sonhos e projetos vários. Tratava-se do mais ambicioso de todos os colóquios depois da ida ao Brasil em 2010 graças à generosidade do alto patrocínio do Instituto Politécnico de Macau (IPM) que não só apoiava a deslocação de uma comitiva de 17 membros como ainda apoiou a estadia e alimentação dos restantes oradores e seus acompanhantes num gesto magnânimo raramente visto nestes dias em que todos clamam crise para se escusarem a apoios culturais.

A longa viagem começada pelas 12 horas de dia 9 em Ponta Delgada terminaria em Macau pelas 16.00 horas locais de dia 11 (08.00 PDL) para um grupo de 31 viandantes que se juntaram em Lisboa. Sem perdas de bagagem foram recebidos pelos representantes do IPM e transportados ao luxuoso Hotel onde iriamos ficar durante os dez dias seguintes a escassos metros do IPM.

Na manhã seguinte teve inicio com toda a pompa e circunstância o 15º colóquio por entre espetáculos musicais que incluíam danças e cantares portugueses interpretados por jovens chineses aprendizes de português há uns meros seis meses ou menos. Seguia-se uma demonstração do cancioneiro Açoriano preenchido pelas mágicas mãos da pianista Ana Paula Andrade do Conservatório Regional de Ponta Delgada acompanhada da jovem e promissora soprano Raquel Machado.

Depois das sessões iniciais dedicadas ao AO 1990 e outros temas, houve uma pausa para visionar um documentário sobre o quase extinto patuá de Macau seguida do primeiro banquete, oferecido pelo IPM, com laivos de corte imperial chinesa: 15 pratos e seis entradas, deixando a maior parte dos presentes de olhos e estômagos plenos de imagens e sabores. Momentos inesquecíveis na memória de muitos e a deixar antever o grau de hospitalidade oriental e seus protocolos rígidos a que todos automaticamente aderiram sem custo. Nessa noite já todos diziam que iria ser difícil igualar esta receção e as muitas honrarias que eram conferidas aos 48 participantes.

O segundo dia começou com o calor habitual 24-29 ºC e a humidade elevada fazendo crer que a ilha de São Miguel nos Açores era um lugar seco. Esta manhã era destinada ao roteiro cultural pela Macau antiga em homenagem a Henrique de Senna Fernandes e teve o seu início no Jardim Camões onde junto à lendária gruta se declamou poesia de Macau, Galiza, Brasil, África, Açores, etc…Depois foi a visita ao excelente Museu de Macau e seus percursos paralelos entre Portugal e Macau, à reprodução dos modos de vida, das fachadas de casa típicas da construção luso-macaense, e a obrigatória visita às Portas do Cerco, esse ex-líbris que o fogo quase consumiu na totalidade há mais de 200 anos. A visita terminava na Livraria Portuguesa onde se visitaram edições de obras de autores macaenses antes de prosseguir para um banquete português com caldo verde, bolos de bacalhau, entre outras iguarias, oferecido pela Fundação Macau no restaurante Pinnochio’s da Taipa ora remodelado e com três andares em vez do andar térreo que se lhe conhecia na década de 1970.

As sessões da tarde foram dedicadas a autores macaenses e a África antes de prosseguir na Livraria Portuguesa onde os três autores convidados (Vasco Pereira da Costa, Anabela Mimoso e Chrys Chrystello) iriam apresentar os seus novos livros. A sessão começaria com uma homenagem curta ao seu dono, o jornalista Ricardo Pinto, pela colaboração dada a um programa mítico da rádio TDM em 1980 (o uísque e a cola, de Chrys Chrystello). Curtas apresentações, mais algumas entrevistas e lá estavam todos de abalada para o Forte de Mong Há onde se situa a Pousada do mesmo nome e onde seria teria lugar o banquete oferecido pelo Instituto de Formação Turística, sendo os convivas as cobaias escolhidas para os mil e um deliciosos pratos confecionados pelos alunos.

A manhã do terceiro dia de sessões foi totalmente dedicada a autores macaenses, interrompida para mais um banquete e, de tarde, seguia-se a sessão plenária dedicada à Literatura e Açorianidade onde se homenageava Vasco Pereira da Costa, com a presença do editor convidado e do autor da diáspora, Eduardo Bettencourt Pinto (Canadá). Terminada esta sessão foi a comitiva e seu séquito de debandada para o Instituto Internacional de Macau onde se iria celebrar um protocolo dos Colóquios seguida de uma palestra do ex-governador Garcia Leandro e de um banquete ao ar livre de comida macaense típica.

No último dia de manhã houve textos dedicados a Macau e Açores estabelecendo as pontes que este colóquio se destinava a construir entre as insularidades da lusofonia afastadas continentes e oceanos. Ao almoço um banquete oferecido pela Direção dos Serviços de Turismo no luxuoso novo Hotel Lisboa Grand de Stanley Ho. Era a altura de correr de volta para o IPM e celebrar um Memorando de Entendimento entre os colóquios e o patrocinador deste evento, com a presença de todos os convidados e de cerca de vinte membros da comunicação social, com a habitual troca de presentes e as formalidades protocolares habituais.

Seguiu-se depois a última sessão antecedendo as conclusões do colóquio eivadas de agradecimentos e da promessa de regresso em 2012, por entre promessas de lutar contra a extinção dos crioulos locais. Por fim, o toque mágico de um espetáculo de viagem pelo mundo lusófono, percurso musical com atuações de representantes de várias zonas geográficas da lusofonia, da Índia a África e Ásia, com passagem obrigatória pelos Açores.

Terminava assim de forma sublime e mágica o colóquio deixando lágrimas nalguns dos presentes desejosos de voltarem uns e outros ansiosos por se fixarem em Macau. Os três dias seguintes por conta de cada um foram dedicados a visitar Zuhai na China, as ilhas da Taipa e Coloane depois de compras de souvenirs nas “Mariazinhas” e antecedendo o último dia dedicado a explorar à vol d’oiseau essa enorme metrópole que é Hong Kong.

Dos luxos e iguarias não falaremos aqui pois a imagem de profissionalismo e rigor cientifico foi o que mais marcou este 15º colóquio que o IPM coorganizou. Começou já a contagem decrescente de 18 meses para o regresso à cidade que foi do Santo Nome de Deus e que, dez anos após o regresso à pátria chinesa, fervilha de vida e de progresso.

* Diretor da AICL (Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia) e Presidente da Comissão Executiva dos Colóquios.

Fotos (à escolha):

 

NB: O 15º colóquio teve o alto Patrocínio do Instituto Politécnico de Macau não só à comitiva oficial como aos restantes oradores e seus acompanhantes, bem como os apoios da Câmara Municipal da Lagoa (Açores), da Presidência do Governo Regional dos Açores e da sua Direção Regional das Comunidades, bem como dos patrocinadores locais: IIM (Instituto Internacional de Macau), Fundação Macau, Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, Direção dos Serviços de Turismo de Macau, Instituto de Formação Turística de Macau, Publicações Adeliaçor (Açores).