Carlos Vázquez Padín: «Eu sou apologista dum modelo consistente no trilingüismo de que fala o PP»

Secretário-geral de Converxencia XXI explica para o PGL a estratégia desta nova organizaçom política no tocante à língua

Sexta, 13 Novembro 2009 00:00

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Carlos Vázquez Padín, secretário-geral de Converxencia XXI | Foto: Casteleiro

PGL - Desde há umas semanas uma nova organizaçom surgiu com força no mapa político galego: Converxencia XXI (CXXI). Ideologicamente galeguista e de centro, dizem aspirar a representar um quarto espaço político com hipótese de representaçom parlamentar na Galiza.

Do ponto de vista linguístico pretendem «defender o reintegracionismo de um ponto de vista exclusivamente utilitarista». Chamou-nos a atençom esta visom e estivemos com o tudense Carlos Vázquez Padín, secretário-geral de CXXI, para conhecermos mais polo miúdo a sua estratégia no tocante à língua.

Converxencia evoca unidade... a respeito da defesa e promoçom da língua galega é possível a unidade?

Converxencia implica a ideia dumha unidade trabalhada, dumha unidade conseguida na vontade de soma, Converxencia evoca a ideia de deslocamento face um ponto comum e portanto de vontade de unidade e nom de unidade preexistente. Relativamente à língua a unidade além de possível é imprescindível, temos que ser capazes de somarmos em favor da língua e para isso é preciso mudar de mentalidade e esquecer maximalismos e inflexibilidades duns e doutros.

Vinteún evoca o presente e até o futuro... mas qual o seu ideal de sociedade galega no plano linguístico?

Umha sociedade em que houver igualdade jurídica real para galego e castelhano e liberdade linguística num duplo plano: o do conhecimento por parte de toda a populaçom das duas línguas oficiais mais o inglês como língua franca internacional. Só conhecendo umha língua pode-se utilizar e, por exemplo, Rajoy nom é livre para falar galego ou inglês porque nom os sabe falar. Num segundo plano, o da liberdade real de uso, todos sabemos que em determinados ámbitos sociais, nomeadamente urbanos, empresariais, sanitários, etc. o uso do galego tem um custo.

Hoje o galego nom desfruta dumha igualdade jurídica já que existe a obriga legal de conhecer o castelhano mas nom o galego, os cidadaos galegos nom desfrutamos da liberdade do conhecimento do galego já que a sua presença no ensino (o ámbito mais favorável) é inferior ao castelhano, nem da liberdade do seu uso em qualquer ámbito e isto afinal nom é umha agressom contra umha língua, é umha agressom contra as liberdades individuais e democráticas dos cidadaos que gostariam livremente de se expressar em galego e que um estado democrático de direito nom deveria consentir. Rosa Díez diz que as línguas nom tenhem direitos, mas para ela as pessoas que nom falam castelhano tampouco os tenhem já que o ordenamento jurídico actual converte-nos em cidadaos de segunda e ela e outros que falam de direitos e de liberdade nom se importam com isso.

Galicia Bilingue o que defende é o direito á ignoráncia, o direito a nom ter contacto nenhum com um registo linguístico que desprezam como o galego e tratam de mascarar este propósito falando de liberdade, a mim, como liberal ofende-me esta prostituiçom do termo liberdade.

E a respeito do ensino... modelo basco, modelo catalám ou legalidade vigente?

Desde já, um modelo racista de apartheid linguístico como o que propom algum parece-nos mui negativo, gostamos dumha sociedade integrada e aberta em todos os terrenos, também no linguístico. Apostamos polo mesmo modelo para todas as escolas do país e o objectivo é que 100% da populaçom domine as duas línguas oficiais e o inglês.

Eu sou apologista dum modelo consistente no trilingüismo de que fala o PP, sobretudo vendo o baixo nível de galego e de inglês dos seus dirigentes, precisamente vendo este fenómeno entendo que o galego e o inglês devem ser primados para compensar o pernicioso efeito do quase monolingüismo em castelhano dos meios de comunicaçom social.

