Da Galiza céltica à Galiza do século XXI

Crônica multimédia das II Jornadas de História da Galiza (Ourense, março de 2009)

Sexta, 20 Março 2009 00:30

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Imagem promocional das II Jornadas de História da Galiza em Ourense

António Carvalho - Com uma média de assistência que ultrapassou as cem pessoas por conferência, além de um importante eco jornalístico, as II Jornadas de História da Galiza desvendaram alguns acontecimentos chave da história da velha Gallaecia, num evento realizado em Ourense durante este mês de março sob a organização da Esmorga e a AGAL.

O objetivo básico marcado pela organização era conseguir que os participantes adquirissem ideias mais profundas e soubessem de feitos, na maioria dos casos desconhecidas pelo grande público e/ou manipuladas pela historiografia espanholista, sobre a História da Galiza. Como bem disse Artur Alonso, uma das pessoas responsáveis pela coordenação, durante a apresentação das Jornadas perante a comunicação social, «a História é que nos permite saber o porquê do presente e, portanto, partindo das experiências conhecidas enfrentarmos melhor o futuro».

Dessarte, o pessoal conheceu as últimas investigações que resgatam a grande influência da cultura céltica na Galiza (André Pena Granha); bem como as migrações que recolonizaram o oeste europeu a partir do norte da Península Ibérica (Paula Sánchez); a grande importância do indigenismo na Galiza romana (Marcial Tenreiro); ou o rol vital da burguesia e as cidades durante as revoltas irmandinhas do século XV (Anselmo López Carreira).

Ainda, o pessoal pôde ter conhecimento de uma nova focagem sobre a Idade Moderna na Galiza, focagem que questiona alguns pontos da visão tradicional de séculos obscuros (Francisco Carballo); soube que a peculiar guerra contra o francês, ou ‘francesada’, dada a princípios de XIX, foi totalmente diferente do resto da Península e é um episódio fundamental para entendermos a Galiza contemporânea (Ernesto Vázquez Souza); conheceu as influências das línguas pré-romanas na história do galego ou português da Galiza (José Manuel Barbosa); e experimentou a força de uma Galiza colocada como tal no mundo do futuro (Camilo Nogueira).

Além de todos estas conferências formativas, as II Jornadas de História da Galiza contaram também com eventos lúdicos que chamaram a atenção de numeroso público que superlotou em cada atividade o local da Esmorga, fosse ela atividade musical, teatral ou concursal.

A seguir disponibilizamos, para o pessoal descarregar livremente, áudios e pdfs das diversas exposições que ocorreram nesta segunda edição das Jornadas:

Dia 9: André Pena Granha - «A Galiza: O berço dos celtas atlânticos»

Resumo da palestra: Faz 20.000 anos, fugindo do gelo (Carracedo, Sykes, etc.), a população européia encontrou um refúgio climático no noroeste da Península Iberica. Já no Neolítico, quando a glaciação se retirou, esta população migrou à Irlanda, depois da Irlanda à Grã-Bretanha, para retornar a partir de ali ao continente. É a Grande Migração dos Celtas. Esta exposição apresenta, nem mais nem menos, a génese e a evolução das instituições celtas, no berço que os viu nascer: Galiza.

 

Descarregar MP3 [Boa Qualidade | 39 MB | 1 h 22 min]
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Dia 10: Paula Sánchez - «Recolonizações do oeste europeu a partir do Norte da Península Ibérica: Genes e migrações»

Resumo da palestra: A análise de variação genética das populações humanas atuais permite reconstruir os diferentes movimentos populacionais que tiveram lugar durante a sua formação. Paula Sánchez apresenta o resultado de diversos estudos genéticos que procuram exprimir a origem das populações europeias, as quais apresentam distintas migrações que tiveram lugar no transcurso da sua história.

