Ramón N. Rodríguez: «O bilingüismo é umha alteraçom histórica deturpadora da realidade cultural e social da nossa naçom»

«A sociedade galega tem que entender, de umha vez por todas, que a língua está por riba de ideologias»

Terça, 08 Setembro 2009 00:00

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Ramón N. Rodrigues é crítico literário e autor de diversos trabalhos editoriais e jornalísticos

PGL - O filólogo e escritor Ramón Nicolás Rodríguez falou para o jornal Galicia-Hoxe sobre diversas questons que tenhem a ver com a Galiza, como o nacionalismo, as recentes e polémicas decisons do actual Governo em matéria de língua, o blilingüismo ou a produçom literária no país.

Na entrevista, realizada por Manuel Vidal, Ramón N. Rodríguez manifesta a sua concepçom do nacionalismo galego, entendendo que este deve beber de umha tradiçom universalista e democrática, aberto e nom excludente, em oposiçom ao «nacionalismo mesetário» de Aznar e da fundaçom FAES.

Já no que tem a ver com a língua, o professor avalia as recentes e perniciosas decisons do actual Governo com a nossa língua, explicando que som o resultado da conta que o PP urbano tem de pagar por umha presa de votos, também urbanos, que Galicia Bilingüe pujo nas suas mans. Fazendo referência a estes últimos como «os desleigados», citando Celso Emilio, Ramón Nicolás rejeitou fazer publicidade gratuita e falar dum sector minoritário marcado polo auto-desprezo.

Sem querer valorizar a responsabilidade do director-geral de Política Lingüística, Anxo Lorenzo, Ramón Nicolás explica que «a apresentaçom dos resultados de um inquérito que nom pode ter valor científico, ou as apariçons públicas que intentam justificar decisons como a supressom das provas de língua galega para aceder à administraçom galega, som magoantes». Ainda, o autor viguês, referiu que «a tímida reacçom do PSdeG-PSOE, mais atento a reestruturar um partido que mal assumiu a derrota eleitoral, tampouco ajudou muito a fazer entender à sociedade galega que a língua, de umha vez por todas, está por riba de ideologias».

Perguntado a respeito da questom do bilingüismo na Galiza, Rodríguez postulou que ele entende a Galiza natural monolingüe, e que falar da suposta harmonia das duas línguas «é como nom ter os pés no chao». Para explicar isto, Rodrigues enumera três perguntas: quantos filmes podem ser vistos em galego nos cinemas comerciais, quantos juízes e notários se negam a utilizar o galego, e quantos canais de televisom podemos ver e ouvir na nossa língua nos dias de hoje.

A este respeito, o filólogo acrescentou que interesses económicos e comerciais propiciam a presença maioritária do espanhol e que perante esta situaçom, nom harmónica, a Administraçom deveria velar polos direitos do povo. Umha das medidas efectivas, e por tanto eliminada, era a chamada discriminaçom positiva, totalmente lícita mesmo juridicamente.

Atento à criaçom literária desde há 20 anos, o crítico afirma que no seio do nosso sistema literário acha-se de tudo, como em qualquer outro sistema literário, sendo este âmbito um dos poucos plenamente normalizados. «Afirmar que umha literatura é inferior a outra é reger-se polos mesmos critérios acientíficos dos que opinam que há línguas superiores, ou inferiores, a outras».

Finalmente, no que toca ao seu trabalho como escritor (autor de trabalhos sobre Manuel Lueiro Rei, Luís Acunha ou Celso Emílio Ferreiro) e tradutor, Ramón Nicolás afirma o seu desejo de adaptar para o galego -em normativa oficialista- a última obra de Chico Buarque, Leite derramado, um projecto abandonado pola retirada das ajudas para a traduçom de livros. A boa nova é que, apesar das políticas públicas e das diferenças ortográficas actuais, a obra de Buarque continua igualmente a ser acessível às leitoras e leitores da Galiza.

 

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