Beiras: «A osmose com o mundo de além-Minho está na história do nacionalismo galego desde o começo»

Mesa-redonda em Vigo com Beiras, Nogueira e Ferrin

Sábado, 20 Dezembro 2008 01:51

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Cartaz do evento | Foto: Vieiros

PGL - Diferentes referências à língua e à sua unidade protagonizárom parte do debate que tivo lugar na tarde desta quinta-feira, 18 de dezembro, no Auditório da Fundaçom Caixa Galicia em Vigo, em que participárom José Manuel Beiras, Camilo Nogueira e Méndez Ferrin.

Subordinado ao título «Presente e futuro da esquerda nacionalista» o evento foi organizado polo Foro Galiza de Pensamento Crítico, e o interesse despertado foi tanto que o local ficou pequeno para o público, que mesmo tivo de ficar fora a escuitar a interessante mesa-redonda mantida polos referidos intelectuais e políticos galegos.

Na intervençom inicial, apenas Camilo Nogueira fazia referência ao tema linguístico, assunto obviado polos outros dous palestrantes nas suas dissertações. O debate centrava-se nomeadamente em questões políticas. Nogueira salientou o facto de o galego traspassar fronteiras e de o Brasil falar a nossa mesma língua. Definiu como um claro acto de soberania galega este reconhecimento da unidade da língua.

Já no turno de perguntas do público, os três palestrantes eram interpelados para se definirem na questom da identidade linguística galego-portuguesa. A Camilo perguntavam também pola contradiçom da defesa do espaço linguístico lusófono e a prática da escrita à castelhana.

O primeiro a responder foi o escritor ourensão Méndez Ferrin. Subindo o tom de voz e elevando a símbolo separador de línguas umha mínima diferença fonética, a pronúncia diversa do ‘e’ copulativo, manifestava a sua particular visom do idioma, implicando isto também umha crítica aberta à fala de algum dos intervenientes anteriores. Do público advertiam-lhe: «Com boeno nom se começa um discurso, boeno é palavra espanhola, todos temos que olhar para o nosso umbigo». Ferrin, longe de admitir a crítica, insistia no espanholismo: «-Boeno!», repetia.

A seguir defendia o termo «Galícia», baseando-se em escritos de Sam Martinho de Dume (520?-580) e Sam Isidoro de Sevilha (560-636), e obviando que ambos vivêrom numha época vários séculos anterior a o galego se ter formado (o primeiro escrito galego-português conhecido data aproximadamente de 1175), escrevendo portanto em latim, e o facto de Isidoro de Sevilha nem ser galego nem nada ter a ver com a Galiza. Quando do público alguém lhe dizia: «-Galiza!», Ferrin, em tom um tanto burlesco, respondia: «-Bem, pois toda para ti».

Camilo Nogueira manifestou ter falado galego durante cinco anos no Parlamento europeu e em todas as Comissões em que interveu, nom utilizando nada que nom fosse galego. Defendeu vivamente a unidade linguística, mas rejeitando o termo lusofonia para definir o espaço linguístico galego-português. Em referência à pergunta da coerência de defender umha posiçom e praticar outra, manifestou nom se querer sentir parte de umha minoria.

O ex-dirigente do BNG José Manuel Beiras concordava e subscreveu todo o exposto por Camilo Nogueira, afirmando que «a osmose e a relaçom estreita com o mundo de além-Minho está na história do nacionalismo galego desde o começo», mas matizando haver nesta relaçom cousas muito mais importantes que a norma ortográfica.

A seguir colocamos todas estas intervenções, por ordem cronológica. Embora o áudio nom seja da melhor qualidade achamos bem disponibilizá-lo pois julgamos que vale a pena a divulgaçom deste documento sonoro.


 

  1. Intervençom de Camilo Nogueira na palestra [1 min 51 seg]
  2. Primeira pergunta do público [3 min | 54 seg]
  3. Segunda pergunta do público [21 seg]
  4. Resposta de Méndez Ferrin ao público [1 min 45 seg]
  5. Resposta de Camilo Nogueira ao público [6 min 37 seg]
  6. Resposta de José Manuel Beiras ao público [2 min 01 seg]