Luzia Cao: “As histórias nascem simplesmente da curiosidade das crianças”

A novidade das novas ediçons da GZe-ditora é que ambas vam destinadas ao público infantil

Terça, 01 Dezembro 2009 00:00

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Luzia Cao

PGL – Luzia Cao é a autora dos dous últimos títulos que acaba de dar à estampa GZe-ditora: Joana e a Lua e Joana e a Rã da Branha Nova, dous contos protagonizados pola Joana, umha criança que está a descobrir o mundo que a rodeia.

O chamativo desenho dos contos, com ilustraçons de feiçom manual, vai acompanhado de pequenos textos que familiarizam a criança com a nossa língua.

Do PGL pugémo-nos em contacto com a Luzia para falar de diferentes questons relacionadas com a sua obra. Eis a entrevista:

 

PGL - Cara Luzia, o que te levou a criar histórias para crianças?

Luzia Cao - As histórias foram criadas, à partida, para duas meninas: as minhas sobrinhas. Naquele momento não imaginava que pudessem ser publicadas. Mas ao ver que as pequenas gostavam delas e encorajada pela família, comecei a pensar em procurar uma fórmula para que qualquer pessoa pudesse botar mão dos livros se quiser. A GZe-ditora foi essa fórmula e estou muito agradecida à gente que a fez possível.

 

PGL - Qual a inspiraçom para as histórias?

LC - Acho que “inspiração” não é a melhor palavra para definir a origem destas histórias. Elas nascem simplesmente da curiosidade das crianças expressada a través de perguntas como: “O que foi que lhe passou à lua? Falta-lhe um anaco”, “Onde vai a lua?”. E no caso de Joana e a Rã: “Posso apanhar essa joaninha (ou essa bolboreta, ou esse passarinho...) e levá-la para a casa?”

Nos dous casos os livrinhos som um intento de responder essas perguntas dum jeito inocente mas coerente com a compreensão infantil.

Não lhe imos explicar a uma menina de três anos o ciclo lunar numa versão complexa. Acho que o importante é que entenda que a aparência da lua muda, e assim não se preocupe quando desaparece; porque dou fé de que há crianças às que lhes preocupa.

Quanto ao livrinho da rã... Como se lhe transmite a uma criança o conceito de empatia quando a sua visão egocêntrica do mundo não lhe permite ser ciente de que há mais pontos de vista do que o seu?

A criança está certa de que o bicho que quer levar consigo vai ser muito mais feliz ao seu carão que estando ceive. A história da Joana só pretende apoiar graficamente os argumentos que as pessoas adultas dão às crianças nesses casos. Mas evidentemente as explicações ao respeito, terão de ser muitas vezes pacientemente repetidas, pois a criança não será quem de entendê-las entanto não alcance o desenvolvimento necessário.

 

 

PGL - No primeiro dos contos publicados (a Joana e a Lua), descobrimos à Joana. Haverá novas histórias com outros protagonistas, ou as obras terám como figura central à Joana e família? Podes adiantar-nos algo?

LC - Quando fazes as cousas pelo simples gosto de as fazer, e não por encomenda, não te formulas projectos para o futuro. Quero dizer que não as premeditas, senão que as fazes quando tens ganas e te sentes motivada. É por isso pelo que não sei se haverá um outro livrinho da Joana. Dependerá de que se volvam combinar esses dous factores.

O que sim posso dizer é que tenho quase rematado outro conto, bastante mais extenso e para crianças de maior idade, sobre os oito ou nove anos, acho. Mas para ser publicado deverá passar por várias peneiras.

 

PGL - Quanto à distribuiçom digital das obras, achas que o suporte electrónico é nos dias de hoje mais efectivo para a difusão do que o livro em formato físico?

LC - Se falamos estritamente de “efectividade para a difusão” estou convencida de que sim, sobretudo tendo em conta a marginalização comercial à que está submetido neste pais todo o que se publique com a norma internacional. Procurar textos deste tipo, em papel e nas lojas da Galiza, é pouco menos que uma odisseia. Ou se vai a umas livraria contadas, ou a Portugal, ou mercas numa loja a través da Internet.

Por outra banda os custos de publicação em formato digital não são comparáveis com os do papel. Os recursos materiais necessários são mínimos e as publicações passam a depender quase exclusivamente da vontade de pessoas como as da GZe-ditora e das autoras e autores. Este feito tem um valor imenso porque permite partilhar livremente textos que, de outra maneira, dificilmente seriam divulgados.

Ademais no referido à nossa língua, tendo em conta a ausência de barreiras normativas, o âmbito da oferta e da procura é a Lusofonia inteira.

 

PGL – O que gostarias de conseguir com a publicação dos livros?

LC - Por desejar, desejaria duas cousas: que às pessoas que lhos queiram ler às suas crianças lhes sirvam para partilhar um anaquinho de tempo com elas; e que encoraje a outras pessoas a utilizarem a Internet para divulgar livremente os seus trabalhos.

 

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