O problema real de competências linguísticas hoje da sociedade galega é que a gente nova das cidades tem um nível mui baixo de galego e de inglês polo que é óbvio que é ai onde há que focalizar. Espanha é o último estado da UE em domínio de línguas foráneas e o PP e o PSOE teriam que nos explicar o porquê já que som os responsáveis pola política educativa nos últimos 30 anos. Umha proposta que eu fago é ir tendendo face um equilíbrio de 40% em galego, 40% em inglês e 20% em castelhano para compensar o desequilíbrio actual nas competências idiomáticas.

Ao ponto... a Galiza existe por obra e graça do idioma?

Home, a Galiza é muito mais que o idioma, mas o idioma é o traço mais claro e importante da nossa identidade por isso os que aspiram a umha uniformizaçom linguística e cultural de Espanha sabem bem qual é o seu objectivo.

Olhemos além Minho... CXXI considera Portugal como um espaço de valor geoestratégico. Isto é afirmado por outros partidos mas rara vez efectivizado. O partido que dirige vai ser diferente neste sentido?

Que Portugal tem um valor geoestratégico para Galiza nom o tem que dizer CXXI, 70% do intercámbio comercial entre a Espanha e Portugal passa por Tui, e para mim a explicaçom tem dous pilares, a proximidade à fronteira de populações importantes como Vigo, Braga e Porto e a posse dum registro linguístico afim, como reconheceu o outro dia na TVG um jornalista do ABC, natural de Ayamonte, en Huelva que atribuía à afinidade linguística a maior profundidade das relações entre Galiza e Portugal que a de Andaluzia com Portugal.

Esta relaçom poderá alcançar todo o seu potencial quando os que pensamos politicamente em chave interna e internacional galega estejamos no poder, esta é a forma de aprofundar nestas relações e em todo o que nos oferecem. Nós à nossa escala já temos um relacionamento privilegiado com o Movimento Liberal Social de Portugal, associaçom que tivo a amabilidade de nós convidar a participar através do nosso laboratório de ideias, a GALIDEM (Asociación Galega para a Liberdade e a Democracia) no Congresso do Partido Democrata Liberal Europeu que terá lugar em Barcelona do dia 18 ao 20 deste mês.

A propósito, dizem defender o reintegracionismo de um ponto de vista «exclusivamente utilitarista»... como se traduziria isto em termos práticos?

Em termos práticos a traduçom disto seria umha aposta polo ensino voluntário do português em todas as escolas secundárias da Galiza, o estudo do português para um galego é extraordinariamente eficiente, com mui pouco esforço um galego pode ter um nível mui aceitável de português, ter a possibilidade de adquirir essa tremenda vantagem competitiva no actual cenário globalizado e com tam pouco esforço é algo que nom podemos continuar a desaproveitar.

Temos ademais dous exemplos em que nos mirar, o do Uruguai, onde o ensino do português é optativo em todo o ensino secundário e o da Estremadura espanhola onde o ensino do português está muito mais implantado que aqui. É algo absurdo que só se explica coa mentalidade subordinada, provinciana e complexada dos governos da Junta, tanto do bipartido como do PP, que pensam mais em nom ofender Madrid que em defender os nossos interesses e pôr em valor as nossas potencialidades. No entanto, a Lula dam prémios em Madrid polo impulso ao castelhano no Brasil, é terrível a hipocrisia do centralismo castelhanista de PP e PSOE.

Falando agora no Brasil... acha que como galegos e galegas temos algumha oportunidade a respeito dessa potência emergente?