 

Descarregar MP3 [Boa Qualidade | 33 MB | 1 h 09 min]
Descarregar PDF Apresentação [4.7 MB]

 

Dia 11: Marcial Tenreiro - «Repensando a romanização: indigenismo e romanidade»

Resumo da palestra: A romanização tem sido concebida tradicionalmente como um fenómeno uniforme e unilineal conforme o qual a cultura romana era transplantada em bloco a uns indígenas que atuavam aqui como simples recetores passivos das novidades culturais do império. Nos últimos anos tem-se feito a nível europeu uma crítica considerável desta conceção da romanização salientando o carácter multiforme e a enorme variabilidade do romano-provincial, e dando cada vez uma maior importância ao papel das comunidades indígenas e das suas estruturas sociais prévias à hora de entender como se produz realmente a romanização. Na presente intervenção tentasse exprimir como isto pode achegar certa luz ao caso partícular da Gallaecia.

 

Descarregar MP3 [Boa Qualidade | 40 MB | 1 h 23 min]
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Dia 12: Anselmo López Carreira - «A Galiza Baixo-Medieval (1230-1485). Os irmadinhos»

Resumo da palestra: Em 1230 o reino da velha Gallaecia junta-se ao reino de Castela. Desde aí e até finais do século XV, salientam dois períodos marcados ainda pela vitalidade galega: meados do século XIV, quando o maior esforço realizado na Galiza para levar adiante uma política exterior e interior própria, com a linhagem dos Castro e a viragem para Portugal e o Atlântico; e meados do século XV, quando o movimento das Irmandades, um levantamento anti-senhorial que constitui o último grande acontecimento nacional da Galiza, pois envolveu todos os sectores sociais num âmbito global e nom só local.

 

Descarregar MP3 [Boa Qualidade | 25 MB | 52 min]

 

Dia 13: Francisco Carballo: «A Galiza moderna: fidalguia, proto-indústria»

Resumo da palestra: Uma fidalguía parasitária tece a história galega de impotência e de dominação do mundo camponês. Com o Clero e a alta nobreza detém toda mudança social imprescindível para a industrialização. Embora isso, a população cresce na velha Galiza, ao invés do que acontece no resto da Península.

 

Descarregar MP3 [Boa Qualidade | 26 MB | 53 min]
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Dia 14: Ernesto Vázquez Sousa - «De mouchos avisados e podengos corredores: A Francesada (1809-1814)»

Resumo da palestra: Notas sobre a organização política e militar dos galegos na Guerra contra os franceses (1809-1814). Resistência popular. Organização, independência e eficiência da Junta do Reino. Vitórias na Galiza. Campanhas exteriores. A cesão da Soberania.

 

Descarregar MP3 [Boa Qualidade | 40 MB | 1 h 24 min]

 

Dia 16: José Manuel Barbosa - «Dous momentos da pré-história da língua»

Resumo da palestra: Notas sobre o surgimento da língua galego-portuguesa no NW peninsular. Situação anterior à entrada do latim. Filiação da língua pré-romana da área galaico-lusitana. Chegada do latim. Filiação das falas galaicas. A situação linguística durante a Baixa Idade Media durante época de soberania galaica sobre a Hespéria. Hipóteses sobre a falta de documentos anteriores ao século XII.

 

Descarregar MP3 [Boa Qualidade | 27 MB | 57 min]
Descarregar PDF Apresentação [2.8 MB]

 

Dia 17: Camilo Nogueira - «Uma nação no mundo»

Resumo da palestra: Depois duma história como reino medieval independente, como reino submetido e marginalizado na Idade Moderna e após os esforços contemporâneos do movimento nacional galego por estruturar a vontade política pola autodeterminação, Galiza tem perante si o desafio de se constituir como uma nação no mundo, na consciência do seu carácter histórico, da dimensão nacional e universal da língua galega e da sua capacidade social e económica. Tudo em convivência com os povos peninsulares e europeus, mas arredada da ideia do Estado espanhol como nação única e necessária.

 

Descarregar MP3 [Boa Qualidade | 26 MB | 55 min]

 

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