Domingos Simões Pereira: «Português está a tornar-se uma mais-valia económica»

17% do Produto Interno Bruto de Portugal está relacionado com ganhos da língua

Terça, 09 Março 2010 00:00

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Domingos Simões Pereira (Foto: João Girão - DN)

PGL Portugal – Numa entrevista recente publicada no Diário de Notícias, o secretário do executivo da CPLP manifestou que o organismo está a ganhar peso a nível internacional, e que se estão a dar, por outro lado, alguns passos na consolidação interna nesta comunidade de oito Estados.

Pereira, que explica que a Assembleia Parlamentar da CPLP é um órgão novo, criado em Abril de 2009 e esta é primeira reunião de trabalho, espera-se que os participantes façam um ponto da situação no domínio da legislação e que reflictam sobre o papel que podem desempenhar numa organização multilateral. Espera-se que abordem a questão de circulação de pessoas e de cidadania. Está na mesa a aprovação do estatuto de cidadão da CPLP e a abertura das fronteiras no espaço da comunidade.

Na entrevista, Pereira fala dos planos de trabalho imediatos da CPLP, fundamentados em congressos, reuniões e acordos. Ademais, o secretário do executivo da CPLP fala da importáncia do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que está em fase de reestruturação e uma das vertentes a privilegiar é a formação de tradutores:  «Achei muito interessante uma constatação feita por um  especialista inglês em que este afirmava que a maioria das línguas quer concorrer com o inglês, quando isso já não faz sentido. O inglês é algo básico. Assim, devemos pensar, em termos da CPLP, que aquele que recruta no mercado de trabalho procura para além do inglês. O português tem uma oportunidade muito grande; além do número de pessoas que o falam, é a sua localização geográfica em todos os continentes. E há coisas extraordinárias, por exemplo, no Senegal, há permanentemente 15 mil pessoas a aprenderem o português...  por motivos económicos, argumenta».

Nesta linha, Pereira concretiza: «Em 2009, o Instituto Camões promoveu um estudo sobre o valor económico da língua e concluiu que 17% do Produto Interno Bruto de Portugal está relacionado com ganhos da língua. São transacções económicas dependentes da língua. Por isso, é importante que os decisores e a sociedade civil entendam que a língua não é só uma questão de nostalgia, de afecto, é mais do que isso, são ganhos económicos efectivos. E ainda há muito que não sabemos aproveitar, por exemplo, os Estados da CPLP continuam em muitos casos a praticar a dupla tributação, continuamos a ter problemas com a exportação de capitais, não temos liberdade de circulação generalizada de pessoas que procuram trabalho. Por exemplo, pode existir aqui mão-de-obra em excesso enquanto essa mesma especialidade falta num outro Estado e não temos uma solução para isso no âmbito da CPLP».

Finalmente, Pereira destaca a importância de que a CPLP tenha sempre um membro presente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como sucede no caso do Brasil: «O princípio de que uma oportunidade para um é uma oportunidade para todos, é algo a preservar. Por exemplo, Angola e Brasil foram convidados a estarem presentes na recente reunião do G20 e pouco depois vimos a Guiné-Bissau a presidir a uma Assembleia Geral da ONU».

 

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