Estamos a falar de mais umha potencialidade desaproveitada, sem perder de vista que somos um país pequeno. Relativamente ao Brasil deveria haver umha política exterior específica. Se CXXI chega a possuir cotas de poder, o relacionamento como o Brasil tem que ser explorado ao máximo. Os brasileiros gostam muito da ideia de que a sua língua nom nasceu em Portugal. Estamos a falar dumha das potências do presente e com mais futuro e, mais umha vez, a nossa afinidade linguística abre-nos as portas do Brasil de par em par. A posta em valor desta potencialidade faria subir muito a nossa cotação política em Espanha e toda Europa e deste peso político podia-se tirar proveito em muitos terrenos.

Voltando para a velha Europa... qual a oficialidade prioritária, a do galego no parlamento europeu ou a do galego no parlamento espanhol?

Para mim é muito mais importante a igualdade jurídica do galego e a liberdade para poder conhecê-lo e usá-lo no seu território. No caso de ter que escolher escolheria o parlamento espanhol já que com respeito ao parlamento europeu o galego já está presente cum estatuto de plena oficialidade através dum registo diferente do mesmo tronco linguístico como é o português padrom. Porque perder o tempo em conseguir um estatuto de segunda divisom se já o temos de primeira? Ademais, nisto há que ser práticos, e a língua da UE é o inglês com papeis secundários para francês e alemám, nom é operativo nem barato multiplicar as línguas até o infinito. Nom me molesta em absoluto falar castelhano em Madrid ou inglês em Bruxelas, molesta-me muito mais nom poder fazer um uso normal do galego na Galiza, nom poder viver em galego na Galiza que é o problema grave e real de falta de liberdade individual de hoje em dia.

Hummm... Ricardo Carvalho Calero ou Ramón Piñeiro?

Admiro o compromisso dos dous com o país ainda que o primeiro foi mais valente e avançado. Nom entendo que o desporto nacional dos galeguistas marxistas seja pôr podre a Piñeiro. Eu proponho que nos dediquemos a fazer o que ele nom fijo, issó é que é Converxencia, fazer o que Piñeiro nom fijo porque nom puido, nom quijo ou nom soubo.

Do ponto de vista linguístico/cultural, existem duas estratégias na Galiza, a que está em vigor e a galego-luso-brasileira. Qual julga que é tecnicamente mais efectiva para deter o processo de substituiçom da nossa língua?

Tenho claro que falta marketing, que os governos galegos de PP, PSOE e BNG nom soubérom ou nom quixérom fazer atractiva a nossa língua. Há umha serie de argumentos potentes e facilmente compreensíveis na defesa da nossa língua que nom se tenhem utilizado: a sua utilidade internacional, que com mais línguas mais facilidade para aprender outras, que o cérebro nom está limitado a umha soa língua salvo para Rajoy, que a nossa particularidade cultural nos fornece um papel no mundo global que nom teríamos sem essa particularidade, que devemos aos nossos antergos a conservaçom da sua obra, enfim, marketing básico que ninguém foi quem de usar até agora.

Relativamente à normativa nom o tenho nada claro, que a actual é um fracasso parece claro, mas obviar que a maioria da populaçom rejeita a ideia de que galego e português som a mesma língua tampouco parece mui prudente. Vejo com bons olhos a criaçom dumha academia da língua galega que defenda as teses reintegracionistas e que inclua vocabulário galego na nova norma internacional do português e que ademais obrigue os da RAG a espabilar ao ter concorrência, mas o seu nome parece-me um erro definindo-se como da língua portuguesa.

Eu creio que a via realista neste momento é a conservaçom da actual normativa como oficial mas apostando forte no ensino do português e em que as TV portuguesas e/ou brasileiras podam emitir em aberto na Galiza. Como nom poderia ser doutra maneira num democrata liberal, aposto por que a populaçom tenha contacto com as duas possibilidades e poda valorá-las para tomar umha decisom livre, tendo em conta os nossos interesses e preferências, umha fórmula de explicitaçom dessa decisom individual em poucos anos seria a admissom como oficiais das duas normas, a da RAG e o acordo ortográfico que postula a AGLP, quem teme à liberdade? Converxencia nom.